Política

VERMELHO E MATHEUS SE REELEGEM E AMPLIAM FORÇA POLÍTICA DE FOZ NO PL

Deputados renovam mandatos com forte votação fora do município, consolidam Foz como base política e chegam a 2027 no mesmo partido do governador eleito Sergio Moro e de Flávio Bolsonaro, que liderou o primeiro turno presidencial. Alinhamento pode ampliar interlocução da região com Curitiba e Brasília.

Foz do Iguaçu saiu das eleições de 2026 com quatro parlamentares eleitos, mas dois resultados carregam uma particularidade política importante: Vermelho e Matheus Vermelho foram reeleitos e iniciarão seus novos mandatos filiados ao PL, partido que também elegeu Sergio Moro governador do Paraná e que disputa a Presidência da República com Flávio Bolsonaro.

Pai e filho construíram trajetórias diferentes.

Vermelho seguirá para o terceiro mandato consecutivo na Câmara dos Deputados.

Matheus renovou o primeiro mandato conquistado em 2022 e permanecerá na Assembleia Legislativa.

Em comum, os dois mantêm Foz do Iguaçu como principal referência política e eleitoral, mas demonstraram nas urnas algo igualmente importante: capacidade de conquistar votos muito além dos limites do município.

É justamente essa combinação — base forte em Foz e presença regional — que explica parte importante das duas reeleições.

VERMELHO CHEGA AO TERCEIRO MANDATO

Nelsi Coguetto Maria, o Vermelho, foi reeleito deputado federal pelo Paraná com 72.166 votos.

Dentro de Foz do Iguaçu, recebeu 14.808 votos.

Os outros 57.358 votos vieram do restante do Paraná, o equivalente a 79,5% de toda a sua votação.

Ou seja: quase quatro de cada cinco votos recebidos por Vermelho foram conquistados fora de Foz.

O resultado mostra que sua candidatura deixou há muito tempo de depender exclusivamente de um eleitorado municipal.

Vermelho construiu uma base que alcança especialmente municípios das regiões Oeste e Sudoeste, áreas historicamente presentes em sua trajetória política.

A própria Câmara dos Deputados registra Vermelho como empresário, atualmente filiado ao PL, com mandatos iniciados em 2019 e 2023. Com a eleição de 2026, passará a cumprir o terceiro mandato consecutivo a partir de fevereiro de 2027.

FOZ É A BASE POLÍTICA

Embora tenha nascido em Francisco Beltrão e mantenha vínculos históricos também com o Sudoeste, Vermelho consolidou Foz do Iguaçu como um de seus principais centros de atuação política.

A própria estrutura eleitoral de sua campanha de 2026 foi registrada em Foz, assim como seu endereço político no município.

Em 2024, a Câmara Municipal concedeu ao deputado o título de Cidadão Honorário de Foz do Iguaçu, reconhecimento aos serviços prestados à cidade.

A Câmara de Foz registra ainda atuação parlamentar do deputado em pautas ligadas à saúde, educação, turismo, agricultura, esporte e entidades sociais.

Entre as ações destacadas pela instituição estão recursos destinados à atenção básica e ao Hospital Municipal, apoio à implantação de creches, entidades filantrópicas, Corpo de Bombeiros, cooperativas e estruturas esportivas.

Isso ajuda a explicar por que a candidatura de Vermelho é apresentada politicamente não apenas como vinculada à cidade, mas como representante de uma faixa territorial mais ampla do Oeste e Sudoeste.

MATHEUS MAIS QUE AMPLIA SUA VOTAÇÃO

Se a eleição de Vermelho confirma uma trajetória já consolidada, a votação de Matheus Vermelho mostra crescimento.

Matheus foi eleito pela primeira vez deputado estadual em 2022 com 29.484 votos.

Quatro anos depois, chegou a 51.316 votos.

É um crescimento de 21.832 votos, aproximadamente 74% em relação à eleição anterior.

Em Foz do Iguaçu, Matheus recebeu 10.871 votos.

