RATINHO JUNIOR ENTRA NA CAMPANHA E CONTRAPÕE SÉRGIO MORO E REQUIÃO FILHO
Governador afirma que seu candidato representa continuidade do atual ciclo administrativo e lança críticas aos principais adversários na disputa pelo Palácio Iguaçu. Declarações elevam a temperatura da campanha e colocam no centro do debate uma questão que caberá ao eleitor decidir: continuidade, mudança ou um novo modelo para o Paraná.
O governador Ratinho Junior (PSD) entrou de maneira mais direta na disputa pela própria sucessão ao defender Sandro Alex (PSD) e fazer duras críticas a Sergio Moro (PL) e Requião Filho (PDT), dois dos principais adversários de seu candidato na corrida pelo Governo do Paraná.
Em entrevista à CBN nesta segunda-feira (10), Ratinho afirmou que Sandro demonstrou no debate da Band conhecimento e preparo para administrar o Estado. Ao comparar os postulantes, disparou: “Um candidato é o atraso. O outro é a burocracia que não conhece o estado”. A declaração foi feita após o primeiro debate televisionado da disputa, realizado no domingo (9).
A fala tem evidente componente eleitoral e deve ser compreendida dessa maneira. Ratinho Junior não apresentou, nessa passagem, indicadores objetivos que demonstrem que Requião Filho represente “o atraso” ou que Moro “não conheça o Estado”. São avaliações políticas do governador sobre adversários daquele que escolheu para sucedê-lo — e não fatos estabelecidos.
O argumento central de Ratinho é que o Paraná não deveria interromper o ciclo administrativo de sua gestão. O governador sustenta que Sandro Alex participou do planejamento governamental, conhece projetos em andamento e teria melhores condições para preservar políticas consideradas bem-sucedidas pelo atual governo.
Há resultados econômicos que ajudam a explicar por que o governador procura transformar seu legado em ativo eleitoral. Dados oficiais colocam o Paraná como a quarta maior economia estadual brasileira, enquanto indicadores divulgados pelo Banco Central apontaram crescimento de 2,44% da atividade econômica paranaense em abril de 2026 ante igual mês de 2025, acima do resultado nacional de 0,92% nessa comparação.
A administração também apresenta como realizações investimentos em infraestrutura, saúde e educação. Em junho, por exemplo, o Estado formalizou uma PPP que prevê 40 novos colégios estaduais em 31 municípios e aproximadamente 30 mil vagas, com R$ 6,3 bilhões estimados ao longo da concessão. Esses resultados, entretanto, não dispensam o eleitor de avaliar custos, prioridades, problemas remanescentes e resultados concretos de cada política pública.
O DEBATE DA SUCESSÃO
A estratégia de continuidade ganhou visibilidade no debate da Band. Sem Sergio Moro, que desistiu de participar poucas horas antes do programa, Sandro Alex e Requião Filho protagonizaram um confronto que colocou frente a frente avaliações distintas sobre a administração estadual. Requião questionou privatizações e decisões da atual gestão; Sandro apresentou-se como defensor do legado de Ratinho Junior.
A ausência de Moro acrescentou outro componente à disputa. O candidato do PL alegou que não participaria do que classificou como “jogo sujo” e acusou adversários de articularem ataques contra ele. Independentemente da justificativa, sua ausência impediu que o eleitor pudesse comparar, naquele momento e sob as mesmas regras, os três principais postulantes.
É justamente nesse ponto que a declaração de Ratinho Junior pode produzir um efeito positivo para a campanha: forçar os candidatos a discutir concretamente quem conhece o Paraná e quem possui o melhor projeto para governá-lo.
Se Moro é acusado de desconhecer o Estado, poderá responder apresentando propostas detalhadas para suas diferentes regiões. Se Requião Filho é chamado de representante do “atraso”, poderá confrontar a afirmação mostrando o que pretende fazer de diferente. E Sandro Alex, apresentado pelo governador como o candidato mais preparado, precisará demonstrar ao eleitor que sua candidatura possui substância própria além do apoio e da popularidade de Ratinho Junior.
Esse confronto interessa ao Paraná.
Porque uma eleição estadual não deveria transformar-se apenas numa disputa entre sobrenomes, padrinhos políticos ou rejeições ideológicas. O próximo governador administrará uma das maiores economias brasileiras, um Estado industrial e agropecuário, com desafios diferentes na Região Metropolitana de Curitiba, Norte, Oeste, Sudoeste, Campos Gerais, Centro e litoral.
A campanha está apenas começando. Há tempo para que as afirmações políticas sejam submetidas àquilo que mais importa em uma democracia: comparação de propostas, números, resultados e capacidade administrativa.
Ratinho Junior já apresentou sua escolha e seus argumentos.
Agora, cabe a Moro, Requião Filho e ao próprio Sandro Alex demonstrarem, preferencialmente frente a frente nos próximos debates, quem possui o projeto mais consistente para o Paraná.
A palavra final não pertence ao governador que sai, nem aos candidatos que disputam sua cadeira. Pertence ao eleitor paranaense.
(Da Redação do IGU News)




