PL, PP E REPUBLICANOS GOVERNARÃO 64% DOS BRASILEIROS NOS ESTADOS E IMPÕEM NOVO DESAFIO INSTITUCIONAL A LULA
Resultado das eleições de 2026 coloca aproximadamente 138 milhões de habitantes sob administrações estaduais e distrital de três partidos com forte presença no campo da direita. Republicanos assume governos de São Paulo e Minas Gerais, PL reúne seis estados e PT comandará quatro. Apesar da reeleição presidencial, Lula terá de negociar com um mapa político regional diversificado.
A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), confirmada neste domingo, 25 de outubro de 2026, ocorreu simultaneamente à formação de um novo mapa político estadual, no qual Partido Liberal (PL), Progressistas (PP) e Republicanos reunirão governos responsáveis pela administração de territórios onde vivem aproximadamente 138 milhões de brasileiros, equivalentes a cerca de 64% da população nacional.
Os três partidos comandarão, a partir de 2027, 13 estados e o Distrito Federal, abrangendo algumas das regiões mais populosas e economicamente relevantes do país.
O resultado estabelece um cenário de convivência institucional entre um presidente filiado ao PT e um conjunto expressivo de governadores pertencentes a legendas frequentemente associadas à direita e ao centro-direita.
Essa configuração, entretanto, não representa alinhamento automático de todos esses governadores à oposição presidencial. As alianças eleitorais variam entre os estados, e integrantes de uma mesma legenda apoiaram candidaturas presidenciais diferentes.
O novo mapa foi definido após o segundo turno realizado em seis unidades da Federação, encerrando o processo de escolha dos governadores para o período de 2027 a 2030.
REPUBLICANOS GOVERNARÁ ESTADOS QUE CONCENTRAM 75,7 MILHÕES DE HABITANTES
O Republicanos terá quatro governadores e administrará estados que, somados, concentram aproximadamente 75,7 milhões de habitantes.
A legenda será responsável pelos governos de São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso e Espírito Santo.
Em São Paulo, Tarcísio de Freitas conquistou a reeleição no primeiro turno, enquanto Cleitinho Azevedo venceu a disputa pelo governo de Minas Gerais.
No Mato Grosso, Otaviano Pivetta foi eleito também na primeira votação.
A quarta vitória veio no segundo turno, com Lorenzo Pazolini, eleito governador do Espírito Santo.
A presença do Republicanos em São Paulo e Minas Gerais possui importância administrativa e econômica particular. Os dois estados concentram parcela expressiva da população brasileira, da produção industrial, da arrecadação tributária e da infraestrutura nacional.
A atuação desses governos envolverá decisões relacionadas a segurança pública, educação, saúde, logística, investimentos e desenvolvimento regional.
O peso demográfico dessas administrações também amplia a relevância das negociações federativas com o governo federal, especialmente em políticas que dependem de cooperação institucional e financiamento compartilhado.
PL TERÁ SEIS GOVERNADORES E ADMINISTRARÁ ESTADOS COM 51,2 MILHÕES DE MORADORES
O Partido Liberal contará com seis governadores, distribuídos pelas regiões Sul, Sudeste e Norte.
A legenda comandará Rio de Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rondônia e Roraima, reunindo aproximadamente 51,2 milhões de habitantes.
Entre os eleitos estão Sergio Moro, no Paraná; Jorginho Mello, em Santa Catarina; e Luciano Zucco, no Rio Grande do Sul.
O partido também elegeu Marcos Rogério, em Rondônia, e Arthur Henrique, em Roraima.
No Rio de Janeiro, Douglas Ruas teve sua eleição confirmada após procedimento de retotalização relacionado à anulação de votos atribuídos a outra candidatura.
Com esses resultados, o PL terá governadores em todos os três estados da Região Sul.
A presença partidária nessa região é relevante para políticas de infraestrutura, agricultura, indústria, comércio exterior e integração logística.
O Paraná, por sua condição de fronteira internacional, possui demandas particulares relacionadas à circulação de mercadorias, segurança, turismo e serviços públicos.
A eleição de Moro também acrescenta um elemento político ao cenário estadual, considerando sua trajetória anterior como magistrado federal, ministro da Justiça e senador.