Mas outros 40.445 votos foram conquistados fora do município.

Isso significa que 78,8% de toda a sua votação veio de outras cidades do Paraná.

O dado talvez seja o melhor indicador da transformação eleitoral ocorrida durante seu primeiro mandato.

Em 2022, Foz já era sua principal base.

Em 2026, continuou sendo referência, mas Matheus conseguiu regionalizar sua candidatura em escala suficiente para mais que ampliar a votação total.

EMPRESÁRIO COM BASE DE VIDA EM FOZ

Matheus Veloso Maria, o Matheus Vermelho, tem 40 anos e mantém em Foz do Iguaçu sua base de vida, atuação política e atividade empresarial.

Sua própria biografia oficial de campanha o apresenta como empresário em Foz do Iguaçu e destaca o município como principal base eleitoral de sua trajetória.

Na Assembleia Legislativa, seu primeiro mandato concentrou-se sobretudo em municipalismo, turismo, esporte, infraestrutura, saúde, educação e segurança.

Matheus também preside a Comissão de Turismo e ocupa a vice-presidência da Comissão de Esportes da Alep.

Essa ligação com turismo possui significado particular para Foz.

O município vive diretamente da atividade turística e ocupa posição estratégica na economia paranaense, o que transforma a presidência de uma comissão dessa natureza em espaço institucional relevante para a cidade.

R$ 18,8 MILHÕES DESTINADOS A FOZ

Em balanço divulgado antes da eleição, Matheus informou ter viabilizado mais de R$ 18,8 milhões em recursos destinados a Foz do Iguaçu durante os primeiros três anos de mandato.

Segundo a prestação de contas apresentada pelo parlamentar, aproximadamente R$ 8,55 milhões foram direcionados à saúde, incluindo UBSs, equipamentos e estrutura.

Na educação, cerca de R$ 1,6 milhão foi destinado à melhoria de colégios estaduais.

Tratam-se de dados apresentados pelo próprio mandato, e não de auditoria independente do IGU News.

Politicamente, entretanto, o crescimento eleitoral de 29,4 mil para 51,3 mil votos indica que a atuação do primeiro mandato encontrou reconhecimento eleitoral suficiente para garantir a continuidade.

DOIS MANDATOS COM CAPILARIDADE REGIONAL

Os números revelam uma característica comum.

Vermelho teve 79,5% de seus votos fora de Foz.

Matheus, 78,8%.

Isso significa que ambos conseguiram preservar Foz como base e, ao mesmo tempo, expandir suas candidaturas para outros municípios.

Nas eleições proporcionais, essa capacidade é decisiva.

Não basta possuir votação expressiva apenas na cidade de origem.

É necessário atingir outras regiões, superar concorrentes internos e contribuir para o desempenho geral do partido.

Foi exatamente essa expansão territorial que diferenciou Vermelho e Matheus de várias outras candidaturas locais.

OESTE E SUDOESTE COMO CORREDOR POLÍTICO

A atuação dos dois parlamentares também ajuda a conectar duas regiões importantes do Paraná.

Vermelho possui origem no Sudoeste e atuação consolidada no Oeste.

Matheus estruturou seu mandato a partir de Foz, mas ampliou presença em municípios do Oeste, Sudoeste e outras regiões.

Seu primeiro mandato registrou votos e atividades em centenas de municípios.

A estratégia constrói uma espécie de corredor político entre Foz, os municípios do extremo-oeste e o Sudoeste do Paraná.

Isso aumenta a capacidade eleitoral dos dois, mas também amplia as demandas que seus mandatos precisam representar.

OS DOIS AGORA ESTÃO NO PL

Há ainda uma mudança política relevante para 2027.

Vermelho e Matheus estarão no mesmo partido.

Vermelho já integrava o PL anteriormente e retornou à legenda em 2026.

Matheus, eleito em 2022 pelo PP, filiou-se ao Partido Liberal em abril deste ano.

