Manchete 1

ELEIÇÕES 2026 JÁ ABREM 2028 EM FOZ: NOVOS NOMES, SAÚDE SOB PRESSÃO E POUCO ORÇAMENTO LIVRE

Adriano Rorato, Matheus Vermelho, Paulo Mac Donald, Chico Brasileiro e o prefeito Silva e Luna integram um cenário político ainda embrionário. Enquanto isso, a saúde de fronteira consome mais que o dobro do mínimo constitucional, e os dados mostram que orçamento aprovado não significa dinheiro efetivamente disponível para novas obras.

A ELEIÇÃO MUNICIPAL COMEÇA DOIS ANOS ANTES

As eleições estaduais e nacionais de 2026 terão efeitos que ultrapassam a escolha de presidente, governador, senadores e deputados.

Em Foz do Iguaçu, o desempenho dos candidatos ligados ao município ajudará a medir força partidária, capacidade de mobilização, presença nos bairros, influência regional e potencial para a formação das alianças municipais de 2028.

Uma eleição para deputado não constitui uma prévia exata da disputa pela prefeitura. São cargos diferentes, com territórios eleitorais, alianças e estratégias próprias.

Ainda assim, uma votação expressiva em Foz poderá fortalecer determinados grupos, enquanto resultados inferiores às expectativas poderão obrigar lideranças tradicionais a reorganizar seus projetos.

O processo deve ser analisado com cautela. Até a formalização e o julgamento dos registros pela Justiça Eleitoral, as condições jurídicas e partidárias dos postulantes podem sofrer alterações. A propaganda eleitoral regular somente começa em 16 de agosto, embora a legislação admita, antes disso, menção a pretensas candidaturas e exposição de qualidades pessoais, desde que não exista pedido explícito de voto ou utilização de meios vedados.

A IDENTIDADE IGUAÇUENSE VOLTA AO DEBATE

Foz do Iguaçu não elege como titular um prefeito nascido no município desde Sâmis da Silva, escolhido nas urnas em 2000.

Paulo Mac Donald Ghisi nasceu em Urussanga, Santa Catarina. Reni Pereira nasceu em Santo Antônio do Sudoeste, no Paraná. Chico Brasileiro é natural de Piancó, na Paraíba. O atual prefeito, Joaquim Silva e Luna, nasceu em Barreiros, Pernambuco.

Essa sequência alimenta, sobretudo nas redes sociais, manifestações favoráveis à eleição de alguém nascido e criado na cidade.

O argumento sustenta que um iguaçuense nato poderia possuir conhecimento mais antigo dos bairros, das famílias, das transformações urbanas e dos problemas históricos do município.

Esse vínculo pode produzir identificação afetiva. Não constitui, porém, prova automática de competência, honestidade ou capacidade administrativa.

Foz do Iguaçu foi construída por sucessivas migrações. É uma cidade de fronteira formada por paranaenses, catarinenses, gaúchos, nordestinos, paulistas, paraguaios, argentinos, libaneses, chineses e integrantes de dezenas de outras origens.

Pertencimento não decorre apenas da certidão de nascimento. Pode ser construído pela residência prolongada, pela constituição de família, pela geração de empregos, pelo serviço público e pela participação cotidiana na vida municipal.

Da mesma forma, sotaque ou origem regional não constituem critérios legítimos para avaliar preparo administrativo. A análise responsável deve considerar trajetória, resultados, propostas, integridade e conhecimento efetivo da cidade.

A URNA DE 2024 MOSTROU QUE NASCER EM FOZ NÃO DECIDE A ELEIÇÃO

A última disputa municipal demonstrou que a naturalidade não é determinante.

Silva e Luna, nascido em Pernambuco e com ligação mais recente com a política local, venceu em primeiro turno com 73.522 votos, equivalentes a 50,14% dos votos válidos.

Paulo Mac Donald, residente em Foz desde a década de 1970, recebeu 47.775 votos.

O resultado indica que identidade local é apenas um dos fatores considerados pelo eleitor.

Partido, campanha, alianças, imagem pública, rejeição aos adversários, estrutura eleitoral, conjuntura nacional e expectativa de mudança também influenciam a decisão.

