Polícia Federal alega insuficiência de efetivo para concluir análise de cerca de 1.700 itens apreendidos. Ministro André Mendonça havia fixado prazo para acelerar as investigações da Operação Sem Desconto.
A Polícia Federal (PF) solicitou ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a ampliação do prazo para concluir a análise do material apreendido durante a Operação Sem Desconto, investigação que apura um suposto esquema de fraudes contra o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Entre os investigados está Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
O pedido foi apresentado após o ministro determinar que a corporação concluísse, em até 60 dias, a avaliação de celulares, computadores, discos rígidos, pen drives e demais equipamentos eletrônicos apreendidos durante as operações. A determinação ocorreu diante da preocupação do relator com a lentidão na condução das investigações.
Em resposta ao STF, a Polícia Federal informou que enfrenta limitações operacionais para cumprir o cronograma inicialmente estabelecido. Segundo a corporação, apenas 11 policiais atuam diretamente na investigação, quando seriam necessários mais de 40 agentes para atender à demanda. O volume de material também é considerado elevado, envolvendo aproximadamente 1.700 itens, dos quais cerca de 40% já teriam sido analisados.
A quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Lulinha foi autorizada pelo ministro André Mendonça ainda em fevereiro, como parte das diligências destinadas a esclarecer eventuais vínculos financeiros entre investigados e empresas sob apuração. Até o momento, a investigação permanece em fase de produção de provas, sem conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade dos envolvidos.
A Polícia Federal também comunicou mudanças na equipe responsável pelo inquérito. O delegado que coordenava os trabalhos precisou retornar à sua unidade de origem, enquanto a investigação foi transferida da Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários para a Coordenação de Inquéritos em Tribunais Superiores, setor especializado em procedimentos envolvendo autoridades com foro privilegiado.
Além da análise dos equipamentos apreendidos, permanecem pendentes outras frentes da investigação, incluindo a possível colaboração premiada do empresário Maurício Camisotti, apontado como um dos beneficiários do esquema investigado. A negociação da delação continua sendo conduzida pela Polícia Federal em conjunto com a Procuradoria-Geral da República.
Outro ponto ainda em andamento é a busca pelo presidente da Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais), Carlos Roberto Ferreira Lopes, considerado foragido após ter prisão preventiva decretada pelo STF. Segundo as investigações, a entidade figura entre as associações que realizaram elevados descontos em benefícios previdenciários entre 2019 e 2024, fatos que seguem sob apuração pelas autoridades competentes.
A Operação Sem Desconto prossegue em fase de investigação, e caberá ao Supremo Tribunal Federal decidir sobre o pedido de prorrogação apresentado pela Polícia Federal para conclusão das diligências e análise integral do material apreendido.
(Da Redação do IGU News)