O conjunto de governos do PL amplia sua participação na administração pública estadual, embora o exercício desses mandatos permaneça sujeito às competências constitucionais e à necessidade de cooperação com a União.
PP AMPLIA PRESENÇA COM QUATRO GOVERNOS
O Progressistas também terá quatro chefes de Executivo estaduais ou distrital.
A legenda comandará Mato Grosso do Sul, Paraíba, Acre e Distrito Federal.
No Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel conquistou a reeleição.
Na Paraíba, Lucas Ribeiro também confirmou sua permanência no governo.
O segundo turno acrescentou duas vitórias: Mailza Assis, no Acre, e Celina Leão, no Distrito Federal.
O resultado amplia a distribuição territorial do PP, que terá governos em diferentes regiões do país.
A presença do partido também demonstra a necessidade de distinguir filiação partidária de posicionamento presidencial.
Na Paraíba, por exemplo, Lucas Ribeiro integrou o campo de governadores que apoiaram Lula durante a eleição.
Já outras lideranças do PP mantiveram relações políticas distintas, conforme as alianças estaduais e nacionais estabelecidas durante a campanha.
Portanto, a soma das populações administradas pelo PP não pode ser interpretada integralmente como contingente político contrário ao presidente reeleito.
PT GOVERNARÁ QUATRO ESTADOS COM APROXIMADAMENTE 31 MILHÕES DE HABITANTES
O Partido dos Trabalhadores terá quatro governos estaduais a partir de 2027, com população conjunta estimada em aproximadamente 31 milhões de pessoas.
A legenda conquistou vitórias na Bahia, Ceará, Piauí e Rio Grande do Norte.
Na Bahia, Jerônimo Rodrigues foi reeleito para mais um mandato.
No Ceará, Elmano de Freitas também assegurou sua continuidade no governo.
No Piauí, Rafael Fonteles confirmou a reeleição ainda no primeiro turno.
O quarto governo foi conquistado no domingo decisivo, quando Cadu de Lula, nome eleitoral de Carlos Eduardo Xavier, venceu a disputa no Rio Grande do Norte.
O candidato petista recebeu 1.073.024 votos, equivalentes a 50,77% dos válidos, diante de 1.040.399 votos, ou 49,23%, obtidos por Allyson Bezerra.
A vitória no Rio Grande do Norte ampliou de três para quatro o número de governos conquistados diretamente pelo PT.
A distribuição geográfica dessas administrações demonstra uma concentração da legenda no Nordeste, região na qual o partido mantém presença relevante em governos estaduais e estruturas políticas regionais.
ALIADOS DE LULA TAMBÉM CONQUISTARAM GOVERNOS FORA DO PT
A configuração política não se limita aos governadores filiados ao partido do presidente.
Além dos quatro estados administrados diretamente pelo PT, outros três governadores eleitos foram identificados entre os apoiadores de Lula durante a campanha presidencial.
São eles Lucas Ribeiro (PP), na Paraíba; Fábio Mitidieri (PSD), em Sergipe; e Omar Aziz (PSD), no Amazonas.
Aziz conquistou o governo amazonense no segundo turno, derrotando a candidatura de Maria do Carmo Seffair, do PL.
Com isso, o grupo de governadores que apoiou publicamente Lula reúne sete estados, conforme os alinhamentos registrados durante a disputa presidencial.
É importante observar que o apoio eleitoral não estabelece obrigação jurídica de sustentação irrestrita ao governo federal.
Da mesma maneira, diferenças partidárias não impedem cooperação entre administrações estaduais e a Presidência da República.
CANDIDATOS QUE APOIARAM FLÁVIO VENCERAM EM 15 ESTADOS E NO DISTRITO FEDERAL
No campo das alianças presidenciais, governadores que apoiaram Flávio Bolsonaro (PL) foram eleitos em 15 estados e no Distrito Federal.
Esse conjunto inclui administrações filiadas ao PL, Republicanos, PP e a outras legendas.
Entre os governadores identificados nesse grupo estão Tarcísio de Freitas, Cleitinho Azevedo, Sergio Moro, Luciano Zucco, Jorginho Mello e Eduardo Riedel.
