Manchete 2

MORO VENCE NO 1º TURNO E DERROTA MÁQUINA GOVERNISTA NO PARANÁ

Sergio Moro conquista 3,12 milhões de votos e supera por apenas 6.773 votos o piso necessário para evitar o segundo turno. Sandro Alex cresce na reta final, mas não converte a força política de Ratinho Junior em vitória; Requião Filho fica a 118 mil votos do segundo lugar.

Sergio Moro (PL) será o próximo governador do Paraná. Com 100% das seções totalizadas, o ex-juiz e senador recebeu 3.127.911 votos, equivalentes a 50,10% dos válidos, e encerrou a disputa no primeiro turno.

Sandro Alex (PSD) terminou em segundo, com 1.583.764 votos e 25,37%. Requião Filho (PDT) ficou logo atrás, com 1.465.601 votos e 23,47%.

A diferença entre Moro e Sandro foi de expressivos 1.544.147 votos. Já entre Sandro e Requião, a distância caiu para apenas 118.163 votos.

A VITÓRIA FOI AMPLA, MAS O PRIMEIRO TURNO FOI DECIDIDO POR POUCO

A eleição teve 6.242.274 votos válidos. Foram ainda 278.322 votos em branco e 307.494 nulos, totalizando 585.816. A abstenção chegou a 1.771.009 eleitores, ou 20,59%.

A candidatura de Adriano Funileiro (PCO) recebeu 1.525 votos, registrados pela Justiça Eleitoral como anulados sub judice. Por isso, eles aparecem na apuração, mas não compõem o total oficial de votos válidos.

Com 6.242.274 válidos, a metade exata era 3.121.137. Para vencer no primeiro turno, Moro precisava alcançar ao menos 3.121.138.

Recebeu 3.127.911.

Isso significa que apenas 6.773 votos separaram Moro de um segundo turno, embora sua vantagem sobre o segundo colocado tenha ultrapassado 1,5 milhão.

É uma combinação incomum: uma vitória eleitoral extremamente larga sobre os adversários, mas matematicamente estreita em relação à barreira constitucional dos 50% mais um voto.

TRÊS CANDIDATOS CONCENTRARAM QUASE TODA A ELEIÇÃO

Moro, Sandro e Requião reuniram 98,96% de todos os votos válidos.

Os demais quatro candidatos com votos válidos somaram apenas 64.998 votos: Luiz França teve 44.581; Tayná Miessa, 14.193; Alexandre Salomão, 4.144; e Samuel de Mattos, 2.080.

A eleição, portanto, acabou concentrada em três candidaturas, mesmo sem uma polarização formal de dois nomes.

POR QUE MORO VENCEU

Há pelo menos três componentes identificáveis na vitória.

O primeiro foi sua própria marca eleitoral. Moro entrou na disputa como personagem nacionalmente conhecido, ex-juiz da Lava Jato, ex-ministro da Justiça e senador eleito pelo Paraná.

A Lava Jato permanece cercada por controvérsias jurídicas e políticas, e decisões daquele período foram posteriormente anuladas pelos tribunais. Eleitoralmente, porém, a associação de Moro com corrupção, Justiça e segurança continuou mobilizando parcela importante do eleitorado.

O segundo elemento foi a consolidação de Moro dentro do campo da direita.

Em março, ele deixou o União Brasil e ingressou no PL. Na campanha, aproximou-se novamente do bolsonarismo e recebeu apoio explícito de Flávio Bolsonaro.

O resultado presidencial demonstra o ambiente no qual a eleição estadual ocorreu.

Flávio Bolsonaro recebeu 3.945.345 votos no Paraná, ou 59,91%, contra 2.054.597 e 31,20% de Lula. A vantagem foi de quase 1,9 milhão de votos.

Moro recebeu 817.434 votos a menos que Flávio, portanto seria incorreto afirmar que simplesmente herdou todo o eleitorado presidencial do PL.

Mas o tamanho da votação de Flávio demonstra que Moro disputou o governo dentro de um Estado fortemente inclinado à direita naquele domingo.

O mesmo movimento apareceu no Senado: Filipe Barros, do PL, terminou em primeiro, com 3.148.583 votos, enquanto Deltan Dallagnol, do Novo, obteve 2.904.594.

A PESQUISA DO IGU NEWS JÁ INDICAVA A DIFICULDADE DE SANDRO

Um levantamento do Instituto Opinião realizado em Foz do Iguaçu e incorporado aos estudos do IGU News já mostrava uma contradição relevante antes da consolidação final das chapas.

Na pesquisa estimulada para governador, Moro aparecia com 41,5%, Requião Filho com 18,3%, Rafael Greca com 6,2% e Sandro Alex com apenas 2,2%.

Ao mesmo tempo, 44,7% dos entrevistados diziam que votariam em um candidato apoiado por Ratinho Junior. Outros 23% afirmavam que dependeria do candidato.

O contraste antecipava um problema que apareceria nas urnas: aprovação ou influência do governador não significava transferência automática de votos para o nome por ele escolhido.

SANDRO CRESCEU MUITO — MAS A MÁQUINA NÃO BASTOU

É aqui que a análise precisa ser mais precisa.

Sandro Alex não terminou a campanha como começou.

