JATINHO DE MATRÍCULA BRASILEIRA É APREENDIDO NA BOLÍVIA APÓS TENTATIVA DE EXPORTAÇÃO DE 189 QUILOS DE OURO
Autoridades bolivianas apreenderam barras de ouro avaliadas em cerca de US$ 25 milhões após identificarem supostas irregularidades na documentação de exportação. Um homem permanece preso e o caso segue sob investigação.
A Aduana Nacional da Bolívia confirmou a apreensão de aproximadamente 189 quilos de barras de ouro durante uma operação realizada no Aeroporto Internacional de Viru Viru, em Santa Cruz de la Sierra. A carga, avaliada em cerca de US$ 25 milhões (aproximadamente R$ 128 milhões), seria embarcada em um voo fretado com destino final a Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
A aeronave envolvida é um Gulfstream G100 (IAI Astra), de matrícula brasileira PS-ZRZ, registrada na Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) em nome do empresário Valdir José Zorzo, proprietário do Grupo Dallas Alimentos, empresa do setor alimentício.
Segundo informações divulgadas pela Aduana boliviana, a equipe responsável pelo controle aeroportuário foi informada de que alguns passageiros transportavam ouro na bagagem de mão. Diante da comunicação, os agentes iniciaram os procedimentos de verificação previstos pela legislação aduaneira boliviana para exportação de minerais.
Durante a conferência no sistema informatizado SUMA, utilizado para registrar operações de exportação, as autoridades informaram que não localizaram qualquer autorização correspondente à carga. Em razão da inconsistência, foi acionado o Serviço Nacional de Registro e Controle da Comercialização de Minerais e Metais (SENARECOM) para análise da documentação apresentada.
Conforme o comunicado oficial, o formulário de exportação identificado como M03 foi submetido à verificação técnica e teria sido considerado inválido pelo órgão competente. A partir dessa constatação, a Aduana Nacional, em conjunto com a Navegação Aérea e Aeroportos Bolivianos (NAABOL) e a polícia local, determinou a retenção do ouro e a abertura das investigações.
Inicialmente, seis pessoas foram detidas para prestar esclarecimentos. Posteriormente, apenas Adrián Lema Roca, de 22 anos, permaneceu preso, apontado pelas autoridades bolivianas como responsável pela documentação apresentada para a exportação da carga.
Documentos de autorização de sobrevoo obtidos pela imprensa brasileira indicam que a aeronave decolou de Campo Grande (MS), realizou escala em Corumbá (MS) e seguiu para Santa Cruz de la Sierra no dia 21 de julho. O destino informado para a operação era Dubai, embora não tenham sido divulgados os países previstos para escalas intermediárias.
Após a conclusão dos procedimentos iniciais de investigação, o jatinho foi liberado pelas autoridades bolivianas e atualmente encontra-se em Cuiabá (MT).
Em nota encaminhada à imprensa, o Grupo Dallas esclareceu que a aeronave pertence exclusivamente ao empresário Valdir José Zorzo e que costuma permanecer disponível para utilização quando não está sendo empregada pelo proprietário.
Entretanto, consulta aos registros públicos da ANAC indica que a aeronave não possui homologação para operação de táxi-aéreo, nos termos do Regulamento Brasileiro da Aviação Civil (RBAC 135), permanecendo registrada como operação privada.
O advogado do grupo informou ainda que toda a operação de voo, incluindo planos de voo, registros aeronáuticos e definição dos destinos, é conduzida pelo piloto responsável, acrescentando que, até o momento, não havia informação sobre qualquer medida judicial direcionada ao proprietário da aeronave.
As autoridades bolivianas prosseguem com o inquérito para apurar a origem do ouro, a autenticidade da documentação apresentada e a eventual responsabilidade criminal dos envolvidos na tentativa de exportação da carga.
Até o momento, não há informação oficial indicando que o proprietário da aeronave tenha sido indiciado, acusado ou investigado criminalmente, sendo as apurações concentradas, conforme divulgado pelas autoridades bolivianas, na documentação da carga e nos responsáveis por sua exportação.
(Da Redação do IGU News)




