TRUMP ACUSA ONU DE IMPOR AGENDA DE EXTREMA-ESQUERDA, AMEAÇA IRÃ E ADMITE USO DE FORÇA NAS AMÉRICAS
Em discurso na Assembleia Geral, presidente americano citou a Venezuela como demonstração do poder dos EUA, comparou cartéis ao Estado Islâmico, pressionou México e Cuba e disse ter uma “grande decisão” sobre Teerã
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, utilizou seu discurso na 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta terça-feira (22), em Nova York, para apresentar uma política externa marcada por ameaças militares, críticas às instituições internacionais e pela reafirmação da influência americana sobre a América Latina.
Durante aproximadamente 37 minutos, Trump acusou a ONU de tentar impor uma “agenda de extrema-esquerda”, ameaçou o Irã com a possibilidade de aniquilação, citou a operação militar realizada na Venezuela como advertência a outros países e afirmou que poderá utilizar o poderio das Forças Armadas dos Estados Unidos em qualquer parte do Hemisfério Ocidental.
Embora não tenha citado diretamente o Brasil, o republicano adotou uma linguagem abrangente ao falar sobre as Américas e deixou claro que Washington pretende intensificar suas ações contra organizações e governos considerados ameaças aos interesses americanos.
AMEAÇA DE FORÇA MILITAR NAS AMÉRICAS
O trecho de maior impacto regional ocorreu quando Trump afirmou que os Estados Unidos não permitirão mais que ameaças ao país se estabeleçam em nenhuma parte do Hemisfério Ocidental.
O presidente declarou que, se considerar necessário, poderá empregar o “poderio militar incomparável” dos Estados Unidos para proteger os interesses nacionais americanos.
A manifestação representa uma advertência dirigida a toda a região, embora Trump não tenha anunciado uma nova operação nem identificado um alvo militar imediato.
Ao apresentar sua doutrina para as Américas, o republicano sustentou que governos anteriores permitiram o avanço de cartéis, organizações criminosas, migração descontrolada e interesses de potências estrangeiras na região.
VENEZUELA É APRESENTADA COMO AVISO
Trump apontou a Venezuela como a principal demonstração de que o governo americano está disposto a agir militarmente no continente.
Ele relembrou a operação realizada em janeiro, quando forças dos Estados Unidos entraram em Caracas, avançaram sobre uma instalação militar e capturaram Nicolás Maduro. O líder venezuelano foi levado aos Estados Unidos para responder a acusações apresentadas pela Justiça americana.
Segundo Trump, a operação mostrou que equipamentos militares e estruturas defensivas não seriam suficientes para impedir uma intervenção dos Estados Unidos.
O presidente também afirmou que centenas de presos políticos foram libertados depois da queda de Maduro e que Washington passou a trabalhar com a atual liderança venezuelana em temas como petróleo, recuperação econômica e reorganização do país.
Ao mencionar o episódio, Trump apresentou a Venezuela não apenas como uma vitória de seu governo, mas como advertência aos demais países do continente.
CARTÉIS SÃO COMPARADOS AO ESTADO ISLÂMICO
Trump classificou os cartéis de drogas como o “Estado Islâmico do Hemisfério Ocidental” e afirmou que essas organizações estão em guerra contra a civilização.
O presidente defendeu que integrantes dos cartéis sejam mortos, expulsos ou tratados como combatentes inimigos, sem possibilidade de libertação. Também destacou que seu governo passou a classificar organizações criminosas como grupos terroristas.
A declaração amplia a justificativa política utilizada pelos Estados Unidos para ações militares, ataques contra embarcações suspeitas e operações de segurança realizadas no Caribe e no Pacífico.
Trump participa ainda de articulações com países integrantes da chamada coalizão Escudo das Américas, criada para ampliar a cooperação contra cartéis e organizações transnacionais. Argentina, Equador, El Salvador, Colômbia e Peru estão entre os participantes. Brasil e México não integram o grupo.
MÉXICO É PRESSIONADO A RETOMAR TERRITÓRIOS
O presidente americano classificou o México como o epicentro da violência promovida pelos cartéis e afirmou ser inaceitável que os Estados Unidos compartilhem uma fronteira de aproximadamente 3,2 mil quilômetros com áreas controladas por organizações criminosas.
Trump declarou que o governo mexicano precisa recuperar o controle de seu território. Apesar da advertência, não anunciou uma operação específica contra o México.
A fala aumenta a pressão sobre as autoridades mexicanas e reforça a possibilidade de novas ações unilaterais americanas sob o argumento de combate ao narcotráfico.
