ARGENTINA ZERA IMPOSTO DE EXPORTAÇÃO DE VEÍCULOS E BUSCA GANHAR ESPAÇO NO MERCADO BRASILEIRO
Medida anunciada pelo governo Javier Milei elimina tributo de 4,5% sobre exportações de veículos por um ano, fortalece a competitividade da indústria argentina e pode ampliar a disputa com montadoras chinesas no mercado brasileiro.
O governo da Argentina deu mais um passo em sua política de incentivo à produção industrial ao anunciar a eliminação temporária do imposto de exportação incidente sobre veículos produzidos no país. A medida, anunciada pelo presidente Javier Milei, entrou em vigor neste mês de julho e deverá permanecer válida até meados de 2027.
A decisão reduz a alíquota de exportação de 4,5% para zero, beneficiando diretamente as montadoras instaladas na Argentina e aumentando sua competitividade nos mercados internacionais, especialmente no Brasil, principal destino dos automóveis produzidos no país vizinho.
MEDIDA ERA ANTIGA REIVINDICAÇÃO DA INDÚSTRIA
O fim da tributação foi comemorado pela Adefa, entidade que representa as fabricantes de veículos da Argentina.
Segundo a associação, a eliminação do imposto representa um importante incentivo às exportações industriais, permitindo que os veículos argentinos disputem mercados em condições mais favoráveis frente aos concorrentes internacionais.
A iniciativa integra a estratégia econômica do governo Milei de reduzir tributos, estimular investimentos privados e ampliar a participação das exportações na recuperação da economia argentina.
BRASIL É O PRINCIPAL DESTINO DOS VEÍCULOS ARGENTINOS
O mercado brasileiro continuará sendo o principal beneficiário da nova política.
Grande parte da produção automotiva argentina é destinada ao Brasil graças ao acordo automotivo existente entre os dois países dentro do Mercosul.
Modelos bastante conhecidos do consumidor brasileiro são fabricados em território argentino, entre eles:
• Toyota Hilux;
• Ford Ranger;
• Fiat Titano;
• Fiat Cronos;
• Peugeot 208;
• Peugeot 2008.
Também deverão ser produzidas na Argentina futuras picapes como a Ram Dakota e a Renault Niagara.
OBJETIVO É RECUPERAR ESPAÇO PERDIDO PARA A CHINA
Nos últimos anos, a presença dos veículos chineses cresceu significativamente no mercado brasileiro.
Segundo dados do setor automotivo, quase metade dos veículos importados pelo Brasil atualmente possui origem chinesa.
A Argentina aparece na segunda colocação entre os principais exportadores de veículos ao mercado brasileiro.
Com a redução dos custos de exportação, o governo argentino pretende recuperar parte desse espaço perdido e tornar sua indústria mais competitiva frente às montadoras asiáticas.
CONSUMIDOR DEVE SENTIR POUCO IMPACTO NOS PREÇOS
Embora o imposto de exportação tenha sido eliminado, especialistas avaliam que a redução dificilmente será integralmente repassada ao consumidor final.
Estudos do setor indicam que o efeito potencial nos preços finais poderia girar em torno de 2%, dependendo de fatores como câmbio, custos logísticos, política comercial de cada fabricante e estratégia de precificação das montadoras.
Na prática, parte desse ganho poderá ser absorvida pelas próprias empresas para recompor margens de rentabilidade ou financiar novos investimentos.
CÂMBIO CONTINUA SENDO FATOR DECISIVO
Analistas lembram que pequenas oscilações cambiais podem neutralizar rapidamente qualquer economia proporcionada pela redução tributária.
Como veículos comercializados entre Brasil e Argentina são fortemente influenciados pelo comportamento do dólar e das moedas locais, variações cambiais podem produzir efeitos muito superiores aos decorrentes da retirada do imposto de exportação.
Por isso, eventual redução de preços dependerá de um conjunto mais amplo de fatores econômicos.
MERCOSUL PODE GANHAR NOVO IMPULSO
A medida também fortalece o comércio automotivo dentro do Mercosul.
Brasil e Argentina mantêm há décadas forte integração industrial no setor automotivo, com diversas montadoras operando cadeias produtivas compartilhadas entre os dois países.
Especialistas avaliam que a eliminação do imposto pode ampliar investimentos nas fábricas argentinas, aumentar a produção destinada ao Brasil e fortalecer a competitividade regional diante do avanço das montadoras chinesas.
SETOR AUTOMOTIVO SEGUE EM TRANSFORMAÇÃO
Além da crescente presença chinesa, o mercado latino-americano vive uma fase de profundas mudanças tecnológicas, com investimentos em veículos híbridos, elétricos e novas plataformas industriais.
Nesse cenário, políticas tributárias mais favoráveis podem influenciar decisões de investimento das fabricantes e alterar o equilíbrio competitivo entre os principais polos automotivos da região.
O impacto definitivo da medida, entretanto, dependerá da evolução da economia argentina, da estabilidade cambial, da demanda brasileira e das estratégias comerciais adotadas pelas montadoras ao longo dos próximos meses.
(Da Redação do IGU News)



