POLICIAIS SÃO PRESOS NA VENEZUELA APÓS ACUSAÇÃO DE FURTO DURANTE OPERAÇÕES DE RESGATE
Agentes investigativos foram expulsos da corporação após denúncias de que teriam se apropriado de dinheiro e objetos encontrados entre os escombros na região de La Guaira; governo promete punição rigorosa.
A tragédia provocada pelos terremotos que devastaram parte da Venezuela ganhou um novo e controverso capítulo nesta quarta-feira (1º). Quatro agentes do Corpo de Pesquisas Científicas, Penais e Criminalísticas (CICPC), principal polícia investigativa do país, foram presos e expulsos da corporação após serem acusados de furtar dinheiro e objetos de valor encontrados durante as operações de busca e resgate realizadas na região de La Guaira, uma das áreas mais atingidas pelos abalos sísmicos.
Segundo comunicado oficial divulgado pelo próprio CICPC, os policiais teriam se aproveitado do acesso às áreas destruídas para recolher bens pertencentes às vítimas, conduta considerada incompatível com a missão da instituição e que, segundo a corporação, compromete sua credibilidade perante a sociedade.
Além da prisão, os quatro agentes foram afastados definitivamente de suas funções e passaram a responder a processos disciplinares e criminais. A corporação afirmou que adotou as medidas imediatamente após a identificação das irregularidades.
O episódio provocou forte repercussão nas redes sociais venezuelanas. Vídeos gravados por moradores mostram pessoas confrontando os policiais acusados. Em uma das gravações, uma mulher aparece chorando enquanto rasga cédulas de dinheiro que, segundo testemunhas, teriam sido encontradas com um dos agentes. Nas imagens, moradores chamam os envolvidos de “vergonha”, demonstrando indignação diante das denúncias.
O ministro do Interior da Venezuela, Diosdado Cabello, classificou a conduta dos agentes como “impúdica, indecente e imoral”. Em mensagem publicada em seu canal oficial, afirmou que o governo será “totalmente intolerante” com qualquer servidor público que utilize sua função para obter vantagens ilícitas, especialmente em meio a uma tragédia humanitária.
Cabello declarou que aqueles que cometerem crimes durante operações de socorro responderão perante a Justiça e enfrentarão punições severas.
A ocorrência acontece enquanto equipes de resgate seguem trabalhando intensamente entre edifícios destruídos e áreas completamente devastadas. Conforme o balanço oficial divulgado pelo governo venezuelano, os terremotos já deixaram mais de 2,2 mil mortos, cerca de 11 mil feridos e quase 13 mil pessoas desalojadas.
Organismos internacionais alertam, entretanto, que a dimensão da tragédia pode ser significativamente maior. Estimativas das Nações Unidas indicam que dezenas de milhares de pessoas ainda possam estar desaparecidas, o que poderá elevar o número final de vítimas à medida que as buscas avancem.
A resposta do governo também vem sendo alvo de críticas por parte de organizações humanitárias. Entidades internacionais afirmam que a estrutura de assistência ainda é insuficiente diante da dimensão dos danos provocados pelos terremotos, enquanto milhares de famílias permanecem sem moradia, água, energia elétrica e acesso adequado a serviços básicos.
O caso envolvendo os policiais investigativos acrescenta um novo elemento de tensão em meio à maior crise humanitária enfrentada pelo país nos últimos anos, reforçando o desafio das autoridades em manter a confiança da população durante as operações de emergência.
(Da Redação do IGU News)