Também integram a relação Daniel Vilela (MDB), em Goiás, e Dr. Daniel (Podemos), no Pará.
No segundo turno, Mailza Assis, Celina Leão, Lorenzo Pazolini e Vicentinho Júnior ampliaram o grupo de governadores eleitos que haviam manifestado apoio ao candidato do PL.
A relação entre apoio presidencial e governo estadual, entretanto, precisa ser analisada a partir de declarações e acordos políticos efetivamente registrados, não apenas pela filiação partidária.
O número de governadores politicamente associados a uma candidatura também não representa, por si só, uma medida do apoio popular recebido por ela em cada estado.
QUATRO GOVERNADORES ELEITOS ADOTARAM POSIÇÃO DE NEUTRALIDADE PRESIDENCIAL
Outros quatro governadores eleitos foram identificados como neutros na disputa presidencial.
São eles Raquel Lyra (PSD), em Pernambuco; Eduardo Braide (PSD), no Maranhão; Dr. Furlan (PSD), no Amapá; e JHC (PSDB), em Alagoas.
A posição adotada durante a campanha demonstra que o sistema partidário brasileiro não pode ser dividido exclusivamente entre integrantes formais das duas candidaturas presidenciais.
Governadores podem manter projetos administrativos próprios, compor alianças estaduais distintas das nacionais e negociar com diferentes forças políticas conforme as necessidades de suas administrações.
Essa característica é especialmente relevante no federalismo brasileiro, em que a distribuição constitucional de competências impõe relações permanentes entre governos estaduais, municípios e União.
PSD TERÁ CINCO GOVERNADORES E PRESENÇA EM DIFERENTES ALINHAMENTOS
O Partido Social Democrático (PSD) terá cinco governadores: Omar Aziz, no Amazonas; Raquel Lyra, em Pernambuco; Eduardo Braide, no Maranhão; Dr. Furlan, no Amapá; e Fábio Mitidieri, em Sergipe.
A legenda apresenta uma composição politicamente diversificada, com governadores que adotaram posições diferentes na disputa presidencial.
Essa característica reforça a importância de observar negociações institucionais concretas, em vez de presumir unidade automática de atuação.
O PSD terá participação relevante nas relações federativas, especialmente em pautas que envolvem investimentos públicos, infraestrutura, saúde, educação e desenvolvimento regional.
MAPA DOS GOVERNADORES ELEITOS EM 2026
A distribuição partidária dos 27 governos estaduais e distrital definidos nas eleições de 2026 ficou assim:
| Partido | Governos | Unidades da Federação |
|---|---|---|
| PL | 6 | RJ, PR, SC, RS, RO, RR |
| PSD | 5 | AM, AP, MA, PE, SE |
| Republicanos | 4 | SP, MG, MT, ES |
| PP | 4 | MS, PB, AC, DF |
| PT | 4 | BA, CE, PI, RN |
| PSDB | 2 | AL, TO |
| MDB | 1 | GO |
| Podemos | 1 | PA |
| TOTAL | 27 | 26 estados e DF |
O quadro considera a filiação partidária dos governadores eleitos, independentemente de seus posicionamentos na disputa presidencial.
POPULAÇÃO ADMINISTRADA NÃO SE CONFUNDE COM QUANTIDADE DE ELEITORES
A concentração de aproximadamente 138 milhões de habitantes em unidades administradas por PL, PP e Republicanos representa um indicador demográfico, não um resultado de votação.
O Brasil possui população estimada em aproximadamente 214,2 milhões de habitantes em 2026, conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Ao relacionar os cerca de 138 milhões de residentes ao total nacional, obtém-se uma participação aproximada de 64,4%.
Esse percentual inclui crianças, adolescentes, pessoas que não votaram e habitantes que apoiaram candidaturas distintas das vencedoras em seus estados.
Portanto, não significa que 64% dos brasileiros tenham votado nesses partidos ou apoiem necessariamente determinada orientação política.
A diferença entre população administrada e preferência eleitoral é indispensável para interpretar corretamente o alcance dos resultados.
