Com obras estruturantes, novos atrativos culturais e o peso do turismo de compras e jogos na tríplice fronteira, cenário otimista projeta forte alta no número total de visitantes.
A evolução do turismo em Foz do Iguaçu, desde 2019, mostra que o destino deixou para trás o impacto da pandemia e entrou em um novo ciclo de crescimento, agora sustentado não apenas pelas Cataratas, mas por um conjunto mais amplo de motivações de viagem. Em um cenário otimista, que considera também o turismo de compras no Paraguai, o turismo de jogos (cassinos no Paraguai e na Argentina), eventos e novos atrativos urbanos, o crescimento potencial até 2030 pode ser significativamente maior do que o observado apenas pelo termômetro das Cataratas.
De 2019 ao recorde de 2025: base sólida para avançar
Em 2019, antes da pandemia, o Parque Nacional do Iguaçu recebeu pouco mais de 2 milhões de visitantes. Após o colapso de 2020 e 2021, a retomada foi contínua até que 2025 superou o recorde histórico, com mais de 2,05 milhões de visitantes apenas nas Cataratas. Esse dado é central, mas não representa o total de turistas que se hospedam na cidade, já que uma parcela relevante vem a Foz com outros objetivos.
O “turista invisível” da Terra das Cataratas
Estudos locais, dados de hotelaria e observação do mercado indicam que uma fração expressiva dos visitantes de Foz não entra no Parque Nacional. Esse grupo inclui:
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turistas de compras em Ciudad del Este;
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visitantes focados em cassinos no Paraguai e na Argentina;
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participantes de eventos corporativos, feiras e congressos;
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turistas regionais de curta permanência;
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viajantes que usam Foz como base logística na tríplice fronteira.
Em cenários conservadores, estima-se que 20% a 30% dos turistas hospedados na cidade não visitem as Cataratas. Em um cenário otimista — com cassinos mais estruturados, melhora da mobilidade fronteiriça e novos atrativos urbanos — esse percentual pode chegar a 30% ou até 35% do fluxo total.
Isso significa que, se as Cataratas receberam cerca de 2,05 milhões de visitantes em 2025, o número total de turistas hospedados em Foz pode já estar mais próximo de 2,7 a 3,0 milhões.
Economia, fronteira e jogos: motores adicionais
O turismo de compras e de jogos responde fortemente a variáveis econômicas como câmbio, renda e facilidades de acesso. Em períodos de real relativamente forte, o fluxo de brasileiros para compras cresce; em ciclos de maior integração fronteiriça e ampliação da oferta de cassinos, cresce também o turismo de entretenimento noturno — um perfil que tende a permanecer mais noites e gastar mais em hospedagem e serviços.
A Ponte da Integração Brasil–Paraguai, com operação gradual e perspectiva de liberação plena nos próximos anos, é um divisor de águas para esse tipo de turismo, assim como a Perimetral Leste, que retira tráfego pesado da área urbana e melhora a fluidez para quem cruza a fronteira.
Importantes obras estruturantes que ampliam a capacidade do destino
O cenário otimista se apoia em um pacote de infraestrutura sem precedentes recentes:
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Ampliação e homologação da pista do Aeroporto Internacional de Foz, permitindo aeronaves maiores, mais alcance e maior regularidade operacional.
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Duplicação da Rodovia das Cataratas (Av. das Cataratas/BR-469), ligando aeroporto, hotelaria e parque com mais segurança e capacidade.
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Perimetral Leste, já entregue, reduzindo gargalos urbanos e preparando a cidade para maior fluxo rodoviário.
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Segunda ponte com o Paraguai, integrando logística, turismo e comércio.
Atrativos: dos clássicos aos novos polos de visitação
Além das Cataratas, Itaipu e Marco das Três Fronteiras, Foz ampliou seu leque:
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o AquaFoz, recém-inaugurado, adiciona uma atração urbana, climatizada e familiar, relevante para aumentar permanência média;
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parques temáticos, experiências noturnas e circuitos gastronômicos vêm se fortalecendo;
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o Centro Pompidou Paraná, já confirmado, tende a reposicionar Foz também como destino cultural internacional, com impacto direto no turismo qualificado e de eventos e tem muito mais…
Onde os turistas dormem hoje?
A hotelaria formal de Foz conta atualmente com cerca de 29 mil leitos, distribuídos em pouco mais de 120 meios de hospedagem. No entanto, o mercado reconhece que uma parcela relevante dos turistas se hospeda fora dos hotéis tradicionais, sobretudo em:
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imóveis de aluguel por temporada (tipo AirBnb);
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casas de amigos ou familiares;
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hospedagem em cidades vizinhas (Ciudad del Este e Puerto Iguazú).
Estimativas do trade indicam que 25% a 35% dos turistas que pernoitam em Foz não utilizam hotéis tradicionais.
Otimismo até 2030: turistas x leitos
Considerando:
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crescimento médio anual de 6% a 8% no total de turistas;
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consolidação das obras estruturantes;
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maturação do AquaFoz e entrada do Centro Pompidou Paraná;
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fortalecimento do turismo de compras, jogos e eventos;
Foz do Iguaçu poderia sair de 2,8–3,0 milhões de turistas em 2025 para 3,8 a 4,2 milhões em 2030.
Para absorver esse volume, a hotelaria formal precisaria avançar para algo entre 33 mil e 36 mil leitos até 2030. Caso contrário, haverá pressão sobre tarifas e deslocamento da demanda para hospedagens alternativas.
Fontes dos dados e informações
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Parque Nacional do Iguaçu / Cataratas do Iguaçu
https://cataratasdoiguacu.com.br
https://cataratasdoiguacu.com.br/blog -
Prefeitura Municipal de Foz do Iguaçu
https://www.foz.pr.gov.br -
Governo do Estado do Paraná – Agência Estadual de Notícias
https://www.parana.pr.gov.br/aen -
Aeroporto Internacional de Foz do Iguaçu (CCR Aeroportos / dados públicos)
https://www.ccraeroportos.com.br -
H2Foz – Jornalismo local e dados de turismo e hotelaria
https://www.h2foz.com.br -
AquaFoz – Aquário de Foz do Iguaçu
https://www.aquafoz.com.br
https://www.foz.pr.gov.br -
Centro Pompidou Paraná – anúncios oficiais do Governo do Paraná
https://www.parana.pr.gov.br
https://www.gazetadopovo.com.br -
Dados setoriais do trade turístico local (Sindhotéis, CVB, observação de mercado)
Entrevistas, relatórios e comunicados públicos (2019–2025)