TRUMP PREVÊ QUEDA DO REGIME CUBANO
Cuba também foi alvo do discurso. Trump classificou o país como um Estado fracassado e afirmou que o regime comunista enfrenta a maior pressão de sua história.
Segundo ele, o secretário de Estado, Marco Rubio, está diretamente envolvido em negociações com representantes cubanos. O presidente afirmou que o comunismo não chegará aos Estados Unidos e previu que a liberdade chegará a Cuba.
Trump também acusou o governo cubano de manter vínculos com organizações comunistas, grupos de esquerda e movimentos considerados subversivos dentro dos Estados Unidos.
Integrantes da delegação cubana deixaram o plenário durante as críticas.
BRASIL NÃO FOI CITADO, MAS ALERTA É REGIONAL
Trump não mencionou nominalmente o Brasil nem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o discurso.
A ausência de uma referência direta, entretanto, não retira o alcance regional de sua declaração. Ao falar em eventual uso de força em qualquer parte do Hemisfério Ocidental, o presidente estabeleceu uma formulação ampla, aplicável, em tese, a toda a América Latina.
A manifestação não representa uma ameaça militar específica contra o Brasil. Ainda assim, sinaliza que Washington pretende tratar questões relacionadas ao narcotráfico, à presença de adversários estrangeiros e à atuação de governos da região como temas de segurança nacional americana.
“GRANDE DECISÃO” SOBRE O IRÃ
Fora do continente americano, a declaração mais grave foi dirigida ao Irã.
Trump afirmou ter uma “grande decisão” a tomar: permitir que o país persa reconstrua sua economia por meio de um acordo ou “aniquilar a República Islâmica” rapidamente.
O presidente disse acreditar que Washington e Teerã poderão chegar a um entendimento depois das eleições legislativas americanas de novembro. Segundo ele, o governo iraniano estaria aguardando o resultado eleitoral antes de definir sua posição.
Trump justificou a campanha militar contra o Irã alegando que Teerã recebeu oportunidades para negociar, mas continuou representando uma ameaça nuclear.
A declaração não equivale ao anúncio formal de uma nova ofensiva, mas representa uma ameaça explícita de escalada caso não seja alcançado um acordo.
ATAQUES À ONU E AO TRIBUNAL PENAL INTERNACIONAL
Trump reconheceu que as Nações Unidas possuem potencial, mas acusou a organização de impor políticas elaboradas por burocratas globalistas que não foram eleitos.
O presidente criticou propostas de tributação internacional, regulações ambientais e tentativas de criação de mecanismos globais de controle. Também afirmou que não aceitará a instituição de impostos mundiais enquanto estiver na Casa Branca.
O Tribunal Penal Internacional foi outro alvo. Trump classificou a instituição como descontrolada e afirmou que não permitirá que militares ou autoridades americanas sejam investigados ou submetidos a julgamentos perante a Corte.
UCRÂNIA, GROENLÂNDIA, CRISTÃOS E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL
Ao tratar da guerra entre Rússia e Ucrânia, Trump disse que seu governo continua trabalhando para encerrar o conflito e mencionou novos poderes tarifários que poderão ser empregados para pressionar as partes.
Sobre a Groenlândia, anunciou um acordo com o Reino da Dinamarca que, segundo ele, dará aos Estados Unidos controle permanente sobre questões de segurança no território e permitirá ampliar a presença militar americana no Ártico.
Trump também acusou organismos internacionais de ignorarem a perseguição a cristãos em diferentes países e criticou políticas migratórias que, na avaliação dele, permitiriam a entrada de criminosos nos Estados Unidos.
Em relação à Inteligência Artificial, rejeitou tentativas de regulamentação internacional e afirmou que seu governo passará a utilizar a expressão “superinteligência”. Para o presidente, o desenvolvimento dessa tecnologia poderá superar os efeitos econômicos da Revolução Industrial.
DISCURSO REFORÇA DOUTRINA DE PODER AMERICANO
A manifestação de Trump reafirmou uma política externa baseada na superioridade militar, no combate ao globalismo e na defesa de uma zona de influência americana sobre o Hemisfério Ocidental.
As referências à Venezuela, ao México e a Cuba mostraram que a América Latina voltou a ocupar posição central na estratégia de segurança dos Estados Unidos.
Ao mesmo tempo, as ameaças ao Irã elevaram a tensão internacional e indicaram que o governo americano pretende combinar negociações diplomáticas com a possibilidade declarada de novas ações militares.
O discurso não apresentou ordens imediatas para operações adicionais. Contudo, estabeleceu uma advertência inequívoca: sob Trump, os Estados Unidos estão dispostos a agir unilateralmente quando considerarem ameaçados seus interesses estratégicos.
(Da Redação do IGU News)