O debate sobre pertencimento poderá ganhar força em 2028, mas não existe base estatística para afirmar que o eleitorado escolherá necessariamente um candidato nascido em Foz.

ADRIANO RORATO REÚNE IDENTIDADE LOCAL E VOTAÇÃO EXPRESSIVA

Entre os nomes mencionados nas conversas políticas sobre renovação municipal está o vereador Adriano Rorato, do Partido Liberal.

Nascido em Foz do Iguaçu e associado a uma família de longa presença na cidade, Rorato estreou nas urnas em 2024 e foi o candidato a vereador mais votado do município.

Ele recebeu 3.704 votos, e não cerca de nove mil, como chegou a ser aventado informalmente. O resultado garantiu a primeira colocação geral entre os candidatos à Câmara Municipal.

Sua juventude política, a origem iguaçuense, a identificação familiar e a ausência, até aqui, de uma controvérsia pública dominante em torno do mandato ajudam a explicar por que passou a ser citado em análises sobre o futuro.

Isso não significa que Rorato seja candidato à prefeitura ou que tenha anunciado intenção de concorrer em 2028.

Em 2026, ele permanece no exercício do mandato de vereador e não participa da eleição estadual ou federal.

Sua eventual projeção dependerá da atuação legislativa, da capacidade de fiscalização, das posições adotadas em votações relevantes e da forma como construirá relacionamento com diferentes setores da cidade.

MATHEUS VERMELHO AMPLIA O TABULEIRO POLÍTICO

Outro nome que precisa integrar qualquer análise sobre as forças locais é o deputado estadual Matheus Vermelho, atualmente filiado ao PL.

O parlamentar nasceu em Salto do Lontra, mas foi criado e consolidou sua vida empresarial e política em Foz do Iguaçu, onde reside e mantém sua principal base eleitoral.

Matheus foi eleito deputado estadual em 2022 com 29.484 votos em todo o Paraná, dos quais 10.884 foram obtidos em Foz do Iguaçu. Foi sua primeira candidatura a cargo eletivo.

Na Assembleia Legislativa, preside a Comissão de Turismo e mantém atuação voltada a pautas municipais e regionais.

Em julho de 2026, conduziu reunião da comissão que aprovou projetos relacionados a roteiros, eventos e atividades turísticas. Entre as propostas de sua autoria está a concessão a Foz do Iguaçu do título estadual de Destino Halal.

Sua atuação também alcança demandas de infraestrutura, saúde, educação, esporte, segurança e repasses aos municípios, o que lhe permite manter presença não apenas em Foz, mas em diferentes regiões do Paraná.

É um parlamentar jovem, com votação local relevante, capacidade de interlocução estadual e relacionamento com prefeitos e lideranças municipais.

Essas características fazem com que seu nome seja lembrado em conversas sobre uma futura disputa municipal, embora não exista anúncio de candidatura à prefeitura e sua prioridade imediata esteja ligada ao processo eleitoral de 2026.

O GRUPO VERMELHO POSSUI ESTRUTURA POLÍTICA CONSOLIDADA

Matheus é filho do deputado federal conhecido como Vermelho.

O nome civil correto do parlamentar federal é Nelsi Coguetto Maria, e não Elcir Colgueto. Ele é filiado ao PL, nasceu em Francisco Beltrão e exerce mandato na Câmara dos Deputados.

Pai e filho mantêm bases eleitorais complementares e presença organizada em Foz, no Oeste e no Sudoeste do Paraná.

Nos bastidores locais, o grupo é frequentemente descrito como um dos mais organizados do município, especialmente por sua capilaridade, estrutura partidária, relacionamento regional e ocupação simultânea de cadeiras na Assembleia Legislativa e na Câmara Federal.

O fato verificável é que o grupo possui dois mandatos parlamentares, votação distribuída por diferentes municípios e uma base expressiva em Foz do Iguaçu.

Para 2028, essa organização pode ter peso tanto na eventual apresentação de um nome próprio quanto na formação de alianças.

PAULO MAC DONALD MANTÉM CAPITAL ELEITORAL

Paulo Mac Donald Ghisi também permanece entre os personagens centrais da política local.

