Senador afirma que decisão foi tomada em comum acordo com o presidente Lula e diz que prioridade será comprovar sua inocência durante as investigações.
O senador Jaques Wagner (PT-BA) anunciou nesta quarta-feira (24) sua saída da liderança do governo no Senado Federal após tornar-se alvo de uma operação da Polícia Federal relacionada às investigações do chamado Caso Master. A decisão ocorreu após reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em Brasília.
Em publicação nas redes sociais, Wagner informou que o afastamento foi definido “em comum acordo” com o presidente. Segundo o parlamentar, sua prioridade passa a ser a defesa nas investigações e a demonstração de sua inocência, além de dedicar-se às campanhas eleitorais do presidente Lula, do governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, e à sua própria tentativa de reeleição ao Senado.
A saída ocorre poucos dias depois de a Polícia Federal cumprir mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), no âmbito da Operação Compliance Zero. A investigação apura suspeitas de corrupção passiva, corrupção ativa e lavagem de dinheiro envolvendo pessoas ligadas ao Banco Master.
De acordo com a apuração, investigadores analisam supostos pagamentos destinados ao núcleo familiar do senador, além de benefícios que teriam sido recebidos por Jaques Wagner. A defesa do parlamentar nega qualquer irregularidade, afirma que as acusações não possuem fundamento e já protocolou recurso no STF buscando anular as medidas autorizadas durante a operação.
Aliados do governo consideravam que o afastamento da liderança poderia reduzir os impactos políticos das investigações sobre o Palácio do Planalto em um momento de intensa articulação para o processo eleitoral. Jaques Wagner ocupava o cargo desde o início do atual mandato presidencial e é considerado um dos principais aliados históricos de Lula dentro do Partido dos Trabalhadores.
As investigações seguem em andamento, e eventuais responsabilidades dependerão da conclusão dos trabalhos da Polícia Federal, da manifestação do Ministério Público e das decisões da Justiça, sendo assegurado aos investigados o pleno direito ao contraditório e à ampla defesa.
(Da Redação do IGU News)




