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LULISTAS INUNDAM REDES SOCIAIS COM MOTE ‘RICOS VERSUS POBRES’, E CONGRESSO É UM DOS ALVOS


Políticos de direita têm mais que o dobro do engajamento de esquerda, centro e centrão juntos. Esquerda lança ação capitaneada pelo PT, com apoio do Palácio do Planalto e disseminada por perfis alinhados, usa vídeos feitos com IA.

Em sintonia com os discursos de Lula e do ministro Fernando Haddad (Fazenda), governistas têm inundado suas redes sociais com a retórica da luta entre pobres e ricos, cenário em que o presidente da República estaria entrando em choque contra poderosos interesses do status quo empresarial e financeiro.

No discurso capitaneado pelo PT, estimulado pelo Palácio do Planalto e disseminado por perfis alinhados, a campanha é formada em boa parte por vídeos produzidos por inteligência artificial e tem como mote a defesa da “taxação BBB”, em referência a “bilionários, bets e bancos” —grupo que formaria um poderoso lobby em parceria com o centrão e a direita no Legislativo.

O Congresso é um dos principais alvos, em especial no varejo da rede social, onde o Legislativo aparece claramente identificado como “inimigo do povo”.

O direcionamento político das redes segue o discurso e a ação de Lula, que nesta terça-feira (1º) disse enfrentar uma “rebelião” toda vez que tenta cobrar mais impostos de ricos.

“Não é briga política, partidária. É a elite, junto com a direita e o centrão se unindo contra o povo brasileiro”, disse em um dos vídeos postados por governistas o deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP), cotado a ocupar a Secretaria-Geral da Presidência do governo Lula.

Liderança Absoluta

A direita domina as redes sociais no país, mas qual é a dimensão dessa soberania? Dados da consultoria Bites compilados pela Folha dão uma pista do tamanho do problema para o governo Lula (PT): os principais políticos de esquerda têm, somados, menos da metade dos seguidores da direita e registraram apenas um terço do engajamento obtido por eles este ano.

As publicações da direita receberam, em 2025, um engajamento (considerando números de curtidas, comentários e compartilhamentos) equivalente a 2,5 vezes o gerado pelas postagens de políticos de esquerda e de partidos de centro e centro-direita, somados. Quanto mais interações, maior o público que uma informação atinge na internet e maior sua repercussão.

O recorte feito pela reportagem considera os 250 deputados federais, senadores, presidente, ex-presidente, ministros, primeiras-damas, governadores e prefeitos de capitais com maior número de seguidores. A Bites levantou a pedido da reportagem os dados das cinco principais redes sociais no país: Facebook, Instagram, YouTube, TikTok e X (ex-Twitter) de 1º de janeiro a 30 de maio.

O número de parlamentares até alcança certo equilíbrio por esse recorte: 84 são de centro ou do centrão, 88 da direita e 78 da esquerda. O engajamento dos perfis ligados à direita, no entanto, é bem maior.

De acordo com o levantamento, os políticos de direita alcançaram 1,48 bilhão de interações nos cinco primeiros meses do ano. Os de esquerda chegaram a apenas 417 milhões. Políticos de partidos de centro e do centrão tiveram resultado ainda mais tímido: 171 milhões de reações ao conteúdo postado.

A direita também apresenta um engajamento maior a cada postagem feita, com média de 12.894 interações por publicação. No caso dos aliados do presidente Lula, essa cifra cai a 4.699, em média. Já no centro e no centrão, fica em 3.900.

O diretor técnico da Bites, André Eler, afirma que um dos motivos para essa diferença numérica é que a direita é mais organizada e afinada nas redes. “É uma bolha mais ativa e mais engajada, o que acaba gerando um volume maior de interações. Tem mais gente interessada o tempo inteiro nesse conteúdo.”

Já a esquerda, ressalta Eler, tem mais dificuldade de atuar em uma linha unificada. Ele dá como exemplo os deputados federais Guilherme Boulos (PSOL-SP) e Tabata Amaral (PSB-SP), que são figuras influentes desse campo político nas redes sociais, mas muitas vezes têm discursos antagônicos.

Outro problema da esquerda, aponta o diretor da Bites, é a falta de organização. Nem todos os ministros do governo possuem redes sociais, e a principal liderança do grupo, o presidente Lula, muitas vezes não entra nos embates.

Somados, os 33 ministros do petista que possuem redes sociais (cinco não têm perfis públicos) têm juntos pouco mais da metade dos seguidores que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) possui sozinho.

A lista é puxada por dois nomes que foram candidatos à Presidência em anos recentes: Fernando Haddad (Fazenda), com 7,2 milhões, e Marina Silva (Meio Ambiente), com 5,7 milhões.

(Com Folhapress)

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