Natural de Santa Catarina, ele chegou a Foz em 1973. Construiu trajetória empresarial na engenharia, construção civil e incorporação imobiliária e exerceu dois mandatos consecutivos como prefeito, entre 2005 e 2012.

Sua permanência de mais de cinco décadas, a atividade empresarial e a participação continuada na política permitem classificá-lo como iguaçuense por adoção, embora não seja natural do município.

Em 2024, obteve 47.775 votos para prefeito. Em julho de 2026, foi confirmado pela convenção do Progressistas como postulante a deputado estadual, ainda sujeito às etapas formais de registro e julgamento da candidatura.

A educação continua sendo um dos principais componentes de sua memória administrativa entre segmentos da população.

Entretanto, não existe pesquisa atual e representativa que permita medir quantos eleitores avaliam positivamente sua atuação nessa área.

Seu desempenho em 2026 poderá indicar se a base construída ao longo de décadas continua mobilizada e se o grupo permanecerá em posição relevante para 2028.

CHICO BRASILEIRO BUSCA “RENASCER DAS CINZAS”

Francisco Lacerda Brasileiro, o Chico Brasileiro, nasceu em Piancó, na Paraíba, e reside em Foz desde 1990.

Dentista e servidor público municipal, exerceu os cargos de vereador, secretário, vice-prefeito, deputado estadual e prefeito.

Em 2026, deixou o PSD e ingressou na federação PSDB/Cidadania. O ex-prefeito passou a ser apresentado como pré-candidato a deputado federal.

Sua origem nordestina e o sotaque acentuado não constituem elementos legítimos para diminuir sua ligação com Foz.

Depois de mais de três décadas de residência e exercício de funções municipais e estaduais, sua identidade política deve ser julgada pelo legado administrativo, pelas decisões tomadas, pelos resultados alcançados e pelas críticas existentes às suas gestões.

Um eventual desempenho expressivo em 2026 poderá preservar sua influência para alianças futuras. Um resultado aquém das expectativas poderá reduzir a capacidade de protagonismo municipal.

SILVA E LUNA CONTINUA SENDO PEÇA CENTRAL DE 2028

Nenhuma análise sobre a próxima eleição municipal estaria completa sem o atual prefeito.

Silva e Luna é filiado ao PL e preside a direção municipal da legenda.

Por estar no primeiro mandato consecutivo, poderá juridicamente disputar a reeleição em 2028, desde que permaneça elegível, mantenha filiação partidária, seja escolhido em convenção e decida concorrer.

Não existe, até agora, candidatura municipal formal ou anúncio definitivo.

A possibilidade de reeleição dependerá principalmente dos resultados da administração: saúde, transporte, obras, limpeza urbana, infraestrutura, educação, equilíbrio fiscal e capacidade de relacionamento com a Câmara.

A gestão enfrenta críticas e sinais de desgaste em veículos e redes locais, mas não foi localizada pesquisa pública metodologicamente completa que permita fixar um percentual confiável de aprovação ou rejeição.

O PRIMEIRO ORÇAMENTO DE SILVA E LUNA FOI HERDADO

Uma avaliação equilibrada da administração precisa considerar como funciona o ciclo orçamentário.

O orçamento executado em 2025 foi elaborado e encaminhado à Câmara em 2024, durante o governo Chico Brasileiro.

A Lei Orçamentária de 2025 estimou receitas e fixou despesas próximas de R$ 2,26 bilhões. Ela estava vinculada ao Plano Plurianual 2022–2025, instituído em 2021 pela administração anterior.

Portanto, Silva e Luna assumiu a prefeitura com planejamento orçamentário previamente aprovado.

Isso não o isenta da responsabilidade pela execução de 2025. A nova gestão podia contingenciar despesas, solicitar créditos adicionais, promover remanejamentos autorizados e definir prioridades dentro dos limites legais.

A formulação tecnicamente correta é:

o planejamento inicial de 2025 foi herdado, mas sua execução administrativa e financeira ficou sob responsabilidade da gestão Silva e Luna.

O orçamento de 2026 é o primeiro elaborado dentro do PPA 2026–2029 preparado pela atual administração.

ORÇAMENTO APROVADO NÃO É DINHEIRO GARANTIDO

A Lei Orçamentária estima a receita que o município espera arrecadar e fixa as despesas autorizadas.