Na Quaest de julho, aparecia com apenas 7%, enquanto Moro tinha 39% e Requião Filho 18%. Em agosto, após Rafael Greca abandonar sua candidatura e integrar a chapa como vice, Sandro subiu para 15%.

Em setembro chegou a 20% na Quaest. No levantamento Paraná Pesquisas de 28 de setembro alcançou 21,5%. E, em pesquisa Real Time Big Data divulgada dois dias antes da votação, chegou a 29%.

Nas urnas fez 25,37%.

Portanto, dizer simplesmente que Sandro “despencou” seria errado. Ele multiplicou várias vezes sua intenção inicial de voto e terminou em segundo.

A derrota torna-se politicamente pesada quando se observa a estrutura disponível.

Sua coligação chegou a reunir partidos que controlavam 299 das 399 prefeituras do Paraná — aproximadamente 75% dos municípios. Rafael Greca tornou-se vice. Ratinho Junior assumiu pessoalmente a campanha.

O governador chegou a se licenciar para percorrer o Estado ao lado de Sandro e intensificou os ataques a Moro na reta final.

Ratinho também carregava aprovação de aproximadamente 79%, segundo a Quaest de agosto.

Mesmo com esse patrimônio, Sandro terminou com metade do percentual de Moro.

A conclusão possível é menos simplista que “a máquina perdeu”: o capital político de Ratinho Junior mostrou-se fortemente pessoal e apenas parcialmente transferível.

A DEMORA NA DEFINIÇÃO TAMBÉM PESOU

Sandro foi anunciado como candidato do grupo de Ratinho em abril, após uma disputa interna que envolveu outros nomes.

A escolha surpreendeu parte dos aliados. A indefinição contribuiu para movimentos como as saídas de Rafael Greca e Alexandre Curi do PSD, enquanto Moro já aparecia consolidado na liderança.

Greca somente desistiu da candidatura própria em 31 de julho para tornar-se vice de Sandro.

Quando o governismo finalmente unificou sua estrutura, Moro já possuía vantagem eleitoral, reconhecimento estadual e um campo ideológico claramente identificado.

REQUIÃO FILHO MOSTRA FORÇA, MAS ENCONTRA UM TETO

O desempenho de Requião Filho merece leitura própria.

Seus 1.465.601 votos representam uma base eleitoral relevante e o deixaram a apenas 118 mil votos da segunda posição.

Sua coligação reunia PDT, Federação Brasil da Esperança — PT, PCdoB e PV —, PSOL-Rede e PRD-Solidariedade.

Requião também contou com o campo político que apoiava Lula.

Mas os números mostram que essa transferência esteve longe de ser integral.

Lula recebeu 2.054.597 votos no Paraná para presidente. Requião recebeu 1.465.601 para governador.

A diferença foi de 588.996 votos, ou 7,73 pontos percentuais quando comparados os percentuais dos dois cargos.

Isso não significa que todo eleitor de Lula necessariamente deveria votar em Requião — eleições para cargos diferentes admitem voto cruzado.

Mas demonstra que Requião não conseguiu transformar em sua totalidade o eleitorado presidencial de centro-esquerda numa votação estadual equivalente.

AS PESQUISAS E A RETA FINAL

Também é preciso corrigir a leitura sobre os institutos.

As últimas pesquisas não apontavam unanimemente um fracasso de Sandro nem previam Moro acima de 50%.

Nos votos válidos, a Quaest projetou Moro com 43%, Sandro com 29% e Requião com 27%. A AtlasIntel apontou 44,7%, 20,2% e 31,6%. O Real Time Big Data, 40%, 32% e 26%.

Moro terminou em 50,10%, acima dos três levantamentos.

Sandro ficou abaixo de Quaest e Real Time, mas acima da AtlasIntel.

Requião terminou abaixo das três projeções em votos válidos.

O dado mais surpreendente da eleição, portanto, não foi apenas Sandro. Foi sobretudo a quantidade de votos que Moro conseguiu concentrar na reta final suficiente para romper a barreira dos 50%.

A DERROTA É DO CANDIDATO E TAMBÉM DO PROJETO DE SUCESSÃO

Ratinho Junior encerra o governo com elevada aprovação e continua como uma das principais forças políticas do Paraná.

As urnas, contudo, recusaram o sucessor que ele escolheu.

Isso representa uma derrota objetiva de seu projeto de continuidade direta no Palácio Iguaçu, embora o PSD permaneça poderoso: o partido elegeu 14 deputados estaduais e dividirá com o PL a maior bancada da próxima Assembleia.

Moro, portanto, não elimina o grupo de Ratinho. Terá de negociar com ele.

Mas chega ao Palácio Iguaçu carregando uma legitimidade eleitoral própria: venceu o governador mais popular do Estado na disputa pela sucessão, derrotou uma coligação sustentada por centenas de prefeitos e superou a linha do primeiro turno quando as principais pesquisas indicavam segundo turno.

Por 6.773 votos, não precisou voltar às urnas.

Por 1.544.147 votos sobre o segundo colocado, deixou claro que essa pequena margem matemática não significou uma eleição equilibrada entre os candidatos.

(Da Redação do IGU News)

IGU News Bot

IGU News Bot

About Author

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Somente a verdade. Este é nosso compromisso com nossos leitores!

Principais Categorias

Cadastre em nossa newsletter

    E receba diretamente em sem e-mail

    Iguassu News @2025. Todos os direitos reservados

    By CB4