MEGAPONTE DA ROTA BIOCEÂNICA UNE BRASIL E PARAGUAI E REFORÇA CORREDOR ESTRATÉGICO PARA O PACÍFICO
Conclusão da ligação estrutural marca nova etapa da integração sul-americana, mas tráfego dependerá da conclusão dos acessos, prevista para 2027.
O Brasil e o Paraguai alcançaram um marco histórico na integração da infraestrutura sul-americana com a conclusão da ligação estrutural da Ponte da Rota Bioceânica, sobre o Rio Paraguai. Conhecido tecnicamente como “beijo das aduelas”, o encontro definitivo entre os dois segmentos da ponte encerra a construção do tabuleiro principal da estrutura, considerada a maior ligação rodoviária internacional entre os dois países.
Apesar da conclusão da estrutura principal, a nova travessia ainda não será aberta ao tráfego. A operação dependerá da finalização das obras de acesso em ambos os lados da fronteira, especialmente no trecho brasileiro da BR-267, cuja conclusão está prevista para o segundo semestre de 2027.
MARCO PARA A INTEGRAÇÃO REGIONAL
Com 1.294 metros de extensão, 20,10 metros de largura e cerca de 37 metros de altura sobre o Rio Paraguai, a nova ponte ligará Porto Murtinho (MS) à cidade paraguaia de Carmelo Peralta.
A estrutura supera em dimensões as outras duas pontes internacionais entre Brasil e Paraguai: a tradicional Ponte Internacional da Amizade, entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Este, com 552 metros, e a Ponte da Integração, entre Foz do Iguaçu e Presidente Franco, inaugurada em 2025, com 760 metros de extensão.
ÚLTIMOS AJUSTES TÉCNICOS
Embora o encontro das duas extremidades represente um dos momentos mais simbólicos da obra, ainda restam etapas importantes antes da entrega definitiva.
Segundo o engenheiro René Gómez, superintendente da construção pelo Consórcio Binacional Paraguai-Brasil (Pybra), será realizada uma revisão topográfica completa, com utilização de sensores instalados na estrutura para verificar o comportamento dos cabos estaiados, realizar ajustes de tensionamento e garantir o perfeito alinhamento da ponte antes da fase final de acabamentos.
Após essa etapa, serão executadas a pavimentação, instalação dos sistemas de segurança, sinalização e demais obras complementares necessárias para a entrada em operação da travessia.
CORREDOR BIOCEÂNICO
A nova ponte integra o chamado Corredor Bioceânico ou Rota de Integração Latino-Americana, projeto concebido para conectar os oceanos Atlântico e Pacífico por meio de uma extensa malha rodoviária que atravessará Brasil, Paraguai, Argentina e Chile.
O corredor deverá possuir aproximadamente 3.500 quilômetros de extensão, ligando os portos brasileiros de Santos (SP) e Paranaguá (PR) aos portos chilenos de Antofagasta, Mejillones, Tocopilla e Iquique, criando uma alternativa logística para o comércio internacional, especialmente com os mercados asiáticos.
Segundo estudos do então Ministério da Infraestrutura, a nova rota poderá reduzir em cerca de 9.700 quilômetros a distância marítima das exportações brasileiras destinadas à Ásia, eliminando a necessidade de utilização do Canal do Panamá e reduzindo em aproximadamente 12 dias o tempo de navegação em viagens para a China.
INVESTIMENTOS
A Ponte da Rota Bioceânica recebeu investimentos próximos de R$ 500 milhões, financiados pela Itaipu Binacional. A execução ficou a cargo do Consórcio Pybra, formado pelas empresas Tecnoedil, Cidade e Paulitec Construções.
Na construção foram empregados cerca de 60 mil metros cúbicos de concreto, além de 302 estacas de fundação, 29 pilares, 176 vigas pré-fabricadas e um trecho estaiado de 632 metros, cujo vão principal alcança 350 metros. A estrutura também contará com acostamentos amplos, ciclovia e calçadas destinadas à circulação de pedestres.
OBRAS DE ACESSO
O principal desafio para a inauguração permanece nas ligações rodoviárias.
No Brasil, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) executa um novo trecho de 13,1 quilômetros da BR-267, investimento estimado em R$ 472 milhões. Até o momento, mais de 10 quilômetros de terraplenagem já foram executados, além da maior parte das galerias, bueiros e passagens de fauna. Também estão em construção um viaduto, uma ponte sobre o Rio Amonguijá e cinco pontes de vazantes.
Do lado paraguaio, a conexão entre a ponte e a Rota PY15 encontra-se em estágio avançado, com aproximadamente 3,8 quilômetros de pavimentação praticamente concluídos.
EXPECTATIVA ECONÔMICA
Além de reduzir custos logísticos para exportadores brasileiros, paraguaios, argentinos e chilenos, a Rota Bioceânica deverá impulsionar o turismo, ampliar o fluxo comercial entre os países do Mercosul e estimular investimentos em regiões historicamente menos desenvolvidas, como o Chaco paraguaio e o sudoeste de Mato Grosso do Sul.
Especialistas também apontam potencial para fortalecimento das cadeias produtivas ligadas ao agronegócio, mineração, indústria e comércio exterior, consolidando um novo eixo estratégico de integração continental.
UM PROJETO DE MAIS DE DUAS DÉCADAS
A Rota Bioceânica começou a ser discutida ainda no início dos anos 2000, dentro dos projetos de integração física da América do Sul. Em 2015, Brasil, Paraguai, Argentina e Chile formalizaram a chamada Carta de Assunção, estabelecendo as bases para a implantação do corredor internacional.
A construção da ponte representa um dos principais marcos dessa iniciativa e aproxima a conclusão de um projeto considerado estratégico para ampliar a competitividade logística da América do Sul no comércio global.
(Da Redação do IGU News)