Ela não representa a existência imediata de todo o dinheiro previsto.

A execução depende da arrecadação efetiva, das transferências constitucionais, de convênios, financiamentos, emendas parlamentares, licitações, projetos aprovados e disponibilidade financeira.

Uma obra pode aparecer na LOA e não ser iniciada. Pode ser empenhada e não liquidada. Pode ser liquidada e permanecer sem pagamento até o exercício seguinte.

Por isso, comparar apenas o valor total dos orçamentos pode produzir uma visão distorcida da capacidade real de investimento.

O QUE OS DADOS MOSTRAM SOBRE INVESTIMENTOS EFETIVOS

A pesquisa nos documentos do Tribunal de Contas encontrou informações comparáveis e detalhadas para 2021 e 2022.

Em 2021, o município possuía dotação atualizada de aproximadamente R$ 189 milhões para investimentos. Foram empenhados R$ 86,47 milhões, liquidados R$ 51,39 milhões e pagos R$ 50,03 milhões.

Os investimentos representaram aproximadamente 7,58% das despesas empenhadas, mas somente 4,78% das despesas liquidadas naquele exercício.

Em 2022, o demonstrativo do TCE registrou despesas totais de R$ 1,327 bilhão e investimentos de R$ 112,77 milhões, equivalentes a aproximadamente 8,49% da despesa apresentada no quadro.

EXERCÍCIO BASE DISPONÍVEL INVESTIMENTOS PARTICIPAÇÃO APROXIMADA
2021 Despesa empenhada de R$ 1,140 bilhão R$ 86,47 milhões 7,58%
2021 Despesa liquidada de R$ 1,074 bilhão R$ 51,39 milhões 4,78%
2022 Despesa total do quadro do TCE: R$ 1,327 bilhão R$ 112,77 milhões 8,49%

NÃO HÁ MÉDIA DE CINCO ANOS QUE POSSA SER PUBLICADA COM SEGURANÇA

Os documentos publicamente indexados de 2023, 2024 e 2025 não apresentam, em um único quadro homogêneo, o total municipal de investimentos com a mesma metodologia usada nos exercícios anteriores.

Algumas bases adotam despesas empenhadas. Outras utilizam valores liquidados ou pagos. Há também diferenças entre administração direta, fundos, fundações e consolidação de entidades.

Misturar essas bases produziria uma média aparentemente precisa, mas metodologicamente errada.

Por essa razão, não é responsável apresentar uma “média ponderada dos últimos cinco anos” sem antes extrair os dados brutos do Siconfi e do TCE, padronizando:

  • o mesmo estágio da despesa;
  • o mesmo conjunto de órgãos e entidades;
  • os mesmos códigos de natureza;
  • a exclusão ou inclusão uniforme de inversões financeiras;
  • e os restos a pagar.

O que os dados já disponíveis demonstram é que a parcela efetivamente transformada em investimento pode ficar muito abaixo da dotação autorizada.

O ORÇAMENTO DE 2026 AUTORIZA MAIS, MAS NÃO GARANTE EXECUÇÃO

A LOA de 2026 estima orçamento total de R$ 2,682 bilhões.

A distribuição divulgada pela prefeitura prevê cerca de:

  • R$ 1,395 bilhão para pessoal e encargos;
  • R$ 728,6 milhões para outras despesas correntes;
  • R$ 355,6 milhões para investimentos e inversões financeiras;
  • além de dívida, previdência e reservas.

A rubrica de investimentos e inversões representa aproximadamente 13,3% do orçamento autorizado.

Esse percentual, entretanto, não equivale à margem livre do prefeito.

Parte do valor pode estar vinculada a financiamentos, convênios, contrapartidas, emendas, obras iniciadas anteriormente e receitas condicionadas.

Fontes consultadas pelo IGU News estimam que a disponibilidade efetivamente discricionária para novos investimentos possa ficar próxima de 2% do orçamento.

Esse número não aparece como rubrica oficial e precisa ser tratado como estimativa interna. Para ser confirmado, seria necessário divulgar a memória de cálculo, separando recursos livres, vinculados, contratados e dependentes de arrecadação futura.

