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SOB PRESSÃO, MERCOSUL ENCARA DESAFIO DA ABERTURA COMERCIAL

Bloco busca ampliar acordos internacionais diante de um comércio global mais fragmentado, mas enfrenta resistências internas, divergências políticas e risco de ficar fora das cadeias produtivas da tecnologia.

O Mercosul voltou a colocar a abertura comercial no centro de sua agenda estratégica. Em meio a um cenário internacional marcado por tensões geopolíticas, fragmentação do comércio global e decisões unilaterais de grandes economias, os países do bloco discutem formas de ampliar acordos e reduzir barreiras comerciais.

A recente cúpula realizada em Assunção, no Paraguai, sinalizou consenso sobre a necessidade de acelerar negociações externas. O movimento ocorre após anos de avanços limitados, em que o Mercosul conseguiu ampliar sua integração com a América do Sul e, mais recentemente, com a União Europeia, mas deixou em segundo plano mercados dinâmicos da Ásia e de outras regiões estratégicas.

Entre os parceiros que aguardam resposta estão Reino Unido, Japão e China. As conversas com os japoneses foram formalizadas no fim de junho em torno de um Acordo de Associação Econômica. Já Pequim espera há anos por uma aproximação mais ampla, tema que voltou à agenda do governo brasileiro, embora ainda enfrente resistências políticas e industriais dentro do bloco.

ACORDOS AVANÇAM, MAS AGENDA AINDA É LIMITADA

A cúpula produziu resultados concretos. Os acordos com Singapura, importante centro logístico asiático, e com a Associação Europeia de Livre Comércio devem entrar em vigor neste semestre.

Também está prevista para setembro a redução a zero de tarifas comerciais com o Egito.

Apesar disso, especialistas avaliam que o Mercosul ainda precisa recuperar negociações com mercados relevantes como Índia, Vietnã, Canadá, Indonésia, Emirados Árabes, Coreia do Sul e Líbano.

RESISTÊNCIAS INTERNAS CONTINUAM

A abertura comercial enfrenta obstáculos dentro do próprio bloco.

As divisões ideológicas entre os países-membros e a resistência de setores industriais de Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai dificultam a construção de consensos mais amplos, especialmente em negociações sensíveis com economias altamente competitivas, como a China.

RISCO DE ISOLAMENTO PRODUTIVO

Desde sua implementação, em 1995, o Mercosul avançou na liberalização comercial regional, mas perdeu espaço em cadeias globais de valor ligadas à indústria, tecnologia, semicondutores, logística, inteligência artificial e manufatura avançada.

A integração desses setores exige mercados mais abertos, regras previsíveis e maior conexão com polos internacionais de produção e inovação.

RELAÇÃO COM OS ESTADOS UNIDOS SEGUE FORA DA AGENDA

Desde o enterro da Alca, em 2005, o Mercosul evita discutir acordos amplos de livre comércio com os Estados Unidos.

A ausência do tema na cúpula de Assunção ocorre em um momento de instabilidade na política comercial norte-americana e de maior imprevisibilidade global.

Mesmo assim, analistas avaliam que essa rota poderá voltar ao debate, especialmente diante de movimentos bilaterais envolvendo países do bloco e Washington.

PRESSÃO POR MODERNIZAÇÃO AUMENTA

A principal preocupação é que o Mercosul fique à margem das cadeias econômicas do século 21.

Sem maior abertura, os setores produtivos do bloco podem perder competitividade, acesso a tecnologia, integração logística e capacidade de participar de fluxos globais de investimento.

A discussão, portanto, deixou de ser apenas comercial. Passou a envolver estratégia industrial, inovação, emprego, produtividade e inserção internacional.

O desafio dos países-membros será equilibrar proteção a setores sensíveis com a necessidade de modernizar economias ainda muito fechadas em relação aos principais centros globais de comércio e tecnologia.

(Da Redação do IGU News)

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