Essa convergência cria uma situação política diferente daquela existente durante boa parte da atual legislatura.

Pai e filho poderão atuar dentro da mesma estrutura partidária em Brasília, Curitiba e Foz.

MORO COMPLETA O EIXO ESTADUAL

O terceiro elemento dessa composição é Sergio Moro.

Moro foi eleito governador do Paraná no primeiro turno com 3.127.911 votos, ou 50,10% dos votos válidos.

Ele também pertence ao PL.

A partir de janeiro, portanto, Matheus Vermelho estará na Assembleia Legislativa como deputado do mesmo partido do governador.

Politicamente, isso tende a facilitar interlocução partidária.

Não significa que recursos públicos possam ser destinados automaticamente pela identidade partidária.

Mas possuir deputado estadual, governador e liderança partidária dentro de uma mesma estrutura cria canais de negociação mais diretos para programas, obras, convênios e reivindicações dos municípios.

VERMELHO E MORO TAMBÉM TERÃO INTERLOCUÇÃO DIRETA

No caso de Vermelho, a relação ocorre entre Brasília e Curitiba.

Um deputado federal do mesmo partido do governador pode atuar na construção de projetos conjuntos entre União e Estado, especialmente em áreas que dependem de financiamento federal e execução estadual.

Para Foz, temas como saúde regional, fronteira, BR-277, turismo, infraestrutura logística, segurança e integração com Paraguai e Argentina dependem frequentemente dessa articulação entre diferentes níveis de governo.

A eleição de Moro, portanto, aumenta potencialmente o espaço político dos dois deputados dentro do próprio partido.

E SE FLÁVIO BOLSONARO VENCER?

Existe ainda uma quarta peça, que somente será definida no segundo turno de 25 de outubro.

Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno presidencial à frente de Lula e disputará a Presidência pelo PL.

Ele ainda não é presidente eleito.

Qualquer análise precisa partir dessa ressalva.

Mas, se vencer o segundo turno, o cenário político de Vermelho e Matheus mudará substancialmente.

Foz teria dois parlamentares reeleitos pelo partido do presidente da República.

O governador do Paraná seria do mesmo partido.

E o prefeito de Foz, General Silva e Luna, também pertence ao PL.

Isso poderia formar uma linha partidária incomum:

Prefeitura de Foz.

Assembleia Legislativa.

Governo do Paraná.

Câmara dos Deputados.

Presidência da República.

Todos com representação direta do mesmo partido.

ALINHAMENTO NÃO É CHEQUE EM BRANCO

Esse cenário precisa ser compreendido corretamente.

Ser do partido do governador ou do presidente não garante liberação automática de emendas, obras ou recursos.

O orçamento público continua sujeito à legislação, projetos técnicos, prioridades administrativas, disponibilidade financeira, convênios e aprovação institucional.

Mas política também funciona por articulação.

Ter interlocutores próximos dos centros de decisão pode facilitar a defesa de demandas regionais e aumentar a capacidade de colocar projetos de Foz e do Oeste nas agendas estadual e federal.

Esse é o ganho político potencial.

PL TERÁ A MAIOR BANCADA DA CÂMARA

Vermelho também iniciará o novo mandato dentro de uma bancada significativamente fortalecida.

O PL elegeu 121 deputados federais e será a maior bancada da Câmara a partir de 2027.

Isso aumenta o peso partidário em comissões, relatorias, liderança, negociações orçamentárias e composição da Mesa Diretora.

Vermelho já ocupa posições relevantes na Câmara.

Em 2026, integra a Comissão de Finanças e Tributação e a Representação Brasileira no Parlamento do Mercosul, além de ter passagem por comissões de Saúde, Turismo, Agricultura, Desenvolvimento Urbano e Viação e Transportes.

Para um deputado cuja principal região de atuação inclui a maior fronteira terrestre do país e um dos maiores destinos turísticos brasileiros, essas áreas possuem relação direta com demandas locais.

MATHEUS TERÁ UM GOVERNADOR DO MESMO PARTIDO

Na Alep, Matheus passa por situação semelhante.

