Paraná

RESGATE DE MAIS DE 2,6 MIL FÓSSEIS EM OBRA DE LINHA DE TRANSMISSÃO, REFORÇA PATRIMÔNIO PALEONTOLÓGICO DO PARANÁ

Programa de monitoramento paleontológico identificou vestígios de organismos que viveram há até 390 milhões de anos durante a implantação de uma linha de transmissão entre Paraná e São Paulo.

Um dos maiores programas de monitoramento paleontológico já realizados em obras de infraestrutura elétrica no Paraná resultou na coleta de 2.655 amostras fósseis durante a construção da Linha de Transmissão Ananaí 500 kV Ponta Grossa–Assis, empreendimento da TAESA, um dos maiores grupos privados de transmissão de energia elétrica do Brasil.

O trabalho foi executado entre abril de 2025 e janeiro de 2026 ao longo dos 275 quilômetros da linha de transmissão, que atravessa 13 municípios dos estados do Paraná e São Paulo e possui 581 torres instaladas.

O diferencial do empreendimento foi o planejamento preventivo para atravessar cinco importantes formações geológicas reconhecidas pelo elevado potencial fossilífero: Furnas, Ponta Grossa, Teresina, Rio do Rasto e Botucatu.

Como a legislação brasileira determina que fósseis pertencem à União e constituem patrimônio cultural e científico nacional, toda obra que possa interceptar esse material deve contar com acompanhamento técnico especializado.

Durante as escavações das fundações das torres e demais intervenções no solo, os pesquisadores localizaram fósseis que permitem reconstruir antigos ecossistemas marinhos e continentais dos períodos Devoniano, com aproximadamente 390 milhões de anos, e Permiano, cerca de 270 milhões de anos atrás, muito antes do surgimento dos dinossauros.

Entre as descobertas estão fósseis de trilobitas, braquiópodes, moluscos bivalves, gastrópodes, tentaculites, peixes primitivos e conchostráceos, além de fragmentos de plantas fossilizadas, como licófitas, e estruturas de bioturbação que registram a atividade de organismos que habitavam os antigos sedimentos.

Todo o acervo encontra-se em fase final de catalogação e será oficialmente incorporado ao patrimônio científico da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), garantindo sua preservação, rastreabilidade e disponibilidade para futuras pesquisas.

Segundo o paleontólogo Henrique Zimmermann Tomassi, responsável pelo programa desenvolvido em parceria entre a TAESA e a NASOR Paleontologia e Geologia, a iniciativa demonstra que a paleontologia preventiva vai muito além do simples cumprimento das exigências legais.

Além do resgate científico, o projeto desenvolveu um amplo programa de Educação Patrimonial, promovendo eventos em escolas, museus e prefeituras das cidades atravessadas pela linha de transmissão.

Mais de 200 trabalhadores envolvidos na construção também receberam treinamento para reconhecer possíveis evidências fossilíferas durante as atividades de campo, transformando o ambiente da obra em um importante espaço de preservação científica.

Para a coordenação ambiental da TAESA, a experiência consolida o empreendimento como referência nacional na integração entre desenvolvimento da infraestrutura energética e preservação do patrimônio natural brasileiro, demonstrando que grandes obras podem ser executadas sem comprometer importantes registros da história geológica do planeta.

(Da Redação do IGU News – Foto: Divulgação)

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