Portanto, não é correto afirmar que o município investirá apenas 2%. Também não é correto presumir que todos os R$ 355,6 milhões estarão livres para novas demandas.

A SAÚDE CONSOME MAIS QUE O DOBRO DO MÍNIMO CONSTITUCIONAL

A Constituição e a Lei Complementar nº 141 obrigam os municípios a aplicar pelo menos 15% da base formada por impostos e determinadas transferências em ações e serviços públicos de saúde.

Foz do Iguaçu vem aplicando percentuais muito superiores.

Os relatórios anuais municipais apresentam a seguinte série:

ANO RECURSOS PRÓPRIOS APLICADOS EM SAÚDE PERCENTUAL DA BASE CONSTITUCIONAL
2021 dado comparativo do RAG 37,35%
2022 R$ 272,62 milhões 34,19%
2023 R$ 276,95 milhões 31,43%
2024 R$ 306,97 milhões 29,98%
2025 R$ 353,65 milhões 32,15%

Os valores e percentuais constam dos relatórios anuais da Secretaria Municipal da Saúde.

A média aritmética simples do período foi de aproximadamente 33,02%.

Isso corresponde a cerca de 2,2 vezes o mínimo constitucional de 15%.

Em 2025, a execução total da saúde, considerando recursos próprios e transferidos, chegou a aproximadamente R$ 573,1 milhões. O montante próprio computado para cumprimento constitucional foi de R$ 353,65 milhões.

FOZ FINANCIA UMA SAÚDE MAIOR DO QUE SUA POPULAÇÃO

A condição fronteiriça ajuda a explicar esse comprometimento elevado.

Em julho de 2025, a Secretaria Municipal da Saúde identificou aproximadamente 456 mil cartões SUS cadastrados em Foz, diante de uma população estimada pelo IBGE em 295.550 habitantes.

O número de cartões era 54% superior à população estimada, e não praticamente o dobro.

Do total, cerca de 33 mil cartões estavam registrados em nome de estrangeiros, especialmente paraguaios, argentinos e venezuelanos.

Cartão emitido não equivale necessariamente a usuário ativo.

A base pode conter cadastros antigos, pessoas que se mudaram, duplicidades em regularização e usuários que utilizam a rede esporadicamente.

Mesmo com essa ressalva, a diferença mostra que o planejamento sanitário municipal atende um universo potencial muito superior ao número utilizado nas estimativas populacionais.

Levantamento municipal anterior apontou que entre 20% e 30% dos atendimentos do Hospital Municipal eram destinados a pessoas de fora de Foz, incluindo moradores de municípios da região, brasileiros residentes no Paraguai e cidadãos paraguaios.

O SUS É UNIVERSAL, MAS O FINANCIAMENTO POSSUI LIMITES TERRITORIAIS

O SUS deve garantir acesso universal, especialmente em situações de urgência e emergência.

No entanto, o financiamento regular utiliza critérios populacionais, produção registrada, pactuação regional, tetos de média e alta complexidade e programas específicos.

Isso cria uma assimetria para Foz.

A cidade atende:

  • sua população residente;
  • moradores dos municípios da 9ª Regional de Saúde;
  • brasileiros que vivem no Paraguai;
  • estrangeiros que atravessam a fronteira;
  • população flutuante ligada ao turismo;
  • e pacientes encaminhados para serviços de média e alta complexidade.

Nem toda essa demanda adicional é compensada automaticamente por repasses proporcionais.

Em 2022, o relatório municipal registrou R$ 144,63 milhões de receitas federais para a saúde, correspondentes a 32,36% do financiamento consolidado, enquanto a participação municipal alcançou R$ 288,09 milhões, ou 64,45%.

Em 2024, o relatório registrou participação municipal de 63,73%, além de recursos federais, estaduais e remanejamentos pactuados.

Os demonstrativos não são totalmente idênticos entre os anos, mas confirmam o peso predominante do Tesouro municipal.

O EXCESSO NA SAÚDE REDUZ A MARGEM DAS OUTRAS PASTAS

Aplicar acima do mínimo constitucional não significa desperdício.

Em uma cidade de fronteira, com hospital municipal de referência e demanda regional, o gasto adicional pode ser indispensável para manter serviços essenciais.

