Foz do Iguaçu 1

FOZ SAI FORTALECIDA DAS URNAS E ALINHAMENTO POLÍTICO PODE ABRIR NOVO CICLO DE INVESTIMENTOS

Com o prefeito General Silva e Luna no centro de uma nova articulação política, vitórias de Sergio Moro e da direita, avanço do PL no Congresso e eventual eleição de Flávio Bolsonaro podem aproximar Prefeitura, Estado, União e Itaipu em torno das grandes demandas de Foz.

O resultado das eleições de 4 de outubro colocou Foz do Iguaçu diante de uma configuração política que poderá ter consequências muito maiores do que a simples distribuição de cargos conquistados nas urnas.

A cidade terminou o primeiro turno com ampla maioria para Flávio Bolsonaro (PL) na Presidência, votou majoritariamente em Sergio Moro (PL) para o Governo do Paraná, deu as duas maiores votações locais ao Senado para Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo) e elegeu quatro parlamentares com domicílio eleitoral ligado ao município.

O resultado cria, sobretudo no caso de vitória de Flávio Bolsonaro no segundo turno, a possibilidade de uma rara convergência política entre Palácio das Cataratas, Palácio Iguaçu, Congresso Nacional, Presidência da República e direção brasileira da Itaipu Binacional.

Essa convergência, porém, precisa ser compreendida como oportunidade política — não como garantia automática de recursos.

FOZ DEU 60,96% A FLÁVIO

Flávio Bolsonaro recebeu 97.614 votos em Foz do Iguaçu, equivalentes a 60,96% dos votos válidos para presidente.

Lula teve 50.383 votos, ou 31,46%.

A diferença foi de 47.231 votos somente no município.

No Brasil, Flávio terminou o primeiro turno à frente de Lula e disputará o segundo turno em 25 de outubro.

As primeiras análises nacionais colocam o candidato do PL em posição inicial mais favorável, embora a eleição permaneça aberta e o resultado somente venha a ser definido nas urnas.

Para Foz, uma eventual vitória de Flávio teria significado político adicional.

O prefeito Joaquim Silva e Luna é filiado ao PL, partido do presidenciável, e foi eleito prefeito em 2024 depois de ter dirigido a Itaipu no governo Jair Bolsonaro.

Esse alinhamento também foi construído politicamente por Silva e Luna. O prefeito apoiou Moro desde o início, mobilizou o PL de Foz por sua eleição e pela de Flávio Bolsonaro e, após o primeiro turno, reafirmou que seguirá trabalhando por Flávio.

A atuação dá ao prefeito uma posição política diferenciada no cenário que emerge das urnas. Silva e Luna não aderiu às candidaturas apenas na reta final: participou da mobilização partidária e colocou sua liderança política local em favor dos candidatos que agora passam a ocupar posições centrais no Estado e, potencialmente, na União.

MORO TEVE 55,34% EM FOZ

Sergio Moro foi eleito governador do Paraná no primeiro turno com 3.127.911 votos e 50,10% dos válidos no Estado.

Em Foz, sua votação foi ainda maior: 83.362 votos, ou 55,34%.

A partir de janeiro, portanto, Foz terá em Curitiba um governador do mesmo partido do prefeito e de Flávio Bolsonaro.

Caso Flávio também vença, União, Estado e Município poderão estar sob comandos politicamente próximos.

Esse alinhamento, por si, não cria direito a repasses. Mas pode facilitar interlocução política, definição de prioridades, preparação de projetos conjuntos e defesa de demandas federais.

O CONGRESSO TAMBÉM MUDA DE EIXO

Na Câmara dos Deputados, o PL elegeu 121 dos 513 deputados federais e será a maior bancada a partir de fevereiro de 2027.

No Senado, o PL deverá iniciar 2027 com 28 dos 81 senadores, tornando-se a maior bancada da Casa.

Nenhuma dessas forças terá capacidade para governar sozinha.

Mas um eventual governo Flávio Bolsonaro começaria com uma base parlamentar própria muito mais robusta.

FOZ ELEGE QUATRO PARLAMENTARES

O deputado federal Vermelho (PL) foi reeleito com 72.166 votos no Paraná, dos quais 14.808 em Foz.

Na Assembleia Legislativa foram eleitos Matheus Vermelho (PL), com 51.316 votos estaduais e 10.871 em Foz; Paulo Mac Donald (PP), com 45.276 no Estado e 43.208 em Foz; e Yasmin Hachem (PT), com 43.343 votos estaduais e 9.389 no município.

