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Urgente: EM MEIO À REPRESSÃO DO GOVERNO IRANIANO ÀS MANIFESTAÇÕES POPULARES, EUA E ISRAEL ATACAM O IRÃ

Operação contra o Irã tem como foco eliminar ameaças nucleares e de mísseis, afirma Trump. Presidente diz que objetivo da operação é ‘defender o povo americano’, e premiê israelense afirma que iranianos tomarão o país.

Os Estados Unidos, em conjunto com Israel, realizam neste sábado (28) um devastador ataque contra o Irã na chamada “Operação Fúria Épica”. O futuro do regime islâmico instalado em 1979 e das relações de poder no Oriente Médio agora está em suspenso.

Explosões foram ouvidas no leste e no oeste de Teerã, segundo a mídia iraniana. A agência Tasnim publicou imagens de uma densa fumaça na capital do país, e o aeroporto Mehrabad teria sido atingido. O espaço aéreo do país, de acordo com a mesma agência, também foi fechado. Ainda não se sabe o número de vítimas, mas as Forças Armadas de Israel disseram ter atingido dezenas de alvos.

A ação ocorreu mesmo depois de ter sido marcada uma quarta rodada de negociações entre americanos e iranianos acerca do programa nuclear de Teerã, que o presidente Donald Trump disse querer ver desmantelado completamente.

Horas depois, Teerã revidou e lançou mísseis em direção a Israel, que foram interceptados, segundo Tel Aviv. O país persa também atacou bases americanas no Oriente Médio, incluindo no Kuwait, Bahrein, Emirados Árabes Unidos e Qatar —pelo menos uma pessoa morreu em Abu Dhabi, segundo a imprensa local.

O Ministério das Relações Exteriores iraniano disse que os ataques contra o país tiveram como alvo uma série de instalações militares e civis em várias cidades, e que eles acontecem “no meio de um processo diplomático”.

Pela rede Truth Social, Trump confirmou a operação em um vídeo de oito minutos. “Há pouco, os militares dos Estados Unidos iniciaram grandes operações de combate no Irã. O nosso objetivo é defender o povo americano eliminando ameaças do regime iranianos. Um grupo vicioso de pessoas terríveis”, disse o republicano.

O ministro de Defesa de Israel também comentou sobre o ataque. “O Estado de Israel lançou um ataque preventivo contra o Irã para eliminar ameaças”, disse Israel Katz.

Em comunicado, Bibi afirmou que Israel e EUA lançaram uma operação para “eliminar a ameaça existencial representada pelo regime terrorista no Irã”. “Chegou a hora de todos os setores do povo no Irã se livrarem do jugo da tirania e trazerem um Irã livre e amante da paz”, disse.

Não se sabe se o ataque atingiu, como era especulado, o líder supremo da teocracia. À agência de notícias Reuters, uma autoridade do regime iraniano afirmou Ali Khamenei não está na capital e foi transportado a uma localização segura.

Entretanto, autoridades americanas, israelenses e persas ouvidas sob condição de anonimato dizem que uma série de membros do alto escalão do regime foram mortos, e que Khamenei, assim como o presidente Masoud Pezeshkian, foram alvo.

Se Khamenei estiver morto, se tornará o primeiro chefe de Estado no poder assassinado por Washington na história. O iraniano de 86 anos liderava seu país desde 1989, quando morreu o fundador da República Islâmica, aiatolá Ruhollah Khomeini.

As negociações ocorridas na quinta-feira (26) na casa do embaixador omani em Genebra eram consideradas cruciais. Ao fim delas, os mediadores e o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, anunciaram progresso e nova rodada em Viena na semana que vem.

Na terça-feira (24), Trump havia reiterado que preferia uma solução diplomática para a crise, mas que estava pronto para agir e impedir que o Irã obtivesse a bomba atômica.

Em junho do ano passado, Trump havia atacado três centrais nucleares do país no âmbito da guerra de 12 dias que o Irã travava com Israel, principal aliado dos EUA na região. O republicano se gabava de ter acabado com o programa iraniano —algo discutível, em especial à luz da nova ação.

O que se sabe, por meio da Agência Internacional de Energia Atômica, é que os iranianos haviam mantido 440 kg de urânio enriquecido a 60%, perto dos 80%-90% necessários para uma bomba nuclear completa, mas suficientes para talvez 15 artefatos limitados.

Em janeiro, o presidente dos EUA havia ameaçado atacar sob o pretexto de evitar morte de manifestantes que participavam dos maiores protestos contra a teocracia desde sua criação, iniciados pela crise econômica aguda do país, mas ampliados pela insatisfação generalizada.

Trump chegou a dizer que “a ajuda estava a caminho”, só que, sem forças mobilizadas para uma ação maior, voltou atrás. Israel também pediu “mais tempo” para se preparar para o conflito.

Houve pressão adicional de aliados árabes do golfo Pérsico, preocupados com o espraiamento do conflito para o estreito de Hormuz, onde o Irã prometia retaliar contra 20% do tráfego de petróleo e gás liquefeito do mundo em caso de ataque.

Ao mesmo tempo, os EUA reabriram as negociações, que ao fim não deram em nada porque Trump exigia o fim do programa nuclear e a limitação das capacidades balísticas iranianas, uma cortesia a Israel. Os iranianos prometeram apenas reduzir o grau de enriquecimento de seu urânio e renunciar à bomba em troca do fim de sanções, em termos semelhantes ao do acordo de 2015 abandonado pelo americano em 2018.

O destino de Khamenei é desconhecido. Outros líderes hostis a Washington morreram após ações ocidentais na história recente, mas nunca diretamente. O ditador iraquiano Saddam Hussein, por exemplo, foi capturado por americanos em 2003, após a invasão de seu país, mas acabou enforcado após julgamento em uma corte local três anos depois.

Já o ditador líbio Muammar Gaddafi, que sobrevivera a um bombardeio americano em 1986, foi morto por rivais numa sarjeta em 2011 após ser destituído na esteira de uma ação ocidental autorizada pela ONU com participação dos EUA.

Se a teocracia foi decapitada, o que acontece agora é incerto e depende do escopo e da duração da operação americana, que pode visar a destruição da cadeia de comando da Guarda Revolucionária, o principal ente militar da pais.

Do ponto de vista sucessório, no caso da ausência do líder é prevista a criação de uma junta formada pelo presidente do país, Masoud Pezeshkian, o chefe do Judiciário e um membro do Conselho dos Guardiões, órgão com 6 clérigos e 6 juristas.

O grupo governa até a reunião dos 88 membros da Assembleia de Peritos, clérigos eleitos mas que precisam do aval do Conselho, que definirá o nome do sucessor de Khamenei. Com a suspeita morte em acidente aéreo do presidente radical Ebrahim Raisi, em 2024, o favorito era um dos filhos de Khamenei, Mojtaba, 56.

Outra opção é uma guerra civil, dado que não está nos planos e na capacidade mobilizada de Trump a hipótese de uma ação terrestre para empoderar algum grupo no comando.

O príncipe herdeiro do Irã afirmou neste sábado que a ajuda esperada dos EUA chegou. “Trata-se de uma intervenção humanitária e seu alvo é a República Islâmica, seu aparato de repressão e sua máquina de matar, não o grande país e nação Irã”, disse ele, também pelas redes sociais.

 

 

(Com Folhapress)
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