Mundo

ÁFRICA OCIDENTAL SE CONSOLIDA COMO NOVA ROTA DA COCAÍNA RUMO À EUROPA

Apreensões recordes, uso de tecnologia avançada, corrupção institucional e fiscalização limitada transformaram países da África Ocidental em um dos principais corredores do tráfico internacional de cocaína entre a América do Sul e o mercado europeu.

APREENSÕES BATEM RECORDES EM 2026

A África Ocidental vive uma escalada sem precedentes no tráfico internacional de cocaína. Somente nas últimas semanas, autoridades da Libéria apreenderam quase quatro toneladas da droga em uma residência localizada entre a capital Monróvia e o aeroporto internacional do país. A carga, considerada de alta pureza, foi avaliada em aproximadamente US$ 317 milhões no mercado ilícito.

Poucos meses antes, outra operação interceptou quase 31 toneladas de cocaína a bordo de um navio na costa do Saara Ocidental, volume superior ao total apreendido em toda a África Ocidental durante o ano de 2025.

Os números reforçam uma mudança significativa nas rotas globais do narcotráfico.

NOVA PONTE ENTRE AMÉRICA DO SUL E EUROPA

Tradicionalmente utilizada como ponto intermediário entre os países produtores de cocaína da América do Sul e os consumidores europeus, a África Ocidental passou a desempenhar papel estratégico nas operações das organizações criminosas.

Segundo especialistas, a intensificação da fiscalização sobre cargas provenientes diretamente do Brasil, Guiana e Suriname levou os cartéis a diversificarem seus itinerários.

Hoje, grandes carregamentos chegam inicialmente a portos africanos, onde são redistribuídos antes de seguirem para a Europa por diferentes meios marítimos.

COMO FUNCIONA A LOGÍSTICA DO TRÁFICO

As investigações apontam que grandes embarcações transportam toneladas de cocaína até países da África Ocidental, onde as cargas são reembaladas.

Posteriormente, parte da droga é transferida para os chamados “navios-mãe”, que permanecem em alto-mar, enquanto embarcações menores e extremamente velozes — conhecidas como go-fasts — realizam o transporte final em direção ao norte da África, Ilhas Canárias ou diretamente ao litoral europeu.

Essa estratégia reduz a dependência dos grandes portos europeus e dificulta significativamente a atuação das autoridades.

TECNOLOGIA PASSA A SER ALIADA DOS CARTÉIS

Outro fator que impulsiona o crescimento da rota africana é o uso intensivo de tecnologia.

Em operações recentes, investigadores encontraram equipamentos de comunicação via satélite Starlink, rastreadores GPS à prova d’água, dispositivos de monitoramento em tempo real e equipamentos de mergulho utilizados para acompanhar a movimentação das cargas.

Esses recursos permitem que chefes das organizações criminosas acompanhem remotamente cada etapa do transporte internacional.

CORRUPÇÃO E ESTRUTURAS FRÁGEIS

Especialistas apontam que a limitada capacidade operacional de diversos países da África Ocidental favorece a expansão do narcotráfico.

Em algumas regiões, aeroportos operam com equipamentos de inspeção insuficientes, a infraestrutura portuária carece de tecnologia moderna e órgãos de fiscalização enfrentam restrições orçamentárias.

Além disso, autoridades locais reconhecem investigações envolvendo servidores públicos suspeitos de colaboração com organizações criminosas.

Segundo relatos de autoridades liberianas, policiais e outros agentes estatais foram investigados por possível participação em esquemas ligados ao tráfico internacional.

TRAFICANTE HOLANDÊS É APONTADO COMO LÍDER DA REDE

Diversas investigações internacionais atribuem papel central ao cidadão holandês Jos Leijdekkers, considerado um dos traficantes mais procurados da Europa.

Segundo autoridades europeias, ele seria responsável por coordenar parte significativa da logística utilizada para transportar cocaína da América do Sul até a África e, posteriormente, ao continente europeu.

As autoridades holandesas buscam sua extradição, enquanto informações de inteligência indicam que o traficante mantém influência operacional em Serra Leoa.

ROTAS SE EXPANDEM PELA REGIÃO

A pressão policial sobre alguns países levou as organizações criminosas a diversificarem seus pontos de apoio.

Além de Serra Leoa, investigações recentes apontam aumento da movimentação de cargas por Gana, Costa do Marfim e Libéria.

Grandes apreensões realizadas nesses países demonstram que as redes criminosas passaram a distribuir os riscos logísticos, tornando ainda mais complexa a atuação das forças internacionais de combate ao narcotráfico.

EUROPA CONTINUA SENDO O PRINCIPAL DESTINO

Apesar do aumento das apreensões, estimativas do Centro de Análise e Informação Marítima sobre Narcóticos da União Europeia (MAOC-N) indicam que mais de 100 toneladas de cocaína conseguiram chegar ao mercado europeu utilizando a rota africana apenas no último ano.

Para especialistas, as apreensões representam apenas uma fração do volume efetivamente transportado pelas organizações criminosas.

Enquanto a demanda por cocaína permanecer elevada na Europa e as estruturas de fiscalização continuarem limitadas em diversos países africanos, a tendência é de que a África Ocidental mantenha sua posição como um dos principais corredores do narcotráfico internacional.

(Da Redação do IGU News)

IGU News Bot

IGU News Bot

About Author

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Somente a verdade. Este é nosso compromisso com nossos leitores!

Principais Categorias

Cadastre em nossa newsletter

    E receba diretamente em sem e-mail

    Iguassu News @2025. Todos os direitos reservados

    By CB4