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POR QUE O MAIOR ACELERADOR DE PARTÍCULAS DO MUNDO FOI DESLIGADO?

CERN inicia a maior modernização da história do Grande Colisor de Hádrons (LHC), que ficará paralisado até 2030 para receber tecnologias capazes de ampliar em até dez vezes sua capacidade de pesquisa.

O Grande Colisor de Hádrons (LHC), maior e mais poderoso acelerador de partículas do planeta, entrou oficialmente em um novo período de desligamento programado. A interrupção das operações, anunciada pelo Conselho Europeu para a Pesquisa Nuclear (CERN), marca o início da chamada Terceira Longa Parada (LS3), considerada a maior atualização desde que o equipamento entrou em funcionamento, em 2008.

Instalado em um túnel circular de 27 quilômetros, localizado na fronteira entre a Suíça e a França, o LHC opera em condições extremas. Feixes de partículas são acelerados a velocidades próximas à da luz por milhares de ímãs supercondutores resfriados a aproximadamente -271°C, temperatura muito próxima do zero absoluto.

Segundo o CERN, a paralisação é indispensável para permitir a substituição de equipamentos, instalação de novos sistemas elétricos, criogênicos e componentes capazes de suportar uma quantidade muito maior de colisões entre partículas. Para isso, toda a estrutura precisa ser aquecida gradualmente e completamente desmontada em diversos trechos, tornando impossível realizar as obras enquanto o acelerador permanece em operação.

Durante os próximos anos, cerca de 1,2 quilômetro de ímãs e componentes internos será removido para dar lugar às novas tecnologias que integrarão o projeto HiLumi LHC (High Luminosity Large Hadron Collider).

Além da infraestrutura principal, os gigantescos detectores científicos ATLAS e CMS, responsáveis por importantes descobertas da física moderna — incluindo a confirmação do bóson de Higgs, em 2012 — também passarão por uma ampla modernização. Os equipamentos receberão novos sistemas eletrônicos, detectores mais sensíveis e tecnologias capazes de registrar bilhões de colisões com muito mais precisão.

Embora não ocorram novas colisões durante esse período, o trabalho científico continuará normalmente. Os pesquisadores seguirão analisando a enorme quantidade de dados produzida nas campanhas anteriores, considerada suficiente para gerar estudos e descobertas durante vários anos.

O religamento gradual dos aceleradores está previsto para ocorrer a partir de 2028, quando terão início os testes dos novos equipamentos. Já o retorno das operações científicas em plena capacidade está programado para 2030, quando entrará oficialmente em funcionamento o HiLumi LHC.

A principal novidade da nova fase será o aumento da chamada luminosidade, parâmetro que mede a quantidade de colisões produzidas entre partículas. Com a modernização, o acelerador deverá gerar até dez vezes mais dados científicos do que sua configuração original, ampliando significativamente as possibilidades de novas descobertas.

Os cientistas esperam que essa nova geração de experimentos permita investigar com maior profundidade questões fundamentais da física, como a natureza da matéria escura, possíveis partículas ainda desconhecidas, novas forças da natureza e fenômenos que possam ir além do atual Modelo Padrão da Física, considerado hoje a principal teoria para explicar as partículas elementares e suas interações.

Com essa atualização histórica, o CERN pretende garantir que o LHC permaneça na liderança mundial da pesquisa em física de partículas nas próximas décadas, consolidando sua posição como o principal laboratório científico dedicado à compreensão da origem, da estrutura e da evolução do Universo.

(Da Redação do IGU News)

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