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FOZ PULVERIZA VOTOS E VIRA TRAMPOLIM ELEITORAL PARA CANDIDATOS DE FORA

Mesmo após campanha de entidades pela valorização da representação regional, 21 candidaturas domiciliadas em Foz terminaram abaixo de 4 mil votos no Paraná. No federal, mais da metade dos votos válidos da cidade foi destinada a candidatos de fora.

Foz do Iguaçu sai das eleições de 2026 com uma conquista importante: quatro parlamentares diretamente ligados ao município estarão nas casas legislativas a partir de 2027. Vermelho foi reeleito deputado federal, enquanto Matheus Vermelho, Paulo Mac Donald e Yasmin Hachem conquistaram vagas na Assembleia Legislativa.

O resultado, entretanto, esconde uma realidade que merece atenção.

Mesmo depois de uma intensa campanha promovida por entidades da sociedade civil para fortalecer candidatos de Foz e do extremo-oeste, a cidade voltou a pulverizar parte significativa de sua força eleitoral em dezenas de candidaturas sem competitividade demonstrada nas urnas.

O IGU News adotou, para esta análise, um corte objetivo: somente entram na crítica as candidaturas domiciliadas eleitoralmente em Foz que terminaram com menos de 4 mil votos em todo o Paraná.

Quem ultrapassou essa marca está fora do juízo editorial desta matéria.

A SOCIEDADE AVISOU

Muito antes da abertura das urnas, o problema já havia sido identificado.

Codefoz, Caciopar/Micro 1, Codemed e outras organizações defenderam publicamente a necessidade de Foz e do extremo-oeste ampliarem sua representação em Curitiba e Brasília.

A campanha “Nossa região precisa ter voz” utilizou outdoors, rádios, redes sociais, portais e mobilização de empresas e instituições.

A mensagem era simples: uma região economicamente relevante não poderia continuar dispersando votos e elegendo representantes em número inferior ao seu peso econômico, populacional e estratégico.

Segundo os dados divulgados pelos organizadores, somente os outdoors tinham potencial de alcançar aproximadamente 221 mil pessoas, quase três quartos da população municipal.

Portanto, não faltou alerta.

21 CANDIDATURAS ABAIXO DE 4 MIL VOTOS

Entre os candidatos a deputado estadual domiciliados em Foz, 11 terminaram abaixo de quatro mil votos no Paraná:

Sidnei Prestes, Inês da Saúde, Mazé Saad, Caê Traven, Jairo Cardoso, Dra. Carla Rosane, Érica Gonçalves, Jorge Marco Leiloeiro, Lori de Andrade, Michelle Tapia e Giovani Fagundes.

Juntos, receberam 14.946 votos no Paraná, dos quais 9.075 dentro de Foz.

Algumas votações mostram a reduzida expansão territorial dessas candidaturas.

Jairo Cardoso teve 1.224 votos em Foz e somente 168 no restante do Paraná.

Inês da Saúde recebeu 2.047 na cidade e 510 fora.

Lori de Andrade teve 407 votos em Foz e apenas 95 no restante do Estado.

Giovani Fagundes terminou com 103 votos no Paraná inteiro.

NO FEDERAL, O PROBLEMA FOI MAIOR

Para deputado federal, dez candidaturas locais ficaram abaixo dos quatro mil votos:

Túlio Bandeira, Gilvan Federal, Marcio Rosa, Sandra Tarabayne, Edson Fernando, Leandro Pinto, Luciano Alves, William Barros, Ari Ribeiro e Paulinho do Asfalto.

Somadas, essas candidaturas contabilizaram 13.592 votos no Paraná, sendo 5.042 em Foz.

A diferença, porém, está no comportamento geral do eleitor.

Dos 149.926 votos válidos para deputado federal registrados em Foz, apenas 69.577 foram destinados a candidatos domiciliados no município.

Outros 80.349 votos — 53,59% do total — foram para candidatos de fora.

Mais da metade.

É neste ponto que a discussão deixa de ser apenas sobre pequenas candidaturas e passa a envolver a própria estratégia eleitoral da cidade.

57 MIL VOTOS AJUDARAM A ELEGER DEPUTADOS DE FORA

Os 29 deputados federais eleitos pelo Paraná sem domicílio eleitoral em Foz receberam, juntos, 57.522 votos nas urnas iguaçuenses.

Jeffrey Chiquini recebeu 12.512 votos na cidade.

Sargento Fahur, 8.866.

Guilherme Kilter, 5.257.

Ana Júlia, 4.886.

Somente esses quatro candidatos de fora reuniram 31.521 votos em Foz do Iguaçu.

Não existe qualquer irregularidade nisso.

O eleitor tem absoluto direito de votar em qualquer candidato registrado pelo Paraná.

A discussão proposta pelo IGU News é outra:

qual é o custo político para Foz quando uma parcela tão grande de sua força eleitoral é usada para construir mandatos cuja principal base está em outras regiões?

O “TRAMPOLIM DE PARAQUEDISTAS”

O IGU News chama editorialmente esse fenômeno de “trampolim de paraquedistas”.

A expressão não acusa candidatos locais de fraude, acordo ou qualquer irregularidade.

Ela descreve um possível efeito do sistema proporcional.

O voto dado a um candidato que não consegue se eleger continua integrando a votação de seu partido ou federação.

Essa soma pode ajudar a legenda a conquistar cadeiras ocupadas posteriormente por candidatos de outras cidades.

Ao mesmo tempo, milhares de eleitores de Foz votam diretamente em nomes de fora.

O resultado pode ser uma cidade que fornece votos em grande quantidade, mas não transforma proporcionalmente essa força em representação própria.

