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QUEM RECEBE OS MAIORES SALÁRIOS NOS PARTIDOS POLÍTICOS? LEVANTAMENTO APONTA DIRIGENTES DO PL, PRD E PODEMOS NO TOPO DA LISTA

Dados das prestações de contas de 2025 entregues ao Tribunal Superior Eleitoral mostram que dirigentes de partidos políticos receberam remunerações médias superiores a R$ 30 mil mensais. Recursos utilizados têm origem, em grande parte, no Fundo Partidário, abastecido com verbas públicas.

A divulgação das prestações de contas anuais dos partidos políticos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) revelou quais dirigentes partidários receberam as maiores remunerações médias ao longo de 2025. O levantamento, elaborado a partir das despesas declaradas pelas próprias legendas, indica que integrantes da cúpula do Partido Liberal (PL), do Partido Renovação Democrática (PRD) e do Podemos concentram os maiores rendimentos registrados no período.

Segundo os dados encaminhados ao TSE, o Partido Liberal ocupa a maior parte das primeiras posições do ranking. Entre os nomes que aparecem com remuneração média mais elevada estão o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, o ex-presidente Jair Bolsonaro, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, além de outros integrantes da direção nacional do partido.

O levantamento considera pagamentos classificados tanto como salários quanto como despesas com “serviços técnico-profissionais” realizados de forma recorrente durante o ano. Em diversos casos, esses pagamentos mensais funcionam, na prática, como remuneração permanente dos dirigentes partidários.

Entre os maiores valores médios registrados em 2025, Valdemar Costa Neto, José Tadeu Candelária, Michelle Bolsonaro e Luiz Henrique Sampaio Guimarães aparecem com rendimento médio aproximado de R$ 33,7 mil mensais. Jair Bolsonaro figura logo em seguida, com média próxima de R$ 32,7 mil por mês.

O levantamento também mostra a presença de dirigentes do Partido Renovação Democrática (PRD) entre os maiores rendimentos. Ovasco Resende e Marcos Vinícius Ferreira, conhecido como “Neskau”, receberam remuneração média próxima de R$ 31 mil mensais durante o exercício financeiro de 2025.

Outro destaque é o dirigente João Francisco Aprá, do diretório paulista do PSD, cuja remuneração média ficou em torno de R$ 29,9 mil mensais, sendo o único integrante do grupo de maiores remunerações vinculado diretamente a um diretório estadual.

O Podemos também aparece entre os partidos com dirigentes mais bem remunerados. A presidente nacional da legenda, deputada federal Renata Abreu, bem como Thiago Milhim e o vice-presidente Pastor Everaldo, registraram remuneração média aproximada de R$ 26,8 mil por mês, conforme as prestações de contas encaminhadas ao TSE.

Especialistas em direito eleitoral observam que a legislação brasileira não estabelece teto específico para remuneração de dirigentes partidários. Entretanto, a folha de pagamento das legendas deve respeitar limites previstos na legislação quanto à utilização dos recursos do Fundo Partidário. Além disso, muitos partidos optam por remunerar dirigentes mediante contratos de prestação de serviços, modalidade que possui tratamento tributário distinto da contratação celetista.

Os dados também evidenciam a forte dependência das legendas em relação aos recursos públicos. Em 2025, o Partido Liberal recebeu aproximadamente R$ 192,1 milhões do Fundo Partidário, enquanto o Partido dos Trabalhadores (PT) recebeu cerca de R$ 140,4 milhões. Os recursos financiam despesas administrativas, manutenção das estruturas partidárias, serviços jurídicos, contabilidade, pessoal e demais atividades permanentes das legendas.

A divulgação ocorre em um momento de preparação para as eleições gerais de 2026, quando os partidos passam a intensificar sua estrutura administrativa e política. O crescimento dos recursos públicos destinados às legendas também reacende o debate sobre transparência na utilização do Fundo Partidário, critérios de remuneração de dirigentes e mecanismos de fiscalização das despesas.

Procurados pela reportagem original, PL, Podemos e PRD não apresentaram manifestação sobre os valores divulgados. Já o PSD informou que a remuneração de seu dirigente decorre das funções exercidas na estrutura partidária estadual, destacando sua experiência administrativa e atuação na organização da legenda.

A legislação brasileira determina que todas as prestações de contas dos partidos sejam submetidas ao controle da Justiça Eleitoral, responsável por analisar a regularidade da aplicação dos recursos públicos e privados utilizados pelas legendas.

(Da Redação do IGU News, com informações do Estadão e dados do Tribunal Superior Eleitoral – TSE.)

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