Foz não dependerá, portanto, de uma única corrente política.

Terá interlocutores no PL, PP e PT, situação que pode ser útil na negociação de recursos e projetos.

A SAÚDE É O PRINCIPAL TESTE DESSE NOVO PODER POLÍTICO

Foz possui população oficial estimada em 299.112 habitantes em 2026, mas documentos municipais apontam aproximadamente 450 mil cartões SUS cadastrados.

A diferença não significa que existam 450 mil moradores distintos, mas traduz uma pressão real sobre uma rede utilizada também por moradores da região, turistas, brasileiros residentes no Paraguai e população transfronteiriça.

Esse fenômeno não é novo. Estudos do próprio Ministério da Saúde sobre municípios de fronteira já identificavam que Foz tinha dificuldade de planejamento justamente pela imprecisão da população flutuante e pela demanda adicional de estrangeiros e brasileiros residentes no exterior.

NÃO EXISTE UMA ÚNICA “COTA SUS”

O financiamento federal não corresponde a uma cota única multiplicada pelo número de cartões.

A Atenção Primária considera população oficial, cadastros, equipes, indicadores e acompanhamento. A Média e Alta Complexidade utiliza teto MAC, habilitações, produção e incentivos específicos.

O problema aparece quando a demanda cresce mais rapidamente do que esses componentes financeiros.

Um paciente de outra cidade ou residente no Paraguai pode gerar atendimento, exames, medicamentos, profissionais, leitos e estrutura, mas isso não significa que o município receba automaticamente um repasse equivalente ao custo daquele atendimento.

O próprio SUS já reconheceu historicamente esse problema ao criar o SIS Fronteiras, cuja finalidade incluía identificar fluxos assistenciais, documentar gastos e integrar recursos físicos e financeiros nas cidades de fronteira.

FOZ NÃO GASTA 15% EM SAÚDE — GASTA PERTO DO DOBRO

A Constituição e a Lei Complementar nº 141 obrigam os municípios a aplicar no mínimo 15% da base formada por impostos e determinadas transferências em ações e serviços públicos de saúde.

Foz historicamente aplica muito mais.

Uma revisão dos dados do Tribunal de Contas do Paraná corrige inclusive uma inconsistência que aparece em algumas fontes secundárias: 37,35% corresponde a 2020; em 2021, o índice foi de aproximadamente 34,15%.

DEZ ANOS ACIMA DO PISO CONSTITUCIONAL

O IGU News reconstruiu os dez exercícios completos entre 2016 e 2025.

Para 2016 a 2021, foram cruzados os percentuais oficiais divulgados pelo TCE-PR com a receita resultante de impostos e transferências informada nos relatórios fiscais do município. De 2022 em diante, foram usados os valores de aplicação divulgados nos relatórios municipais e de controle.

Ano Aplicação em saúde Recursos próprios estimados/apurados Piso de 15% Acima do piso Valor atualizado a ago/2026
2016 31,58% R$ 136,66 mi R$ 64,91 mi R$ 71,75 mi R$ 114,69 mi
2017 28,30% R$ 139,71 mi R$ 74,05 mi R$ 65,66 mi R$ 101,95 mi
2018 27,97% R$ 154,32 mi R$ 82,76 mi R$ 71,56 mi R$ 107,10 mi
2019 34,80% R$ 209,77 mi R$ 90,42 mi R$ 119,35 mi R$ 171,25 mi
2020 37,35% R$ 207,79 mi R$ 83,45 mi R$ 124,34 mi R$ 170,69 mi
2021 34,15% R$ 234,89 mi R$ 103,17 mi R$ 131,71 mi R$ 164,28 mi
2022 34,19% R$ 274,16 mi R$ 120,28 mi R$ 153,88 mi R$ 181,43 mi
2023 31,43% R$ 276,95 mi R$ 132,17 mi R$ 144,78 mi R$ 163,15 mi
2024 29,98% R$ 306,97 mi R$ 153,59 mi R$ 153,38 mi R$ 164,89 mi
2025 32,15% R$ 353,65 mi R$ 165,00 mi R$ 188,65 mi R$ 194,52 mi

Em valores nominais de cada exercício, Foz aplicou aproximadamente R$ 1,225 bilhão além do piso constitucional nesses dez anos.