Seu segundo mandato começará com um governo estadual comandado por Sergio Moro.

Isso não elimina divergências internas nem garante atendimento automático às suas propostas.

Mas tende a aumentar sua capacidade de articulação dentro da base governista, caso o PL componha formalmente o núcleo de sustentação do novo governo — cenário naturalmente esperado pela identidade partidária.

Para Foz e os municípios do Oeste, essa proximidade poderá ter impacto especialmente em saúde, infraestrutura, educação, esporte e turismo.

AS URNAS VALIDARAM DOIS MODELOS DE MANDATO

A reeleição possui também um significado político mais simples.

Eleitores tiveram oportunidade de avaliar os mandatos já exercidos.

E decidiram renová-los.

No caso de Vermelho, é a terceira eleição consecutiva para a Câmara.

No caso de Matheus, a primeira reeleição e com crescimento expressivo da votação.

Isso não significa aprovação unânime.

Nenhum parlamentar representa a totalidade do eleitorado.

Mas, sob o critério mais objetivo disponível numa democracia — o voto —, os dois receberam respaldo suficiente para continuar.

MATHEUS CRESCEU; VERMELHO CONSOLIDOU

A leitura eleitoral dos resultados é clara.

Matheus ampliou sua votação de 29.484 para 51.316.

Vermelho manteve uma base estadual suficientemente ampla para conquistar novamente uma das 30 cadeiras paranaenses na Câmara Federal.

E ambos demonstraram forte capacidade de buscar votos fora de Foz.

Esse é um dado particularmente relevante depois de uma eleição marcada por forte pulverização das candidaturas iguaçuenses.

Enquanto vários nomes ficaram praticamente restritos ao município, Vermelho e Matheus fizeram o caminho inverso.

Levaram o nome político de Foz para outras regiões.

E trouxeram votos de outras regiões para mandatos cuja principal referência permanece em Foz do Iguaçu.

FOZ GANHA COM REPRESENTAÇÃO CONTINUADA

Mandatos consecutivos possuem uma vantagem institucional.

Parlamentares experientes conhecem melhor os mecanismos internos das casas legislativas, acumulam relações com ministérios e secretarias, conquistam espaço em comissões e ampliam capacidade de negociação.

Para uma cidade com demandas complexas como Foz, continuidade pode representar maior capacidade de acompanhar projetos de médio e longo prazo.

Saúde de fronteira.

Infraestrutura.

BR-277.

Turismo.

Segurança.

Aeroporto.

Integração regional.

Itaipu.

Mobilidade.

São temas que dificilmente se resolvem dentro de um único exercício orçamentário.

UMA NOVA FASE PARA OS DOIS VERMELHOS

A eleição de 2026, portanto, não representa apenas a manutenção de dois mandatos.

Ela coloca Vermelho e Matheus num ambiente político potencialmente mais favorável à articulação regional.

Os dois foram reeleitos.

Os dois estão no PL.

O PL governará o Paraná com Sergio Moro.

Será a maior bancada da Câmara dos Deputados.

E disputa a Presidência da República com Flávio Bolsonaro.

Caso Flávio vença, a conexão partidária entre Foz, Curitiba e Brasília será ainda mais direta.

Se Lula vencer, Vermelho e Matheus permanecerão com o mesmo peso eleitoral conquistado nas urnas, mas num cenário de relação política diferente com o Executivo federal.

Em qualquer das hipóteses, o resultado de 4 de outubro já está definido:

Vermelho e Matheus saíram das urnas fortalecidos, ampliaram a presença política de Foz e receberam dos eleitores um novo mandato para continuar representando o município, o Oeste, o Sudoeste e as demais regiões onde construíram suas bases.

A próxima cobrança será transformar essa força eleitoral em resultado institucional.

Em Brasília.

Em Curitiba.

E, principalmente, para Foz do Iguaçu e a região que lhes deu votos para continuar.

(Da Redação do IGU News)

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