O efeito fiscal, porém, é inevitável.

Quanto mais recursos próprios são destinados à saúde, menor tende a ser a margem para:

  • pavimentação;
  • drenagem;
  • mobilidade;
  • habitação;
  • esporte;
  • cultura;
  • turismo;
  • manutenção urbana;
  • proteção animal;
  • desenvolvimento econômico;
  • e outras políticas públicas.

Não é possível afirmar que determinado valor “foi retirado do turismo” para ser colocado na saúde, porque o orçamento não funciona como transferência direta entre duas gavetas isoladas.

Mas é correto afirmar que o gasto sanitário muito acima do piso constitucional reduz o espaço discricionário geral do município.

Essa limitação ajuda a explicar parte da insatisfação da população, que cobra simultaneamente consultas, medicamentos, pavimentação, transporte, limpeza, iluminação, obras e equipamentos públicos.

A ITAIPU EXIGE UMA COMPARAÇÃO MAIS RIGOROSA

A análise dos recursos da Itaipu precisa distinguir três fluxos diferentes:

  1. royalties previstos no Tratado de Itaipu e distribuídos segundo critérios legais;
  2. investimentos e convênios diretamente realizados pela empresa;
  3. obras e programas regionais que beneficiam Foz, mas não representam transferência de dinheiro para o caixa da prefeitura.

Sem essa separação, qualquer comparação entre gestões se torna imprecisa.

O relatório anual de 2015 registra parcerias, eventos, programas sociais, turísticos e ambientais em Foz, mas não apresenta um total municipal padronizado que possa ser diretamente comparado com os anos recentes.

Também é necessário corrigir uma referência histórica: 2015 estava inserido no ciclo de governos federais do PT, iniciado em 2003. Não foi o ano em que a gestão federal de Itaipu “passou para o PT”.

DOS IVESTIMANETOS FTUROS DA ITAIPU EM FOZ

Em 2024 a empresa anunciou o que classificou como o maior pacote de investimentos de sua história no município, estimado em aproximadamente R$ 1,3 bilhão.

O pacote reuniu iniciativas de infraestrutura, habitação, turismo, saúde, meio ambiente e desenvolvimento social. Também foi anunciada a previsão de cerca de R$ 750 milhões para a retomada do campus da Unila.

Esse anúncio não prova que todo o valor já tenha sido desembolsado.

“Anunciado”, “contratado”, “empenhado”, “executado” e “pago” são situações diferentes.

Portanto, não se pode tratar todo o pacote anunciado como recurso já efetivamente entregue.

O levantamento necessário deverá apresentar:

  • valores anunciados;
  • instrumentos assinados;
  • montantes contratados;
  • pagamentos realizados;
  • execução física;
  • beneficiário direto;
  • e parcela efetivamente destinada a Foz.

ROYALTIES NÃO DEVEM SER CONFUNDIDOS COM INVESTIMENTO VOLUNTÁRIO

Os royalties são compensações legais relacionadas à geração de energia e às áreas afetadas pelo reservatório.

Eles não constituem favor político da direção da empresa nem dependem de alinhamento partidário entre o prefeito e o governo federal.

O valor pode variar conforme geração, câmbio, critérios previstos no tratado e repasses realizados pelo Tesouro Nacional.

Já convênios, patrocínios e programas de desenvolvimento seguem decisões institucionais, regras próprias e prioridades da empresa.

Misturar royalties com obras financiadas pela Itaipu produz números artificialmente inflados ou reduzidos.

MATHEUS, RORATO, MAC DONALD, CHICO E SILVA E LUNA REPRESENTAM FORÇAS DIFERENTES

O cenário preliminar de 2028 reúne perfis distintos.

Adriano Rorato possui a condição de iguaçuense nato, identificação familiar local e o capital político de ter sido o vereador mais votado em 2024.

Matheus Vermelho reúne mandato estadual, votação expressiva em Foz, atuação regional, experiência empresarial e estrutura política compartilhada com o deputado federal Vermelho.

Paulo Mac Donald carrega cinco décadas de residência, experiência empresarial, dois mandatos como prefeito e uma base eleitoral que lhe garantiu o segundo lugar em 2024.

