Quatro deputados eleitos, vitória de Moro e força de Flávio em Foz ampliam expectativas para 2027. Mas abstenção, pulverização de votos e velhos gargalos lembram que representação só vale quando vira resultado.
As eleições de 4 de outubro deixaram para Foz do Iguaçu uma mensagem de esperança, oportunidade e cobrança. A cidade terminou o primeiro turno mais representada e com novas portas abertas em Curitiba e Brasília.
O principal saldo positivo está na representação parlamentar. Foz elegeu Vermelho para a Câmara e Matheus Vermelho, Paulo Mac Donald e Yasmin Hachem para a Assembleia. São quatro vozes diretamente ligadas à cidade.
É a maior representação parlamentar obtida por Foz em uma única eleição. Isso amplia a capacidade de disputar orçamento, emendas, obras, programas e decisões que dependem dos governos estadual e federal.
PL, PP e PT estarão diretamente ligados a Foz no Legislativo. A diversidade amplia as portas institucionais para a defesa do município e reduz a dependência de uma única corrente política.
Outro resultado relevante foi a eleição de Sergio Moro para o Governo do Paraná no primeiro turno. Em Foz, sua votação foi ainda maior, revelando sintonia entre parcela majoritária do eleitorado local e o novo governo.
Essa aproximação ganha força porque o prefeito General Silva e Luna também é do PL. Prefeitura e Governo do Estado passam a ter comandos politicamente próximos, o que pode favorecer diálogo e projetos conjuntos.
Na Presidência, Foz também deu um recado claro. Flávio Bolsonaro recebeu 97.614 votos, 60,96% dos válidos, contra 50.383 de Lula. A preferência local foi muito mais acentuada que a diferença nacional.
Flávio terminou o primeiro turno nacional à frente de Lula e disputará a Presidência em 25 de outubro. A eleição continua aberta. Para Foz, porém, uma eventual vitória do candidato do PL criaria combinação política incomum.
Se Flávio vencer, Foz poderá iniciar 2027 com prefeito, governador e presidente do mesmo partido. Isso não garante recursos ou obras, mas cria uma janela de interlocução política que o município terá de aproveitar.
Saúde de fronteira, Hospital Municipal, mobilidade, segurança, aeroporto, aduanas, turismo e logística dependem de decisões além da Prefeitura. Uma representação mais forte pode recolocar essas demandas no centro das agendas.
Itaipu também estará nesse tabuleiro. Uma eventual mudança de governo federal poderá trazer nova orientação ao comando brasileiro da binacional e abrir espaço para outra agenda de cooperação e investimentos em Foz.
Silva e Luna já comandou a margem brasileira da Itaipu e hoje administra a cidade mais diretamente afetada por suas decisões. Essa experiência pode se tornar um ativo relevante em eventual convergência institucional.
MAS AS URNAS TAMBÉM DEIXARAM ALERTAS
O maior continua sendo a pulverização do voto para deputado federal: mais da metade dos votos válidos de Foz para a Câmara foi destinada a candidatos de fora.
Ainda assim, Vermelho renovou seu mandato e assegurou presença de Foz em Brasília. No estadual, o comportamento foi melhor: a cidade concentrou mais votos em nomes locais e conseguiu eleger três deputados para a Assembleia.
Outro número que não pode ser ignorado é a abstenção. Foram 44.044 eleitores ausentes em Foz, ou 21,06% dos aptos. Mais de um quinto do eleitorado deixou de participar de uma decisão com efeitos duradouros.
Também é preciso superar a política apenas eleitoral. Eleger quatro deputados será pouco se, daqui a quatro anos, Foz continuar discutindo os mesmos problemas de saúde, mobilidade, infraestrutura e fronteira.
FOZ PRECISA TER UMA BANCADA, NÃO APENAS QUATRO MANDATOS
Os eleitos agora precisam agir como bancada de Foz, mesmo pertencendo a partidos diferentes. Divergências ideológicas são legítimas; divergência sobre a defesa dos interesses estruturais do município não deveria existir.
Vermelho, Matheus Vermelho, Paulo Mac Donald e Yasmin Hachem terão de provar que representação não é apenas ocupar uma cadeira, mas abrir portas, articular soluções e produzir resultados concretos.
O mesmo vale para Sergio Moro. O novo governador recebeu forte apoio em Foz e chega ao Palácio Iguaçu com responsabilidade especial diante de uma região que lhe entregou votação expressiva e espera presença efetiva do Estado.
Se Flávio Bolsonaro confirmar no segundo turno a vantagem do primeiro, a cobrança será maior. Foz terá interlocução partidária direta em vários níveis e menos justificativas para ficar longe das decisões federais.
Nada disso substitui planejamento, competência técnica ou bons projetos. Quanto maior a proximidade política, maior deverá ser a capacidade local de apresentar propostas maduras e aproveitar oportunidades.
A ESPERANÇA PRECISA VIRAR RESULTADO
O saldo de 4 de outubro é positivo. Foz saiu mais representada, mais próxima dos centros de decisão e potencialmente mais forte. Mas oportunidade política também pode ser perdida quando falta organização.
A eleição de 2026 oferece esperança, mas também impõe vigilância. O eleitor fez sua parte. Agora começa a etapa decisiva: transformar mandato em influência, influência em investimento e investimento em resultado para Foz do Iguaçu.
EDITORIAL — IGU NEWS

