Propostas para endurecer o combate ao crime ganham espaço na campanha presidencial, enquanto especialistas apontam benefícios e desafios para eventual aplicação no Brasil.
A segurança pública voltou ao centro do debate político brasileiro após pré-candidatos à Presidência da República defenderem propostas inspiradas no modelo adotado pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele. Entre as medidas apresentadas estão a construção de novos presídios de segurança máxima, o fortalecimento do combate às organizações criminosas e mudanças na legislação penal.
Lideranças como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o ex-governador Romeu Zema (Novo-MG) e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) visitaram recentemente El Salvador para conhecer de perto a estrutura do Centro de Confinamento do Terrorismo (CECOT), considerado uma das maiores unidades prisionais do mundo.
As propostas surgem em um contexto de crescimento da preocupação da população com a violência e o crime organizado. Os defensores do modelo afirmam que a experiência salvadorenha demonstrou resultados expressivos na redução dos índices de homicídios e no enfraquecimento das facções criminosas.
Entre as medidas apresentadas está a construção de novos presídios de segurança máxima, ampliação das ações de inteligência, endurecimento das penas e fortalecimento da atuação das forças de segurança.
Por outro lado, especialistas destacam que a realidade brasileira apresenta desafios distintos dos enfrentados por El Salvador. O Brasil possui uma das maiores populações carcerárias do mundo, além de organizações criminosas com atuação nacional e internacional, cenário que torna mais complexa a adoção de modelos semelhantes.
Pesquisadores da área de segurança pública também alertam que experiências internacionais costumam produzir resultados diferentes conforme as características institucionais, sociais e jurídicas de cada país. Organizações de direitos humanos, por sua vez, acompanham com atenção o debate, lembrando que parte das medidas implementadas em El Salvador recebeu críticas relacionadas às garantias constitucionais e aos direitos individuais.
O tema também ganhou destaque em outros países da América Latina. Durante as recentes eleições presidenciais na Colômbia e no Peru, candidatos igualmente defenderam propostas de endurecimento do combate ao crime organizado, refletindo uma tendência regional de priorização da segurança pública nas campanhas eleitorais.
À medida que se aproxima o processo eleitoral brasileiro, especialistas avaliam que o debate sobre segurança deverá permanecer entre os principais temas da disputa presidencial, juntamente com economia, geração de empregos, saúde e educação.
(Da Redação do IGU News)