Atualizados pelo IPCA para valores de agosto de 2026, os excedentes representam aproximadamente R$ 1,534 bilhão em poder de compra atual.

O QUE R$ 1,53 BILHÃO REPRESENTA PARA UMA CIDADE

O número ganha outra dimensão quando comparado com obras reais de Foz.

A nova Escola Municipal Lúcia Marlene, projetada como modelo para futuras escolas, está estimada em R$ 10 milhões.

Em valores equivalentes, R$ 1,53 bilhão corresponderia a aproximadamente 153 escolas desse porte.

Uma nova creche municipal do programa Infância Feliz Paraná tem custo estimado próximo de R$ 2,9 milhões.

O mesmo valor corresponderia a cerca de 525 novas creches desse padrão.

O projeto de 254 moradias populares desenvolvido em Foz foi orçado em R$ 76,3 milhões, ou aproximadamente R$ 300 mil por unidade.

Mantida essa referência, R$ 1,53 bilhão seria suficiente para algo próximo de 5,1 mil moradias populares.

Essas comparações não significam que esses recursos poderiam ter sido simplesmente retirados da saúde.

Servem para medir o custo de oportunidade imposto ao orçamento municipal.

MAIS DE QUATRO ANOS DO INVESTIMENTO PREVISTO PARA 2026

O orçamento de Foz para 2026 prevê aproximadamente R$ 355,6 milhões em investimentos e inversões financeiras.

O excedente de saúde acumulado e atualizado dos dez anos corresponde a aproximadamente 4,3 vezes todo esse montante.

Em outras palavras, o esforço adicional feito na saúde ao longo da década equivale a mais de quatro exercícios inteiros do atual volume anual previsto para investimentos municipais.

HOSPITAL: O EXCEDENTE É 22 VEZES O ROMBO DE 2025

O Hospital Municipal encerrou 2025 com patrimônio líquido negativo de aproximadamente R$ 70,17 milhões.

A cifra acumulada de R$ 1,53 bilhão equivale a cerca de 22 vezes esse passivo contábil.

Isso não significa que o valor pudesse ser automaticamente usado para quitar a dívida.

Mas demonstra como a pressão recorrente sobre a saúde reduz a margem disponível para atacar estruturalmente o problema financeiro do próprio hospital.

PREVIDÊNCIA TAMBÉM DISPUTA O MESMO CAIXA

Foz também possui compromissos expressivos com seu regime próprio de previdência.

Em 2025, foi formalizado parcelamento de aproximadamente R$ 21,3 milhões em valores devidos ao FozPrev, referentes às cotas patronal e dos segurados relacionadas ao adicional de permanência.

Além disso, o orçamento de 2026 prevê R$ 120 milhões em aportes para cobertura do déficit atuarial do regime previdenciário.

O excedente atualizado da saúde equivaleria a aproximadamente 72 vezes o parcelamento de R$ 21,3 milhões ou a quase 13 anos do aporte atuarial de R$ 120 milhões previsto para 2026.

FOZ TEM AINDA R$ 169,7 MILHÕES EM DÍVIDA CONTRATUAL

A Câmara aprovou neste ano a adesão do município a um programa de refinanciamento de uma dívida contratual de R$ 169,7 milhões com a União.

O esforço adicional acumulado em saúde, em valores atuais, corresponde a cerca de nove vezes essa dívida.

Novamente, não se trata de dizer que dinheiro da saúde deveria ter sido empregado no pagamento da dívida.

A comparação mostra somente o tamanho da pressão fiscal que a saúde representa sobre recursos livres municipais.

NÃO É POSSÍVEL DIZER QUE R$ 1,53 BILHÃO FOI GASTO COM PACIENTES DE FORA

Essa ressalva é indispensável.

Nenhum relatório público encontrado pelo IGU News apresenta uma contabilidade capaz de separar, durante toda a década, quanto do gasto acima dos 15% foi provocado especificamente por moradores de outros municípios, turistas, estrangeiros ou brasileiros residentes no Paraguai.

Portanto, seria errado afirmar que os R$ 1,53 bilhão representam a “conta dos pacientes de fora”.

Parte importante do gasto adicional decorre das próprias necessidades dos moradores de Foz: folha de servidores, medicamentos, expansão da rede, epidemias, inflação médica, estrutura hospitalar e aumento de procedimentos.