NO ESTADUAL, FOZ SE PROTEGEU MELHOR

Para deputado estadual, a situação foi menos problemática.

Dos 151.280 votos válidos depositados em Foz, 112.137 — 74,13% — foram para candidatos locais.

Apenas 25,87% foram destinados a nomes de fora.

E o resultado apareceu nas urnas: Foz elegeu três deputados estaduais.

Matheus Vermelho teve 51.316 votos no Paraná.

Paulo Mac Donald, 45.276.

Yasmin Hachem, 43.343.

Os três demonstraram modelos distintos de competitividade.

Paulo Mac Donald concentrou quase toda sua força eleitoral em Foz.

Matheus e Yasmin, ao contrário, ampliaram fortemente suas votações para outras regiões.

O ponto comum foi a escala necessária para entrar efetivamente na disputa por uma cadeira.

O DESSERVIÇO É ELEITORAL, NÃO PESSOAL

Na avaliação do IGU News, candidaturas que terminaram abaixo de quatro mil votos e praticamente não conseguiram expansão estadual produziram um desserviço à estratégia coletiva de representação política da cidade.

A expressão deve ser compreendida dentro desse limite.

Não significa julgamento sobre a honra, capacidade profissional ou contribuição social dos candidatos.

Também não significa que suas candidaturas fossem ilegítimas.

O direito de concorrer é constitucional.

A crítica está no resultado político.

Em uma eleição proporcional, uma candidatura que recebe algumas centenas ou poucos milhares de votos pode representar legítima manifestação democrática, mas não necessariamente uma estratégia eficiente para aumentar a representação territorial de Foz.

QUATRO MIL NÃO É REGRA DA JUSTIÇA ELEITORAL

O corte utilizado nesta matéria é exclusivamente editorial.

Não existe na legislação eleitoral uma cláusula que determine quatro mil votos como condição de viabilidade.

Duso, que obteve 4.533 votos para deputado estadual, está fora da crítica.

Darlon Paraná Pop, com 4.460 para federal, também.

Todos aqueles que ultrapassaram quatro mil votos foram retirados do grupo criticado.

O parâmetro serve apenas para identificar, depois da eleição, candidaturas cuja distância para a faixa alcançada pelos eleitos foi extremamente elevada.

NÃO SE PODE SOMAR OS VOTOS E INVENTAR OUTRO ELEITO

Também seria errado afirmar que, sem as candidaturas menores, Foz automaticamente teria elegido outro deputado.

Não funciona assim.

Ninguém sabe qual seria a segunda escolha de cada eleitor.

Além disso, as vagas dependem dos votos de partidos e federações, quociente eleitoral, médias e desempenho individual dos integrantes das listas.

O que se pode afirmar é que maior concentração em candidaturas realmente competitivas tende a fortalecer esses nomes, melhorar posições nas chapas e aumentar inclusive as possibilidades de suplência.

UMA DISCUSSÃO QUE FOZ FAZ HÁ MAIS DE 15 ANOS

O problema não começou em 2026.

Em 2010, a ACIFI já promovia a campanha “Vivo Aqui! Voto em deputado federal daqui”.

A entidade chegou a discutir publicamente a necessidade de candidaturas mais viáveis e a pulverização do eleitorado.

Anos depois, o alerta voltou.

Em 2026, retornou com Codefoz e entidades regionais.

Ou seja, Foz conhece o diagnóstico há muito tempo.

O ELEITOR PRECISA ANALISAR VIABILIDADE

Para 2030, o aprendizado deveria começar antes das convenções.

Quantos votos esse candidato possui potencial de alcançar?

Tem estrutura regional?

Possui apoio fora de Foz?

Está em partido ou federação com possibilidade real de conquistar cadeiras?

Quem são os candidatos fortes de sua lista?

Se ele não vencer, para quem seu voto poderá contribuir no cálculo proporcional?

São perguntas legítimas.

Não impedem candidatura alguma.

Mas ajudam o eleitor a compreender que eleição para deputado é diferente de eleição majoritária.

FOZ NÃO PRECISA NECESSARIAMENTE DE MAIS CANDIDATOS

Precisa de mais candidatos competitivos.

Precisa transformar votos em mandatos.

Precisa disputar posições relevantes nas listas partidárias.

Precisa ampliar a presença regional de seus nomes.

E precisa reduzir a condição de mercado eleitoral para candidatos que chegam de outras regiões, fazem milhares de votos e desaparecem até a próxima eleição.

As urnas de 2026 deram quatro representantes a Foz.

Foi uma vitória.

Mas também mostraram que existe espaço para muito mais eficiência eleitoral.

A sociedade organizada já havia feito o alerta.

Agora os números mostraram o tamanho do problema.

NOTA EDITORIAL E JURÍDICA

Esta matéria é uma análise e opinião editorial do IGU News baseada em resultados públicos das eleições de 2026 e na discussão histórica sobre representação política de Foz do Iguaçu.

O critério de quatro mil votos é exclusivamente editorial e não constitui parâmetro legal de viabilidade eleitoral.

As expressões “trampolim de paraquedistas”, “pulverização” e “desserviço” são juízos editoriais sobre os efeitos políticos da distribuição dos votos e não imputam a qualquer candidato fraude, má-fé, candidatura fictícia, acordo com terceiros ou intenção deliberada de prejudicar o município.

Também não se afirma que a retirada de qualquer candidatura teria produzido automaticamente outra eleição de candidato domiciliado em Foz do Iguaçu.

CONTRADITÓRIO: Todos os candidatos citados têm espaço assegurado no IGU News para corrigir informações, contextualizar resultados ou apresentar manifestação, com tratamento editorial equivalente.

(Da Redação do IGU News)

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