PF APREENDE NO PARAGUAI AVIÃO DE DANIEL VORCARO AVALIADO EM R$ 120 MILHÕES
Jato ligado ao ex-controlador do Banco Master foi localizado em Assunção e levado para Brasília. Segundo informações divulgadas pela Polícia Federal e pela Folha de S.Paulo, aeronave realizou ao menos 16 voos internacionais desde a nova prisão do empresário, tendo a capital paraguaia como origem ou destino.
IGU NEWS | BRASIL – PARAGUAI | 16 DE AGOSTO DE 2026
A Polícia Federal apreendeu no Paraguai um jato executivo pertencente à estrutura patrimonial ligada ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A aeronave, avaliada em aproximadamente R$ 120 milhões, foi localizada em Assunção e transferida neste domingo (16) para Brasília.
A apreensão ocorreu no sábado (15), segundo as informações divulgadas. O episódio acrescenta um componente internacional às investigações relacionadas ao empresário e chama atenção especialmente na região de fronteira, diante da utilização recorrente da capital paraguaia nas operações recentes da aeronave.
JATO FOI LOCALIZADO EM ASSUNÇÃO
O avião tem prefixo PR-PSE e, segundo a reportagem da Folha de S.Paulo, está registrado em nome da Viking, holding patrimonial vinculada a Vorcaro.
Trata-se de um Gulfstream GV-SP, fabricado em 2010, apontado como a aeronave de maior valor da frota da holding, formada por três aviões.
Vorcaro teria adquirido o jato em junho de 2023 por aproximadamente R$ 120 milhões.
Após sua localização em território paraguaio, a aeronave foi levada ao Brasil. Conforme informado pela Polícia Federal, deverá passar por inspeção e pelos procedimentos decorrentes das determinações judiciais existentes.
O destino definitivo do bem dependerá de decisão judicial, podendo envolver sua manutenção sob apreensão, eventual alienação antecipada ou outra destinação juridicamente autorizada.
16 VOOS INTERNACIONAIS APÓS A PRISÃO
Um dos aspectos que mais chama atenção é a movimentação internacional atribuída ao avião.
Segundo levantamento publicado pela Folha, foram registrados ao menos 16 voos internacionais desde a segunda prisão de Vorcaro, ocorrida em 4 de março de 2026.
Nesse período, a aeronave teria circulado por diferentes pontos da América do Sul, Europa, Estados Unidos e Oriente Médio.
Entre os destinos mencionados estão Nova York, Mônaco e Dubai.
Há, porém, uma característica especialmente relevante para o Paraguai: de acordo com os dados de localização citados pela reportagem, Assunção aparecia sempre como origem ou destino dessas operações.
O avião não teria passado pelo Brasil nesse período.
Não existem, nas informações públicas apresentadas até agora, registros identificando quem eram os passageiros desses deslocamentos. A defesa de Vorcaro, segundo a publicação, também não explicou a finalidade dos voos.
Essa ausência de informações, por si só, não permite atribuir ilicitude aos deslocamentos nem às pessoas que eventualmente utilizaram a aeronave.
AVIÃO POSSUI ORDENS JUDICIAIS DE BLOQUEIO
Outro elemento relevante é a situação registral do jato.
Conforme as informações publicadas, a matrícula da aeronave possui duas ordens judiciais de bloqueio, circunstância que impede sua venda ou transferência.
Também não haveria informação no Registro Aeronáutico Brasileiro indicando que o avião estivesse formalmente sublocado.
A apreensão física da aeronave representa, portanto, medida diferente do simples bloqueio registral: o bem foi localizado fora do território brasileiro, apreendido e posteriormente transportado para Brasília, onde ficará sujeito às determinações do Poder Judiciário.
PARAGUAI GANHA DESTAQUE NO CASO
A localização em Assunção adquire relevância adicional porque a capital paraguaia não aparece apenas como o lugar onde o avião foi finalmente encontrado.
Ela teria funcionado como ponto recorrente da movimentação internacional do jato durante os últimos meses.
Para a região da Tríplice Fronteira e para o público paraguaio e brasileiro que acompanha o caso, essa circunstância aumenta o interesse sobre uma questão que ainda deverá ser esclarecida pelas investigações: por que Assunção se tornou a base recorrente das operações internacionais dessa aeronave?
A resposta dependerá da análise documental, operacional e eventualmente financeira realizada pelas autoridades competentes.
Também será necessário estabelecer quem efetivamente utilizou o avião, quem autorizou os voos, quem custeou as operações e qual era a finalidade dos deslocamentos.
Até que essas informações sejam oficialmente demonstradas, qualquer conclusão sobre eventual irregularidade relacionada aos voos seria prematura.
APREENSÃO ABRE NOVA FRENTE DE APURAÇÃO
A aeronave agora em poder das autoridades poderá representar uma fonte adicional de elementos para as investigações.
Registros operacionais, documentação de voo, informações de manutenção e outros dados eventualmente existentes poderão ser examinados dentro dos limites das autorizações judiciais aplicáveis.
A apreensão, entretanto, não significa automaticamente que os 16 voos mencionados tenham sido ilegais, nem autoriza atribuir responsabilidade criminal a passageiros, operadores ou terceiros sem elementos probatórios específicos.
O ponto objetivamente relevante, neste momento, é outro: um patrimônio de elevado valor vinculado ao ex-banqueiro, que continuou realizando viagens internacionais depois de sua prisão e cuja movimentação tinha Assunção como ponto recorrente, foi localizado no Paraguai e colocado sob custódia das autoridades brasileiras.
A partir de agora, caberá à investigação e ao Poder Judiciário esclarecer o contexto dessa movimentação e determinar o destino do avião.
Fonte principal: informações divulgadas pela Polícia Federal e reportagem da Folha de S.Paulo, de 16 de agosto de 2026.
(Da Redação do IGU News)




