TURISTA QUE PULOU GRADE NAS CATARATAS PARA RECUPERAR CELULAR É MULTADO EM R$ 7,8 MIL
Visitante ultrapassou a proteção da Passarela da Garganta do Diabo e chegou ao leito do rio para buscar o aparelho. ICMBio identificou o homem pelas imagens de monitoramento e aplicou a sanção por ingresso em área restrita do Parque Nacional do Iguaçu.
Um turista brasileiro que ultrapassou a grade de segurança das Cataratas do Iguaçu para recuperar um telefone celular foi identificado e multado em R$ 7.800 pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).
O episódio ocorreu em junho deste ano na Passarela da Garganta do Diabo, um dos pontos mais visitados do Parque Nacional do Iguaçu, em Foz do Iguaçu.
Imagens feitas por outros visitantes e registros do sistema de monitoramento mostram o homem ultrapassando a estrutura de proteção e avançando sobre as pedras em direção ao leito do rio para buscar o aparelho.
A conduta colocou o visitante em uma área de acesso proibido e considerada de risco extremo.
IMAGENS AJUDARAM A IDENTIFICAR O TURISTA

Depois do episódio, o ICMBio iniciou a apuração administrativa para tentar identificar o responsável.
Foram utilizadas imagens das câmeras de segurança e de monitoramento, além de registros e relatórios fornecidos pela Urbia+Cataratas, concessionária responsável pela operação turística e pelo atendimento aos visitantes no lado brasileiro das Cataratas.
O material foi incorporado ao processo administrativo como elemento de evidência da entrada na área restrita.
A identidade do turista não foi divulgada.
Segundo o ICMBio, informações pessoais de pessoas físicas envolvidas em processos administrativos sancionatórios não são tornadas públicas.
MULTA FOI APLICADA EM JULHO
Embora a divulgação do valor tenha ocorrido agora, a sanção foi formalizada ainda em julho de 2026.
O Auto de Infração foi lavrado com fundamento no artigo 90 do Decreto Federal nº 6.514/2008, utilizado para responsabilizar quem viola regras aplicáveis às unidades de conservação.
A multa foi fixada em R$ 7.800.
Até a divulgação da informação, o ICMBio afirmou não haver registro disponível indicando se o valor já havia sido pago pelo turista.
RISCO FOI MUITO ALÉM DA MULTA
A principal preocupação provocada pelo episódio não foi financeira.
Ao ultrapassar a barreira da passarela, o visitante deixou uma estrutura construída especificamente para manter o público afastado das áreas de correnteza, pedras molhadas e variações repentinas no comportamento do rio Iguaçu.
Nas Cataratas, a força da água pode mudar rapidamente em razão da vazão do rio, das chuvas registradas ao longo da bacia e das próprias características naturais das quedas.
Uma queda, escorregamento ou alteração inesperada da correnteza poderia transformar a tentativa de recuperar o celular em uma ocorrência de consequências muito mais graves.
A administração do parque informou que o comportamento colocou a própria vida do visitante em risco extremo e exigiu atuação das equipes responsáveis pela segurança.
PASSARELA DA GARGANTA DO DIABO TEM ACESSO CONTROLADO
A passarela brasileira oferece uma das aproximações mais conhecidas da Garganta do Diabo.
O percurso permite que milhares de visitantes observem diariamente as quedas a poucos metros da força das águas, mas dentro de uma estrutura projetada e monitorada para visitação.
As grades e guarda-corpos não representam simples delimitação visual.
Eles integram o sistema de segurança do atrativo e marcam o limite até onde o visitante está autorizado a avançar.
Ultrapassar essas barreiras significa ingressar em área não preparada para circulação pública.
ICMBIO REFORÇA QUE REGRAS SÃO OBRIGATÓRIAS
Em nota, o Parque Nacional do Iguaçu confirmou que o visitante foi identificado e responsabilizado administrativamente.
Segundo o ICMBio, as normas de visitação têm três objetivos principais: proteger a vida e a integridade física dos visitantes, preservar o patrimônio natural e garantir uma experiência segura para o público.
O instituto também advertiu que o ingresso em áreas restritas pode resultar em responsabilização nos termos da legislação ambiental.
A orientação vale independentemente do motivo que tenha levado o visitante a ultrapassar as estruturas de proteção.
UM CELULAR DIANTE DE UM RISCO DESPROPORCIONAL
O caso chamou atenção justamente pela desproporção entre o objeto que o turista pretendia recuperar e o risco assumido.
O aparelho poderia ser substituído.
A segurança de uma pessoa dentro de uma área de correnteza das Cataratas do Iguaçu, não.
Além do risco individual, situações semelhantes podem obrigar equipes de segurança e resgate a entrar em áreas perigosas para atender uma ocorrência provocada pelo descumprimento das regras.
Isso amplia o perigo para outras pessoas e interfere na própria operação do atrativo.
MONITORAMENTO FAZ PARTE DA SEGURANÇA DO PARQUE
O episódio também demonstra como os sistemas de monitoramento vêm sendo utilizados para identificar infrações no Parque Nacional do Iguaçu.
Mesmo que uma conduta não seja interrompida imediatamente, imagens de câmeras próprias, registros operacionais e vídeos produzidos no local podem subsidiar posteriormente procedimentos administrativos.
Foi justamente a combinação desses elementos que permitiu ao ICMBio identificar o visitante e formalizar a multa.
PARQUE RECEBE MILHÕES DE VISITANTES
As Cataratas do Iguaçu estão entre os principais atrativos naturais do Brasil e recebem visitantes de diferentes partes do mundo.
A elevada circulação de pessoas exige regras rigorosas de segurança, principalmente nos pontos de maior proximidade com as quedas.
O Parque Nacional do Iguaçu é uma unidade de conservação federal administrada pelo ICMBio e reconhecida pela Unesco como Patrimônio Mundial Natural.
No lado brasileiro, a operação turística é realizada pela Urbia+Cataratas.
ALERTA PARA OUTROS VISITANTES
Ao divulgar a responsabilização, a administração do parque transformou o caso também em advertência.
Grades, sinalizações, passarelas e limites de acesso existem justamente porque algumas áreas do parque apresentam riscos incompatíveis com a circulação comum de visitantes.
A multa de R$ 7,8 mil encerra administrativamente uma parte do episódio.
Mas a principal mensagem deixada pelo caso é outra: nenhum objeto perdido justifica ultrapassar as estruturas de segurança e colocar a própria vida em risco diante da força das Cataratas do Iguaçu.
(Da Redação do IGU News)




