Manchete 2

ITAÚ E METRÓPOLES TROCAM ACUSAÇÕES APÓS BANCO CRIAR SITE PARA CONTESTAR REPORTAGENS

Instituição financeira envia notificação extrajudicial, lança plataforma própria para rebater reportagens e recebe resposta contundente do portal de notícias, que reafirma as denúncias sobre cobranças indevidas a clientes.

Uma disputa pública entre o Banco Itaú e o portal Metrópoles ganhou novos capítulos nesta quarta-feira (1º). O banco enviou uma notificação extrajudicial questionando reportagens publicadas pelo veículo sobre supostas cobranças indevidas realizadas ao longo de anos contra milhões de clientes. Paralelamente, lançou um site denominado “Factópoles”, criado para contestar as informações divulgadas pelo portal.

Segundo o Metrópoles, o conteúdo da notificação e da nova plataforma busca rebater reportagens que abordam descontos considerados irregulares em contas-correntes e cartões de crédito de clientes do banco. Em resposta, o portal publicou um extenso posicionamento reafirmando integralmente suas reportagens e elevando o tom das críticas contra a instituição financeira.

Na manifestação, o Metrópoles afirma que o nome da plataforma criada pelo banco deveria ser “Falsópoles”, alegando que o conteúdo divulgado pelo Itaú contém “inverdades, meias-verdades e sofismas”. O portal também rejeita a interpretação apresentada pelo banco de que muitos consumidores teriam simplesmente esquecido contratações de seguros e serviços que originaram os descontos questionados.

O veículo sustenta que, até o momento, não recebeu do Itaú nem foram apresentados ao Ministério Público documentos que comprovem, de forma individualizada, a contratação dos serviços cobrados dos consumidores. Para o portal, essa ausência de comprovação reforçaria as suspeitas levantadas pelas reportagens.

Outro ponto de divergência envolve o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre o banco e o Ministério Público de Minas Gerais. O Itaú afirma que o acordo não representa reconhecimento de culpa, enquanto o Metrópoles sustenta que o compromisso de devolver valores aos consumidores configura, na prática, reconhecimento da existência das cobranças indevidas e da responsabilidade pela restituição dos recursos.

O portal também rebate a argumentação do banco sobre as campanhas de comunicação destinadas a localizar consumidores aptos ao ressarcimento. Segundo a publicação, o Itaú teria intensificado a divulgação dessas informações apenas após ser procurado para comentar a reportagem que tratava do conteúdo do acordo firmado com o Ministério Público.

Outro aspecto destacado pelo Metrópoles diz respeito à dimensão financeira do caso. O portal afirma ter apresentado projeções indicando que os descontos, realizados durante aproximadamente 14 anos, poderiam representar valores bilionários. O Itaú contesta essas estimativas, mas o veículo afirma estar disposto a substituí-las por números exatos caso uma auditoria independente tenha acesso aos dados necessários para verificar o montante efetivamente arrecadado e o número de clientes atingidos.

Em seu posicionamento, o portal também argumenta que o número de reclamações registradas nos órgãos de defesa do consumidor não refletiria necessariamente a dimensão do problema, sustentando que muitos clientes podem não ter percebido descontos de pequeno valor ou optado por não buscar reparação judicial em razão do custo do processo.

A controvérsia também alcança a linguagem utilizada nas reportagens. O Itaú questiona expressões como “ludibriar clientes”, “artimanhas” e “esconder cobranças”. Em resposta, o Metrópoles afirma que considera tais expressões compatíveis com os fatos narrados nas reportagens e sustenta que continuará utilizando termos que, segundo sua avaliação, descrevem adequadamente as práticas investigadas.

Ao final da manifestação, o portal reafirma que permanece aberto à divulgação de novos documentos que possam esclarecer os fatos, incluindo eventuais comprovações das contratações dos serviços pelos consumidores, auditorias independentes e informações detalhadas sobre os valores eventualmente cobrados e devolvidos.

O caso evidencia uma escalada na disputa entre uma das maiores instituições financeiras do país e um dos principais portais de notícias brasileiros, envolvendo liberdade de imprensa, direito de resposta, proteção do consumidor e transparência na divulgação de informações de interesse público. Enquanto o banco busca rebater judicial e publicamente as reportagens, o Metrópoles afirma que continuará acompanhando o caso e publicando novas informações sempre que houver fatos relevantes.

Até o momento, o Itaú mantém seu posicionamento de contestação às reportagens e às interpretações apresentadas pelo portal, enquanto o Metrópoles reafirma a veracidade de suas publicações e diz não se intimidar diante das medidas adotadas pela instituição financeira.

(Da Redação do IGU News)

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