PONTE BIOCEÂNICA AVANÇA, MAS FALTA DE ACESSOS NO BRASIL ADIA CONCLUSÃO DO CORREDOR INTERNACIONAL
Obra que ligará Porto Murtinho (MS) a Carmelo Peralta, no Paraguai, representa um dos principais projetos logísticos da América do Sul, mas trecho brasileiro ainda depende de recursos para os acessos terrestres.
A Ponte Internacional da Integração Bioceânica, construída sobre o Rio Paraguai para conectar Porto Murtinho (MS) a Carmelo Peralta, no Paraguai, alcançou um importante marco de engenharia com a união das duas extremidades da estrutura. Apesar do avanço físico da ponte, a plena operação do corredor logístico ainda depende da conclusão dos acessos rodoviários, principalmente do lado brasileiro.
Com 1.294 metros de extensão, a ponte constitui um dos principais eixos da Rota Bioceânica, corredor internacional que pretende ligar os portos brasileiros do Atlântico aos portos chilenos de Antofagasta e Iquique, no Oceano Pacífico, passando por Paraguai e Argentina. A expectativa é reduzir em até 7 mil quilômetros o percurso de cargas destinadas aos mercados asiáticos e diminuir o tempo de transporte entre 17 e 20 dias, tornando as exportações brasileiras mais competitivas.
O principal desafio encontra-se atualmente no lado brasileiro da obra. Ainda falta construir 13,1 quilômetros de acesso entre a BR-267 e a nova ponte. Segundo informações do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), o trecho necessita de aproximadamente R$ 250 milhões adicionais para sua conclusão, recursos que ainda não possuem previsão específica no Orçamento da União.
Atualmente, cerca de 38,1% das obras dos acessos brasileiros foram executadas. O empreendimento inclui serviços de terraplenagem, implantação da infraestrutura viária e construção de sete Obras de Arte Especiais, entre pontes e viaduto. Duas dessas estruturas já foram concluídas, enquanto as demais permanecem em diferentes fases de execução.
Do investimento total estimado em R$ 472 milhões, aproximadamente R$ 220,7 milhões já foram empenhados, dos quais R$ 184,7 milhões efetivamente executados. O DNIT informou que eventual suplementação orçamentária dependerá da evolução física da obra e da disponibilidade de recursos federais.
Enquanto isso, o cronograma paraguaio apresenta ritmo mais acelerado. Os 3,8 quilômetros de acesso entre a ponte e a rodovia PY-15 seguem em execução, com previsão de conclusão entre o final de 2026 e o início de 2027. Autoridades paraguaias estimam que parte significativa da infraestrutura viária esteja pronta ainda neste ano.
Especialistas envolvidos no projeto explicam que o cronograma brasileiro enfrenta maiores desafios devido às características geológicas do Pantanal sul-mato-grossense, onde o solo exige complexos serviços de terraplenagem e fundações, elevando os custos da obra.
Além da infraestrutura viária, Brasil e Paraguai trabalham na implantação do Centro Integrado de Controle de Fronteira (CIOF), estrutura que permitirá procedimentos conjuntos de fiscalização aduaneira, migratória, sanitária e agropecuária. O modelo busca reduzir burocracias e aumentar a eficiência das operações de comércio exterior entre os dois países.
Segundo a Receita Federal, o projeto da área integrada de fiscalização ainda passa por adequações técnicas para atender às necessidades dos diversos órgãos que atuarão no complexo, incluindo Receita Federal, Polícia Federal, Polícia Rodoviária Federal, Ministério da Agricultura e Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
A implantação da Rota Bioceânica também exige investimentos em infraestrutura nos demais países participantes. Paraguai, Argentina e Chile ainda executam obras de pavimentação, adequação de rodovias, modernização de aduanas e melhorias logísticas para garantir a plena operacionalização do corredor internacional.
Recentemente, equipes técnicas da Receita Federal percorreram aproximadamente 4 mil quilômetros ao longo da futura rota, avaliando as condições das rodovias, postos aduaneiros e infraestrutura logística nos quatro países envolvidos. O levantamento apontou elevado potencial para redução dos custos logísticos brasileiros, mas também identificou gargalos relacionados às estruturas de fiscalização, limitações rodoviárias e necessidade de ampliação da capacidade operacional em alguns pontos do percurso.
Considerada um dos maiores projetos de integração física da América do Sul, a Rota Bioceânica deverá beneficiar diretamente setores como agronegócio, mineração, indústria, logística e comércio exterior, fortalecendo a competitividade brasileira nos mercados da Ásia e da Oceania e ampliando a integração econômica entre os países do Mercosul e da costa do Pacífico.
Apesar dos desafios orçamentários e das obras ainda pendentes, autoridades brasileiras e paraguaias mantêm a expectativa de que o corredor se consolide como uma nova alternativa estratégica para o transporte internacional de cargas nas próximas décadas.
(Da Redação do IGU News)



