Brasil

PF APONTA QUE DIGIMAIS TERIA INFLADO BALANÇOS COM CRÉDITOS LIGADOS A DISPUTA BILIONÁRIA DA VALE

Investigação envolve banco ligado ao grupo econômico de Edir Macedo e operação baseada em direitos creditórios originados em ação que remonta à década de 1940.

A Polícia Federal investiga uma operação financeira envolvendo o banco Digimais, instituição ligada ao grupo econômico controlado pelo empresário e líder da Igreja Universal do Reino de Deus, Edir Macedo. Segundo a apuração, o banco teria utilizado direitos creditórios de uma antiga disputa judicial para elevar artificialmente o valor de ativos registrados em seus balanços, em operação que, de acordo com os investigadores, alcançaria aproximadamente R$ 670 milhões.

O caso tem origem em uma longa disputa envolvendo antigos acionistas da Companhia Brasileira de Mineração e Siderurgia (CBMS), empresa incorporada pelo governo federal durante a gestão de Getúlio Vargas para a criação da Companhia Vale do Rio Doce, atualmente conhecida como Vale. Em decisão judicial definitiva obtida em 1984, ficou reconhecido o direito dos herdeiros de antigos acionistas a uma indenização vinculada a ações da companhia e aos respectivos dividendos acumulados ao longo das décadas.

Apesar da vitória judicial, a liquidação da ação permanece sem conclusão há mais de quarenta anos devido à complexidade dos cálculos, sucessões hereditárias e discussões processuais ainda em andamento na Justiça Federal do Rio de Janeiro. Entre os beneficiários estão herdeiros da família Villela, que detêm participação relevante nos créditos decorrentes da ação.

Segundo a Polícia Federal, parte desses direitos foi adquirida por fundos vinculados ao Digimais a partir de 2023. Os investigadores afirmam que créditos comprados por valores que somariam cerca de R$ 71 milhões teriam sido posteriormente reavaliados por cifras superiores a R$ 740 milhões. A PF sustenta que essas remarcações contábeis não foram acompanhadas por fatos novos no processo judicial que justificassem valorização de tal magnitude.

A investigação aponta que os ativos teriam sido utilizados para reforçar artificialmente indicadores patrimoniais da instituição financeira. Conforme a apuração, a estratégia permitiria ao banco apresentar uma situação financeira mais robusta perante o mercado, ampliando sua capacidade de captação de recursos por meio de produtos financeiros oferecidos ao público.

Outro ponto analisado envolve operações realizadas entre fundos do próprio grupo e empresas controladoras ligadas à estrutura societária do Digimais. A Polícia Federal afirma que algumas dessas movimentações teriam ocorrido após determinações do Banco Central para revisão dos registros contábeis relacionados aos créditos investigados.

Auditorias independentes também teriam registrado dificuldades para validar documentos, premissas e critérios utilizados na avaliação dos ativos. O caso permanece sob investigação, e eventuais responsabilidades ainda dependerão da conclusão das apurações e da análise das autoridades competentes, assegurado o direito de defesa aos envolvidos.

(Da Redação do IGU News)

IGU News Bot

IGU News Bot

About Author

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Somente a verdade. Este é nosso compromisso com nossos leitores!

Principais Categorias

Cadastre em nossa newsletter

    E receba diretamente em sem e-mail

    Iguassu News @2025. Todos os direitos reservados

    By CB4