O que os dados permitem afirmar é outra coisa:

Foz possui uma demanda regional e transfronteiriça comprovada e, simultaneamente, precisa aplicar sistematicamente recursos próprios muito superiores ao piso constitucional.

Essa combinação produz um problema fiscal que União e Estado precisam enfrentar.

HÁ ATÉ COMPLEMENTAÇÃO MUNICIPAL DA TABELA SUS

Um exemplo concreto da insuficiência financeira está em procedimentos contratados pela própria rede.

Edital municipal de serviços médicos de 2021 registra expressamente que determinados valores da tabela local correspondiam à tabela SUS nacional acrescida em 50%, diferença custeada pelo município com recursos próprios.

É uma pequena fotografia de um problema maior: quando o valor federal não cobre o custo necessário para contratar o serviço, a diferença acaba recaindo sobre o caixa municipal.

O PREÇO INVISÍVEL ESTÁ NAS OBRAS QUE DISPUTAM RECURSOS

Não é tecnicamente possível apontar uma escola específica e afirmar que ela deixou de existir porque o dinheiro foi usado na saúde.

Orçamento público não funciona dessa maneira linear.

Mas existe um efeito econômico inevitável.

Quando o município precisa colocar R$ 100 milhões, R$ 150 milhões ou quase R$ 190 milhões anuais acima do piso mínimo, esse dinheiro deixa de disputar espaço fiscal com pavimentação, drenagem, escolas, creches, habitação, mobilidade, manutenção urbana, amortização de dívida e formação de reservas.

É o chamado custo de oportunidade.

E, em dez anos, esse custo alcança escala bilionária.

MORO PODE ALTERAR A CONTA PELO LADO DO ESTADO

É neste ponto que a eleição de Sergio Moro ganha consequência prática para Foz.

O Governo do Paraná pode ampliar o cofinanciamento do Hospital Municipal, aumentar investimentos regionalizados, rever pactuações e distribuir de maneira mais equilibrada o custo dos pacientes encaminhados pelos municípios da região.

Foz não pode exercer o papel de hospital regional e fronteiriço financiando essa condição prioritariamente com sua arrecadação própria.

Com Moro no Governo do Estado e Silva e Luna na Prefeitura, ambos no PL e politicamente aliados na eleição, abre-se uma oportunidade de colocar essa distorção no centro da relação entre município e Estado.

COM FLÁVIO, BRASÍLIA PODERIA REABRIR A DISCUSSÃO DO FINANCIAMENTO DE FRONTEIRA

Uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro abriria a frente federal.

A União tem instrumentos para ampliar teto MAC, criar incentivos permanentes de fronteira, habilitar novos serviços, reforçar transferências fundo a fundo ou estruturar um modelo que reconheça financeiramente a população transfronteiriça.

Há precedente histórico.

O SIS Fronteiras, criado pelo Ministério da Saúde em 2005, nasceu justamente para mapear demanda, fluxos assistenciais e gastos nas regiões fronteiriças.

Documentos da época registram inclusive discussão para que brasileiros residentes no Paraguai fossem considerados na população de referência de Foz para fins de financiamento do SUS.

Uma nova política federal poderia retomar essa lógica em bases contemporâneas e com valores compatíveis com o tamanho real da rede.

REGIONALIZAR OU FEDERALIZAR O HOSPITAL

Três caminhos continuam possíveis.

O primeiro é aumentar de maneira significativa o financiamento federal permanente para Média e Alta Complexidade.

O segundo é aprofundar a regionalização financeira, com maior participação do Paraná e dos municípios de origem dos pacientes.

O terceiro é avançar na federalização do Hospital Municipal, transformando-o em hospital universitário ligado à UNILA e eventualmente administrado pela Ebserh.

Nenhuma alternativa é simples.

Mas a manutenção do modelo atual significa continuar exigindo que uma prefeitura de aproximadamente 300 mil habitantes sustente uma estrutura dimensionada para uma demanda muito maior.

ITAIPU É A OUTRA GRANDE PEÇA DO TABULEIRO

Nenhuma análise sobre Foz pode ignorar Itaipu.

O diretor-geral brasileiro é indicado pelo governo federal. Portanto, uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro tornaria politicamente provável uma futura mudança na direção brasileira da binacional.

O LEGADO DE SILVA E LUNA

Quando Silva e Luna comandou a margem brasileira da Itaipu, a empresa concentrou recursos em grandes obras estruturantes.

