Turismo pode avançar até 2030. A estrutura acompanha? Este é o Capítulo 2 da série especial do IGU News. Após analisarmos, no primeiro capítulo, o potencial de crescimento turístico até 2030, agora avaliamos se Foz do Iguaçu possui estrutura suficiente para sustentar essa expansão. A resposta é estratégica, pois envolve planejamento urbano, investimentos, geração de renda e o futuro econômico da cidade.

Por José Reis – Jornalista*
O gráfico que define a próxima década

O gráfico “Crescimento Turístico x Pressão Estrutural (2019–2030)” é referente exclusivamente a Foz do Iguaçu.
Nota metodológica integrada no gráfico:
Indicadores históricos baseados em dados públicos e observatórios de turismo. Projeções 2026–2030 estruturadas em cenário base e cenário acelerado. Leitos estimados com base na capacidade formal instalada.
O gráfico sintetiza o dilema estrutural da cidade:
-
A recuperação pós-pandemia foi consistente.
-
O crescimento projetado é relevante.
-
A capacidade instalada possui limite técnico.
-
No cenário acelerado, a pressão estrutural aparece antes de 2030.
Não é apenas crescimento turístico. É capacidade de absorção.
O que precisa ser construído até 2030?

Nota metodológica integrada:
Estimativa construída com base em crescimento projetado, permanência média e ocupação sustentável. Valores ilustrativos para análise estrutural.
Se o cenário acelerado se confirmar, Foz poderá precisar entre 4 mil e 6 mil novos leitos formais acumulados até 2030.
Mas não basta construir quantidade. É preciso estratégia.
Perfil dos novos empreendimentos
A expansão exigirá:
-
Hotéis econômicos e midscale
-
Studios compactos e apart-hotéis
-
Empreendimentos híbridos
-
Ampliação da oferta executiva
Se a hotelaria não acompanhar:
-
O Airbnb absorve parte da demanda
-
A locação estudantil ganha protagonismo
-
Imóveis compactos tornam-se estratégicos
FOZ x GRAMADO: GESTÃO DE CALENDÁRIO
Gramado estruturou seu turismo em torno de calendário contínuo de eventos.
Foz ainda depende fortemente de:
-
Atrativo âncora (Cataratas)
-
Feriados
-
Sazonalidade
Essa diferença impacta ocupação média, previsibilidade e estabilidade econômica.
COMPARATIVO ESTRUTURAL NORMALIZADO (ÍNDICE 100)

🔵 Azul = Foz do Iguaçu
🟠 Laranja = Gramado
Nota metodológica integrada:
Indicadores normalizados para índice 100, onde o maior valor entre as cidades recebe 100 e o outro é proporcionalmente ajustado. Dados estimativos baseados em informações públicas e projeções econômicas até 2030.
O comparativo revela:
-
Foz possui maior permanência média.
-
Gramado possui calendário mais estruturado.
-
A previsibilidade anual impacta diretamente o retorno econômico.
Crescer ou reagir?
Foz está diante de uma decisão estrutural.
Se planejar a expansão:
→ Crescimento vira ativo econômico.
Se reagir ao gargalo:
→ Crescimento vira pressão.
A próxima década não será definida apenas pelo número de visitantes. Será definida pela capacidade de transformar crescimento em infraestrutura inteligente.
Fontes:
-
Observatórios de Turismo
-
Dados municipais de leitos
-
Séries históricas 2019–2025
-
Calendários oficiais municipais
-
Projeções econômicas regionais
(*José Reis é jornalista e tem 62 anos. Brasiliense de nascimento, tornou-se iguaçuense por escolha. Chegou com a família a Foz do Iguaçu em 1975, quando a “Terra das Cataratas” — hoje com mais de 300 mil habitantes — contava com menos de 35 mil moradores e vivia o início das obras da Itaipu Binacional, em meados da década de 1970).