GOVERNADORES TERÃO PAPEL RELEVANTE NAS RELAÇÕES FEDERATIVAS
A concentração demográfica das administrações estaduais possui consequências institucionais importantes.
Os governadores são responsáveis por políticas públicas de grande impacto sobre a população, especialmente nas áreas de segurança, educação, saúde, transporte e infraestrutura.
Também participam de negociações com o governo federal para obtenção de recursos, execução de obras, programas sociais e investimentos públicos.
Projetos estruturantes frequentemente dependem da participação simultânea da União, dos estados e dos municípios.
Essa necessidade de cooperação permanece independentemente das diferenças partidárias entre seus dirigentes.
A Constituição Federal estabelece competências próprias para cada ente federativo e prevê mecanismos de atuação compartilhada.
Assim, a eleição de governadores vinculados a partidos diferentes daquele do presidente não constitui impedimento jurídico à execução de programas federais ou ao estabelecimento de convênios.
LULA INICIARÁ NOVO MANDATO DIANTE DE MAPA ESTADUAL PLURAL
A reeleição presidencial e o resultado dos governos estaduais produziram duas configurações institucionais distintas.
No plano federal, Lula recebeu a maioria dos votos válidos no segundo turno e assegurou novo mandato à frente da Presidência da República.
Nos estados, o eleitorado escolheu governadores distribuídos por oito legendas, com diferentes orientações e compromissos partidários.
PL, PP e Republicanos comandarão unidades federativas que concentram a maior parte da população brasileira.
O PT terá quatro governos estaduais, enquanto outros partidos ocuparão posições relevantes na organização administrativa e política do país.
Esse cenário exigirá negociações permanentes em matérias que dependem de cooperação federativa.
Questões relacionadas à segurança pública, ao equilíbrio fiscal, à infraestrutura, à educação e à saúde ultrapassam os limites de uma única esfera de governo e demandam decisões coordenadas.
ELEIÇÕES RECONFIGURAM O EQUILÍBRIO POLÍTICO DOS ESTADOS
Os resultados de 2026 demonstram que a escolha presidencial e as eleições estaduais obedeceram a dinâmicas próprias.
A vitória de Lula para a Presidência coexistiu com a eleição de governadores de partidos associados a diferentes campos políticos.
Essa combinação não representa contradição eleitoral, mas consequência do sistema federativo e da liberdade dos eleitores para escolher candidaturas distintas nos diversos cargos em disputa.
O novo mapa também evidencia a diversidade regional do país.
Enquanto o PT concentra seus governos no Nordeste, o PL terá presença nos três estados do Sul e em unidades do Norte e Sudeste.
O Republicanos administrará dois dos maiores colégios eleitorais brasileiros, além de Mato Grosso e Espírito Santo.
O PP estará presente em quatro unidades distribuídas pelo Centro-Oeste, Nordeste, Norte e Distrito Federal.
A partir de 2027, essas administrações exercerão suas atribuições conforme a Constituição, as leis e os programas de governo submetidos ao eleitorado.
O resultado estabelece um quadro no qual a Presidência da República e os governos estaduais terão diferentes composições partidárias, mas permanecerão vinculados às mesmas responsabilidades constitucionais de administração pública e cooperação federativa.
O desafio institucional será transformar essa distribuição de competências em políticas públicas executáveis, com observância da autonomia dos estados, dos limites legais e das necessidades da população.
(Da Redação do IGU News)
NOTA EDITORIAL — CRITÉRIOS DE APURAÇÃO
A matéria considera os resultados eleitorais definidos em 25 de outubro de 2026, as filiações partidárias dos governadores eleitos e as estimativas demográficas do IBGE.
A classificação de governadores como apoiadores de Lula, de Flávio Bolsonaro ou politicamente neutros corresponde aos alinhamentos divulgados durante a campanha, não constituindo avaliação jurídica de obrigações partidárias futuras.
A participação populacional de PL, PP e Republicanos é estimativa demográfica arredondada. O Distrito Federal foi contabilizado como unidade da Federação, sem ser denominado estado.
As relações entre governos estaduais e União são analisadas segundo suas competências constitucionais, sem presumir conflito, cooperação ou comportamento futuro de qualquer autoridade.