A carteira passou de R$ 2,5 bilhões em investimentos no Oeste, incluindo Ponte da Integração, Perimetral Leste, aeroporto, Rodovia das Cataratas, hospitais e outras intervenções.

A experiência dá ao atual prefeito conhecimento direto sobre a estrutura decisória da binacional e sobre sua capacidade de participar de projetos regionais.

O QUE MUDOU COM ENIO VERRI

Os dados públicos não autorizam afirmar que os investimentos da Itaipu desapareceram na atual gestão.

A empresa informa investimentos bilionários em Foz desde 2023, mas com mudança do perfil das prioridades, incluindo maior peso de políticas sociais, ambientais, habitacionais e universitárias.

A diferença política está sobretudo na orientação do dinheiro.

UM NOVO GOVERNO PODERIA MUDAR NOVAMENTE A PRIORIDADE

Com Silva e Luna prefeito, Moro governador e, eventualmente, Flávio Bolsonaro presidente, Foz poderia defender nova rodada de investimentos direcionada à saúde de fronteira, Hospital Municipal, infraestrutura logística, mobilidade, segurança, aduanas, aeroporto, corredores internacionais, turismo e obras urbanas.

Não existe garantia de aumento do volume.

Existe, porém, possibilidade real de alteração da prioridade.

Silva e Luna também não iniciaria essa interlocução do zero.

O prefeito chegaria a uma eventual nova configuração federal como dirigente municipal do PL, ex-diretor-geral da Itaipu e apoiador público das candidaturas de Moro e Flávio.

UMA CONFIGURAÇÃO RARA PARA FOZ

Prefeitura: PL.

Governador eleito: PL.

Maior bancada da Câmara: PL.

Maior bancada projetada do Senado: PL.

Deputado federal eleito de Foz: PL.

Um dos três deputados estaduais da cidade: PL.

Além disso, PP e PT também terão representantes locais na Assembleia.

Foz terá diversas portas políticas abertas.

O desafio será transformá-las em dinheiro, projetos e soluções institucionais.

R$ 1,53 BILHÃO É O TAMANHO DA DISCUSSÃO

O ponto central não é defender que Foz reduza seus investimentos em saúde para 15%.

Isso seria incompatível com a realidade da cidade.

A pergunta correta é outra:

por que uma cidade de fronteira precisa colocar, ano após ano, quase o dobro do mínimo constitucional com recursos próprios para sustentar uma rede que atende uma população muito superior à oficialmente residente?

Se União e Estado assumissem parcela maior dessa responsabilidade, o dinheiro municipal hoje empregado na diferença poderia voltar a disputar espaço com escolas, creches, moradias, infraestrutura, mobilidade e redução de passivos.

Em dez anos, essa diferença chegou a R$ 1,225 bilhão nominal.

Em dinheiro de hoje, cerca de R$ 1,53 bilhão.

Esse é o tamanho econômico da pauta que Foz deverá levar a Curitiba e Brasília a partir de 2027.


NOTA EDITORIAL E METODOLÓGICA

Esta é uma matéria de análise e opinião do IGU News. A série de dez anos utiliza percentuais oficiais do TCE-PR e dados fiscais municipais. Nos exercícios antigos em que o demonstrativo integral de saúde não está disponível em formato consolidado na internet, os valores foram reconstruídos a partir do percentual de aplicação e da base de impostos e transferências divulgada nos relatórios fiscais. Por isso, parte da série deve ser compreendida como estimativa técnica, e não como auditoria contábil.

Os valores foram trazidos a preços de agosto de 2026 pelo IPCA oficial. As equivalências com escolas, creches, moradias, Hospital Municipal, previdência e investimentos são simulações de poder de compra destinadas a demonstrar escala econômica. Não significam que esses recursos poderiam legalmente ter sido redirecionados da saúde para essas finalidades.

Também não há base documental para atribuir todo o excedente de R$ 1,53 bilhão a pacientes externos. O dado mede a aplicação municipal acima do piso constitucional. A demanda regional e transfronteiriça é um dos fatores que pressionam o sistema, mas não o único.

Os cenários envolvendo eventual vitória de Flávio Bolsonaro, aumento do financiamento federal, regionalização, federalização do Hospital Municipal ou mudança de direção e prioridade na Itaipu são projeções políticas e institucionais e não fatos consumados.

(Da Redação do IGU News)

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