Chico Brasileiro possui mais de 30 anos de vida pública local, passagem por diferentes funções e dois mandatos à frente da prefeitura.

Silva e Luna detém a prefeitura, a estrutura administrativa, a possibilidade jurídica de reeleição e a responsabilidade pelos resultados da atual gestão.

Não existe pesquisa confiável sobre a eleição municipal de 2028 que permita ordenar esses nomes ou classificá-los como favoritos.

Além disso, nenhum deles possui candidatura municipal formal para um pleito que ocorrerá daqui a mais de dois anos.

O RESULTADO DE 2026 SERÁ UM TESTE, NÃO UMA SENTENÇA

O desempenho de Matheus Vermelho, Paulo Mac Donald e Chico Brasileiro nas eleições de 2026 poderá indicar o tamanho atual de suas bases.

Rorato, embora não seja candidato neste ano, continuará sendo avaliado pelo exercício do mandato na Câmara.

Silva e Luna será medido pela administração e pela capacidade de responder às demandas municipais.

Os resultados estaduais e federais poderão alterar alianças, aproximar antigos adversários e redefinir o comando dos partidos.

Mas não determinarão automaticamente a eleição de 2028.

O eleitor municipal costuma avaliar questões próximas: rua, posto de saúde, transporte, escola, emprego, limpeza e presença do poder público.

A INSATISFAÇÃO TEM COMPONENTES ADMINISTRATIVOS E ESTRUTURAIS

Parte das críticas à atual administração decorre de problemas que já existiam antes de 2025.

Déficits de infraestrutura, filas de saúde, transporte coletivo, obras incompletas e dificuldades de manutenção urbana não começaram com Silva e Luna.

Por outro lado, herança administrativa não pode ser utilizada indefinidamente como justificativa.

A atual gestão precisa apresentar prioridades, cronogramas, execução financeira, fontes de recursos e resultados verificáveis.

O orçamento herdado explica limitações do primeiro ano. Não elimina a responsabilidade pela condução administrativa.

O orçamento de 2026, já vinculado ao novo PPA, permitirá uma avaliação mais direta das escolhas feitas pelo atual governo municipal.

IDENTIDADE LOCAL PODE SER ATIVO, MAS RESULTADO SERÁ DECISIVO

A ideia de eleger um prefeito nascido em Foz poderá ter apelo crescente.

Rorato é o nome que mais diretamente reúne essa característica entre os citados.

Matheus Vermelho, embora nascido fora, foi criado e consolidou sua trajetória em Foz.

Mac Donald e Chico Brasileiro possuem décadas de residência e exercício de atividades locais.

Silva e Luna tem vínculo político mais recente, mas foi escolhido pela maioria dos votos válidos em 2024.

O debate não deve opor “iguaçuenses legítimos” a “pessoas de fora”.

A questão relevante é quem demonstra:

  • conhecimento da cidade;
  • capacidade administrativa;
  • compromisso permanente;
  • articulação para buscar recursos;
  • transparência;
  • equipe qualificada;
  • e resultados mensuráveis.

BLINDAGEM ELEITORAL

Esta reportagem apresenta dados públicos, trajetórias, informações orçamentárias e análise de cenário.

A inclusão de nomes não significa apoio, recomendação de voto, lançamento de candidatura ou afirmação de que qualquer pessoa disputará a Prefeitura de Foz do Iguaçu em 2028.

Referências favoráveis ou críticas decorrem de fatos verificáveis, avaliações públicas ou análises jornalísticas, sem pedido explícito ou implícito de voto.

A legislação eleitoral admite a menção a pretensas candidaturas, a exposição de plataformas e a exaltação de qualidades pessoais na pré-campanha, desde que não exista pedido explícito de voto, utilização de meio proibido ou violação à igualdade de oportunidades.

CONTRADITÓRIO

O Portal IGU News mantém integralmente aberto seu espaço editorial para manifestação oficial de todas as pessoas físicas e jurídicas citadas direta ou indiretamente na reportagem, comprometendo-se a publicar, com o mesmo destaque editorial, eventuais esclarecimentos, notas oficiais ou posicionamentos que venham a ser encaminhados.

(Da Redação do IGU News)

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